Ano 10 - nº 86 - Maio de 2011 - A revista do educador
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Eu, Educador
Ana Fraga
A importância da afetividade no processo ensino-aprendizagem


O ser humano é afetivo e emocional por excelência. Cabe ao professor observar e respeitar esse ser em processo de construção de caráter e personalidade. Que ao chegar na escola, traz consigo sua subjetividade, as experiências de um convívio familiar muitas vezes mal sucedido. Caso a escola não consiga perceber as possíveis falta de afeto
presente nessas crianças, certamente ela irá aos poucos desenvolvendo sentimentos negativos, principalmente a idéia de estar sendo rejeitada, e aos poucos vai se fechando para o diálogo. Pois ao ir para a escola a criança alimenta a esperança de receber o afeto, o carinho e a atenção que muitas vezes não recebem no contexto familiar.

Mais independente do ambiente de origem, a criança precisa sentir-se amada e respeitada no contexto escolar. A função da escola não é apenas de transmitir conhecimentos, mais sim, de contribuir na construção de cidadãos emocionalmente e socialmente equilibrados.

Aos professores, sugiro que considerem também a possibilidade de ensinar às crianças o alfabeto emocional, aptidão básica do coração (...), o ensino brasileiro poderá se beneficiar com a introdução no currículo escolar, de uma programação de aprendizagem que, além das disciplinas tradicionais, inclua ensinamentos para uma aptidão pessoal fundamental - a alfabetização emocional.
(Goleman, 1995 ).

É preciso perceber o aluno não somente como alguém que veio buscar conhecimento. Mais vê-lo como um ser emocional e assim, mostrar a ele, não só que ele está presente, mais que é parte fundamental no processo ensino-aprendizagem, valorizando suas contribuições. É sabido que dificilmente alguém, criança ou adulto, consegue assimilar satisfatoriamente algum conhecimento não estando emocionalmente bem. Confortável e ingerido no contexto.

Segundo Sabatella ( 2008), a formação do professor esta pautada nas competências profissionais que vão possibilitar a sua atuação nos meios educacionais e a praticar as atitudes de desenvolvimento e controle da aprendizagem. E entre os primordiais princípios norteadores de sua profissão estão: aprender, planejar, ensinar e avaliar. Dentro dessas funções básicas do professor, é preciso ir bem mais além. Pois trata-se de lidar com alguém que passa por processo de maturação: física, emocional e intelectual. Para conviver com todas essas transformações é preciso que razão e emoção caminhem juntas. É impossível imaginar alguém que não faça uso da razão. Mais é inconcebível alguém agir sem emoção.

Segundo Goleman: “A cabeça e o coração precisam ser um do outro” O professor, enquanto profissional e formador de opinião não pode em hipótese alguma deixar de ser um bom ouvinte. Precisa ter sensibilidade para ouvir e firmeza no falar, convicção, sem no entanto deixar de ser afetivo. Pois muitas vezes ele é o único referencial de afeto para aluno. É nele que o aluno deposita sua esperança e busca refugio, afeto e esperança de crescimento pessoal. A sociedade atual está precisando com urgência de professores emocionalmente preparados e não apenas de professores conteudistas, onde cumprir o planejamento seja a única finalidade do trabalho em sala de aula. Mais sim, onde o desenvolvimento do aluno seja a maior prioridade.

Para Rubem Alves (1993) “Ensinar é um exercício de imortalidade.” Pelo fato de seus ensinamentos e exemplos, acompanham seus alunos no curso de suas vidas, é preciso uma atenção muito especial para com o educando. Pois eles,saíram da escola para uma sociedade que vai aceitá-los ou não. Tudo irá depender da forma como esse indivíduo estiver preparado, para enfrentar os desafios diários. Certamente levarão consigo as experiências e conhecimentos adquiridos, e atuarão segundo esses conceitos.

CONCLUSÃO

Revendo algumas literaturas, e vivenciando situações reais, conclui-se que muito já se tem feito no que diz respeito à formação de professores. Mais há ainda um longo caminho a ser percorrido do tocante a sensibilização para a importância da afetividade no relacionamento professor-aluno e no processo ensino-aprendizagem. Pois cada aluno traz consigo sua subjetividade que precisa ser entendida e respeitada e trabalhada de maneira a promover seu crescimento em todos os aspectos: emocionais, cognitivos, intelectuais e sociais.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubens. Histórias de Quem gosta de Ensinar. SP: Cortez, 1993

GOLEMAN,Daniel. Inteligências Emocional. Rio de Janeiro: Obejetiva, 1995

SABATELLA, Maria Lúcia Prado.Talento e Superdotação.Ibpex, 1998.

Artigo originalmente publicado em www.webartigos.com.br

Ana Fraga é professora e tutora externa do Centro Universitário Leonardo da Vinci.


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