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Experiências Que Dão Certo Ano 8 - nº 73 - 15 de junho de 2009 Uma escola democrática Da redação Ela surgiu em 1956, na região oeste da cidade de São Paulo, e foi passando por transformações na medida em que as leis sobre educação foram alteradas e a sociedade foi tendo novas demandas, até que em 1996 teve início uma transformação pedagógica radical, quando a pedagoga Ana Elisa Siqueira assumiu sua direção. Estamos falando da Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima. Preocupada com a alta evasão, e ciente do triste fim que vinham a ter os alunos evadidos visto que, para muitos, era a escola o único vínculo social concreto, o primeiro esforço da nova diretoria foi no sentido de manter os alunos na escola, durante o maior tempo possível. Foi o tempo de derrubar os alambrados que cerceavam a circulação no pátio, num voto de respeito e confiança, de abrir a escola nos fins de semana, de melhorar os espaços tornando-os agradáveis e voltados à convivência. De abrir, enfim, a escola à comunidade. A sala da diretoria deixou de ser o local mais temido da escola, a ameaça ao aluno desviante, para, sempre de portas abertas, ser o epicentro de uma transformação radical. Alunos de séries mais avançadas começaram a frequentar e viver a escola fora de seus horários de aula, como monitores em atividades várias. Com apoio e o engajamento crescente dos pais e mães de alunos e da comunidade, a escola passou a oferecer atividades extracurriculares. Instalaram-se Oficinas de Cultura Brasileira, de Capoeira, de Educação Ambiental, de Teatro. A maior participação dos pais e mães passou a se refletir na organização das festas, na criação do Grupo de Teatro de Mães, no trabalho voluntário.
A Emef Amorim Lima reordenou os espaços de ensino-aprendizagem. As classes convencionais cederam espaço a enormes salões, onde professores polivalentes trabalham de forma integrada com os estudantes. Na busca da autonomia, os alunos decidem o conteúdo a ser estudado, sob a supervisão de um tutor, pois a figura do professor é considerada muito importante. Também foram estabelecidas regras, que estão espalhadas por toda a escola, denominadas "Princípios de Convivência". Mais recentemente um novo Projeto Político-Pedagógico, inspirado nas experiências bem sucedidas da Escola da Ponte, em Portugal, considerada uma escola democrática, passou a nortear as atividades da Amorim Lima, tudo respaldado pela Secretaria de Educação. É bom lembrar que tanto a Escola da Ponte, quanto a Emef Des. Amorim Lima, são escolas públicas, que normalmente têm conceito depreciativo, são consideradas escolas de má qualidade. Elas mostram que esse conceito é, muitas vezes, equivocado, e escola pública também realiza trabalho pedagógico de alta qualidade. Embora não se considere uma escola democrática, ficando ao lado do movimento pedagógico que tenta implantar esse conceito nas escolas, a Amorim Lima faz o que muitos idealizam e é exemplo a ser seguido. Você obtem mais informações visitando o site www.amorimlima.org.br. .................................... Continue a leitura da Edição 73 da Revista ReConstruir.
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