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| Ano 10 - nº 85 - Abril de 2011 - A revista do educador www.educacaomoral.org.br/reconstruir |
| Eu, Educador Tatiane Barros Educação, uma questão de ponto de vista Muito se comenta sobre a falta de educação dos outros; seja no metrô, no ônibus, no shopping, na fila do Banco, dentro do supermercado, no ambiente de trabalho, no trânsito, enfim, em qualquer local onde haja aglomeração de pessoas. Mas, será que somente os outros são “mal-educados”? Num simples caminhar pelas ruas das grandes cidades brasileiras percebemos várias condutas que denotam falta de educação praticadas por pessoas de várias classes sociais, raciais, idades etc. O simples fato de jogar papel no chão (que parece inofensivo) é praticado reiteradas vezes durante o dia numa mesma esquina. Parece algo contagioso!!! Se uma pessoa atira lixo no chão, outro repete o ato, vem um terceiro, sem surpresa alguma, também joga seu lixo no chão. Desculpas mil, são desfechadas para justificar o mal ato, tais como: “os garis precisam de emprego”, “meu papel é tão pequeno, não fará diferença”, “já está sujo mesmo...”, “não tem lata de lixo”. Por que é tão fácil repetir maus hábitos? Em filas de Banco ou em supermercados parece que as pessoas estão disputando as últimas mercadorias do mundo e que aquela será a única oportunidade para resolver seus problemas. No ambiente de trabalho não é diferente. Conflitos de todas as ordens imperam em algumas corporações. Superiores subjugando subordinados, colegas de trabalho sabotando outros, pessoas que não ensinam o trabalho corretamente para um novato a fim de que este não se torne uma ameaça a aquele, desrespeito ou indiferença com os serventes, auxiliares, recepcionistas... E no trânsito? Nossa!!! Parece que os motoristas estão disputando corrida. São “fechadas” acintosas, ultrapassagens perigosas, frenagens bruscas, avanços de semáforo, desrespeito à velocidade máxima, xingamento... Mas, é impressionante como “só os outros fazem isso”... “nós não fazemos”, certo? Já repararam que em nossa concepção, na maioria das vezes, os outros estão errados? Mas será que somente os outros estão errados? E nós, nunca erramos? Será que nossa visão não é limitada para detectarmos nossas falhas? É claro que, se fizermos uma reflexão, constataremos que praticamos várias das condutas enumeradas neste artigo, mas é difícil admitirmos nossas falhas e muito fácil apontar os erros alheios. Em verdade, falta amor em nosso coração... isso mesmo AMOR!!! A lei dos homens nos ensina que “o direito do próximo começa quando termina o nosso”, o que isso quer dizer? Simples... Ao nos depararmos com uma situação onde fiquemos com dúvidas sobre como proceder, sempre pese na balança mental qual interesse é mais valioso – o nosso ou o da outra pessoa (lembre que o símbolo da justiça é uma balança... certamente não é por acaso). Como saber qual interesse é mais valioso? Sempre serão mais valiosos a vida, a saúde, a integridade física e moral. Exemplificando de forma singela, antes de jogar o papel no chão, pense que ele pode não ser recolhido pelos garis, chover, a água levará todos os detritos para o ralo e, logicamente, entupi-los, causando enchentes e tragédias. Assim, a mensagem que pretendemos passar é que antes de taxar o outro como “mal-educado”, por que não fazer uma auto-reflexão a fim de sabermos se realmente o problema está só com os outros ou em nós mesmos. Tentemos nos colocar no lugar do outro. Perceberemos que cada um de nós é um conjunto de complexidades que têm suas prioridades e urgências. De repente, constataremos, em alguns casos, que por trás da suposta falta de educação dos outros pode haver problemas sérios diante das nossas minúsculas reclamações. O segredo para o bom convívio social é o respeito mútuo e, acima de tudo, compreensão... se esses sentimentos passarem a fazer parte da nossa rotina, um dia descobriremos que o amor estará morando em nossos corações. Tatiane Barros é advogada. |
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