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Eu, Educador Ano
9 - nº 77 - 15 de outubro de 2009 Neste espaço você, professor, conta a sua história, uma experiência bem sucedida, os problemas enfrentados na escola, as soluções encontradas. É um espaço totalmente seu. A cada edição ReConstruir vai selecionar um depoimento para publicar. O próximo pode ser o seu. Se necessário, nossa equipe de redação poderá formatar seu texto, mas sempre mantendo sua fala. A maior bronca por Henrique José Miranda* Desde o início de meu ofício no magistério ouvi sempre de meus alunos o seguinte bordão: "Professor, o senhor tem que botar moral na turma." Pobre de mim. Nunca consegui. Sempre fui considerado um "liberal", ou "sem controle de turma". Isto sempre me abateu muito. E coloquei em dúvida minha capacidade profissional. No entanto, sempre entendi autoridade como uma pessoa que deseja o crescimento de outra pessoa, para isto orientando-a. Brigar coíbe. Gritar desequilibra. Ser ferino gera desconfiança. Não bota moral, mas a construímos. A "bronca" do professor de fisiologia encontrou eco nos alunos de medicina (aqui me refiro a um vídeo em circulação na internet). Dificilmente encontraria eco em adolescentes, muito menos em crianças. Mesmo encontrando aceitação na turma do futuro médico, a bronca foi de uma total política de exclusão. O professor declarou de forma incisiva haver poucos os realmente capazes de fazer a diferença. Os demais fariam apenas figuração. Muito errada a observação do professor. Todos somos capazes de fazer a diferença se temos boa vontade e competência em nossos ofícios. Existem, em todas as profissões, os destaques. Os profissionais de liderança e talento. Talvez estes sejam menos do 5%. Mas não apagam os demais. Estes fazem seu ofício diariamente fazendo com que as coisas funcionem, e fazendo a diferença. Será que em face de todos os médicos de um hospital apenas 5% são capazes de tratar um paciente? Em uma escola apenas 5% dos professores ensinarão alguma coisa aos alunos? Pensar nos 5% alija uma 'grande' parte da humanidade. É uma descrença perigosa. A "bronca" do professor, provavelmente, não teve um tom de agressão. Desejava, apenas, chamar à responsabilidade os alunos. Note que o professor grita, eleva sua voz. Isto é necessário muitas das vezes. É importante baixar o tom de voz para continuar o chamamento. O ensinamento moral é incluir todos no projeto comum. Fazer com que todos se sintam responsáveis pelas ações de um. Mostrar que somos afetados por nossas decisões e comportamentos, assim como dos outros. E mostrar o comportamento bom e o mau e as consequências de cada um. Dizer que alguns serão eleitos é uma grande maldade. Parece os comercias de automóveis onde poucos são os merecedores de estar ali. Enquanto que os outros são os outros, o resto. Não são merecedores, são os incapazes. Segundo os valores do professor de fisiologia a humildade, a fraternidade e o sentimento de justiça se anulam frente à determinação de um pequeno grupo. A situação do vídeo é muito comum em nossos dias. Cada dia é mais difícil chamar uma turma para a aula. É necessário mudar o modo de ação. Os alunos devem se tornar parceiros, autores. O conhecimento deve ser construído em grupo. Em uma escola de construção de conhecimento em equipe não se torna necessário pedir silêncio. Todos estarão muito ocupados para fazer barulho. Os alunos (à falta de outro termo) estarão compartilhando dúvidas e descobertas. E estarão partilhando vivências. Dividindo angústias e alegrias. Não estarão olhando a nuca do colega, mas seus olhos. A conclusão do aluno merece destaque. Ele retirou 100% de aproveitamento dos 5%. O esforço é fundamental para conseguirmos chegar ao final do caminho. E é importante olharmos em volta. Ajudando àqueles que estão em dificuldades. Garantindo que façamos 100% de diferença em nossa vida. *Henrique José de Miranda é professor na cidade do Rio de Janeiro. .................................... Continue a leitura da Edição 77 da Revista ReConstruir.
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