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Família Ano 8 - nº 68 - 15 de novembro de 2008 Amar não é fazer tudo por Bruno Zaminsky* Diversos psicólogos e pedagogos, nos últimos anos, têm publicado pesquisas que revelam a necessidade do amor, do afeto na relação entre pais e filhos, para o melhor desenvolvimento da criança e do jovem, mas, igualmente, têm alertado para os excessos nessa área, quando o amor desequilibrado faz estragos muito sérios e profundos. Nosso objetivo é traduzir essas pesquisas, que estão em dezenas de livros orientadores da educação com amor, para os pais que estão às voltas com as inúmeras variáveis de como educar seus filhos. Amor em excesso prejudica. Isso porque todo excesso, em qualquer área, é prejudicial. Se você come além da conta, passa mal. Se você se exercita em demasia, pode ter lesões. Se você fica muito sedentário, acarreta problemas de saúde. Se você deixa tudo livre para os seus filhos, pode ter surpresas desagradáveis. Se você tudo controla, pode gerar rebeldia. Então, precisamos encontrar o ponto de equilíbrio, e no amor, ou afetividade, é a mesma coisa. Quando a criança é pequena, principalmente até a idade dos cincco anos, é comum vermos pais que superprotegem, que mimam em demasia, que cuidam excessivamente, que literalmente lambuzam o filho de beijos, carinhos, abraços, afagos, roupas da moda, brinquedos selecionados, brincadeiras infantis, guloseimas diversas e outras coisas mais. E porque o filho é fofinho, lindinho, em nome do amor, além de incutirmos maus hábitos, não fazemos as corrigendas necessárias em seu caráter, em seu comportamento e nas suas atitudes. Se é bagunceiro, é da idade. Se é agressivo, é do temperamento. Se é respondão, é do gênio. Se é irritadiço, é dos nervos. Se é assim ou assado, puxou do pai ou da mãe. E, novamente, em nome do amor, os pais não chamam a atenção, não mostram o correto, não educam. Quem procede assim costuma logo procurar um terapeuta, um psicólogo por exemplo, para que este descubra qual é o problema da criança. Ela só pode ser hiperativa, pensam os pais. Ou deve ter alguma disfunção neuronal ou hormonal. Na maioria dos casos ela tem falta de educação. E essa falta de educação decorre da invigilância dos pais, do afrouxamento da autoridade moral paterna e materna, e da deseducação dos próprios pais. Um amigo, certa vez, queixava-se dos filhos, muito bagunceiros e desorganizados, deixando a casa numa desordem enorme. Entretanto, todo mundo, na escola em que trabalhava como professor, se queixava de que ele era extremamente desorganizado e bagunceiro. Os filhos tinham a quem imitar. O amor também corrige. O amor também coloca limites. O amor também distribui responsabilidades. O amor também cobra o cumprimento dos deveres. O amor educa na medida em que, como pais, nos educamos e compreendemos que os filhos não são marionetes, e também não são seres humanos prontos e independentes. Liberdade demais é aviso para problemas graves amanhã. Ou seja, em resumo, nem amor demais nem amor de menos. Nem superproteger, nem dar muita liberdade. É por amor que os pais têm o dever de chamar a atenção, de mostrar o que pode e o que não pode, e de orientar para a boa formação moral. *Bruno Zaminsky é doutor em educação, professor universitário e consultor internacional na área de educação. Em acordo com o IBEM, o autor solicitou que sua verdadeira identidade fosse preservada. .................................... Continue a leitura da Edição 68 da Revista ReConstruir.
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