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Eu, Educador Ano
9 - nº 80 - 15 de março de 2010 Neste espaço você, professor, conta a sua história, uma experiência bem sucedida, os problemas enfrentados na escola, as soluções encontradas. É um espaço totalmente seu. A cada edição ReConstruir vai selecionar um depoimento para publicar. O próximo pode ser o seu. Se necessário, nossa equipe de redação poderá formatar seu texto, mas sempre mantendo sua fala. Atividade prática transformadora do ensino por Mauricio Furtado Borges* Sobre este tema eu vou contar um fato que aconteceu comigo na cidade de Confresa/MT. Em 1997, no mês de agosto, fui trabalhar com uma sala de primeira série em que a faixa etária dos alunos era de 9 a 17 anos de idade. Todos já eram repetentes há vários anos e nenhum deles sabia ler, apenas copiava o que se passava na lousa. Neste ano de 1997, do mês de fevereiro até inicio de julho já haviam passado pela sala 5 professoras que desistiam de trabalhar com aqueles alunos, pois os mesmos eram muito difíceis, brigavam entre eles da sala e com os outros alunos da escola e sempre saiam ganhando nas brigas, ou seja, batiam em todos os alunos da escola. Estes alunos, com exceção de dois alunos, os outros todos eram filhos de prostitutas que viviam no cabaré da cidade, que não eram poucas casas de prostituição, por ser uma região que na época da colheita de cana vinham para a cidade até 5 mil homens para trabalhar no corte de cana. Sendo esta a situação dos alunos, a direção da escola tinha por hábito dar suspensão para eles quando brigavam, pois eles não respeitavam nem a diretora, ou seja, não tinham respeito por ninguém. Então iniciei meu trabalho usando música nas aulas, estas a critério deles, pois os mesmos diziam que gostavam de ouvir música na hora de estudar. Isto foi feito várias semanas. As brigas continuaram, mas eu dizia a eles que nunca devemos fazer com o outro aquilo que não queremos para nós, e sempre que tinha uma briga não mandava ir para casa, apenas dizia que não podia brigar. Em um desses dias um aluno pegou um pedaço de pau e bateu contra a cabeça de seu colega na sala de aula, porém não houve ferimento porque o outro menino, muito rápido, conseguiu abaixar na cadeira e o pau, que era usado para trancar a janela da sala, quebrou ao meio. Neste dia perdi a paciência e mandei o menino para a secretaria, com muita raiva disse que não queria ele mais na sala de aula, porém ele começou a conversar com a merendeira e disse que não queria ir embora, pois queria estudar, então eu ouvi a conversa, pois a sala de aula era ligada à secretaria e o prédio era de madeira; fui ao encontro do aluno, onde este me pediu perdão e disse que não ia mais brigar, eu o abracei e comecei a chorar; neste instante a merendeira e a coordenadora que estavam por perto disseram: "olha, o Mauricio está chorando junto com o aluno". Eu o perdoei e disse: vamos embora para a sala de aula, pois eu lhe amo muito e a todos os outros alunos. Cheguei na sala e disse para os outro alunos que eu não queria chorar mais por causa deles e que eu os amavas muito. A partir deste dia não houve mais brigas destes alunos, nem entre eles e nem com os outros alunos da escola. Passaram a me ver como um pai e vinham todos correndo para me receber cedo na escola e ir abraçados comigo para a sala de aula. A direção e coordenação diziam "lá vem o Mauricio e seus filhos". Todos aprenderam a ler e escrever me respeitando, e eu guardo (e continuarei guardando-a até o fim de meus dias) com muito carinho, uma folha de caderno onde um aluno a transformou em um cartão de natal me desejando feliz natal e próspero ano novo. Esta é uma história que eu passei na minha vida de professor e é meu testemunho de que o amor vence todos os obstáculos que encontramos na vida. E que a educação quando praticada com amor verdadeiro dá excelentes frutos. *Mauricio Furtado Borges é professor na cidade de Rondonópolis, MT. .................................... Continue a leitura da Edição 80 da Revista ReConstruir.
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