Edições anteriores
Quem somos
Nossa palavra
Ibem on line
Observatório
Expediente
Família
Atualidade
Fale conosco
Agenda
Entrevista
Olhar crítico
Pelos caminhos da educação
Contando história
Pensando a educação
Aprendendo educar
Atividades educacionais
Vamos conversar?
Os educadores
Literando
Experiências que dão certo
Eduquemo-nos
Gestão
Cartas dos Leitores
Eu, Educador
Link patrocinado
Página principal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista

Ano 9 - nº 84 - 15 de julho/agosto de 2010

Maria Montessori: o amor pelas crianças


Maria Montessori nasceu na Itália, em 1870, e morreu em 1952. Formou-se em medicina, iniciando um trabalho com crianças anormais na clínica da universidade, vindo posteriormente dedicar-se a experimentar em crianças sem problemas, os procedimentos usados na educação dos não normais.

Maria Montessori era filha única de um casal de classe média. Desde pequena se interessou pelas ciências e decidiu enfrentar a resistência do pai e de todos à sua volta para estudar medicina na Universidade de Roma. Direcionou a carreira para a psiquiatria e logo se interessou por crianças com retardo mental, o que mudaria sua vida e a história da educação. Ela percebeu que aqueles meninos e meninas proscritos da sociedade por serem considerados ineducáveis respondiam com rapidez e entusiasmo aos estímulos para realizar trabalhos domésticos, exercitando as habilidades motoras e experimentando autonomia. Em pouco tempo, a atividade combinada de observação prática e pesquisa acadêmica levou a médica a experiências com as crianças ditas normais. Montessori graduou-se em pedagogia, antropologia e psicologia e pôs suas idéias em prática na primeira Casa dei Bambini (Casa das Crianças), aberta numa região pobre no centro de Roma. Depois dessa, foram fundadas outras em diversos lugares da Itália. O sucesso das "casas" tornou Montessori uma celebridade nacional. Em 1922 o governo a nomeou inspetora-geral das escolas da Itália. Com a ascensão do regime fascista, porém, ela decidiu deixar o país em 1934. Continuou trabalhando na Espanha, no Ceilão (hoje Sri Lanka), na Índia e na Holanda, onde morreu aos 81 anos, em 1952.

A pedagogia Montessoriana relaciona-se a normatização (consiste em harmonizar a interação de forças corporais e espirituais, corpo, inteligência e vontade). As escolas do Sistema Montessoriano são difundidas pelo mundo todo. O método Montessoriano tem por objetivo a educação da vontade e da atenção, com o qual a criança tem liberdade de escolher o material a ser utilizado, alem de proporcionar a cooperação.

Entrevistando Maria Montessori

Como a senhora entende o psiquismo da criança?
Maria Montessori
- Sob cada resposta surpreendente da criança existe um enigma a ser decifrado, e cada um de seus caprichos é a impressão exterior de uma causa profunda, que não se pode interpretar como um choque superficial, defensivo, contra um ambiente inadequado, mas é o expoente de uma característica superior e essencial que procura manifestar-se.

Estudando essas características teremos a personalidade da criança?
Maria Montessori
- É evidente que todos os episódios que mascaram exteriormente o espírito oculto nos seus esforços individuais de realizar a vida, todos os caprichos, conflitos, deformações, não podem dar idéia de uma personalidade. São apenas uma soma de características. Entretanto, se a criança, esse embrião espiritual, segue um desígnio construtivo em seu desenvolvimento psíquico, é forçoso que exista uma personalidade. Existe um homem oculto, uma criança desconhecida, um ser vivo seqüestrado que é necessário libertar.

E como se faz essa libertação?
Maria Montessori
- O segredo da criança está apenas oculto pelo ambiente. E é sobre o ambiente que se torna necessário agir para liberar as manifestações infantis; a criança encontra-se num período de criação e expansão, bastando simplesmente abrir-lhe a porta. Com efeito, aquilo que se está criando, aquilo que do nada passa a existir e que de potencial se transforma em real não pode ser complicado ao surgir do nada. Além disso, trata-se de uma energia expansiva, não havendo empecilhos à sua manifestação.

Com deve ser o ambiente para o bom desenvolvimento da criança?
Maria Montessori
- Preparando-se um ambiente aberto, adequado ao momento vital, deve surgir espontaneamente a manifestação psíquica natural e, portanto, a revelação do segredo da criança. Sem este princípio, é evidente que todos os esforços da educação poderão perder-se num labirinto sem saída.

Qual é sua proposta para a educação?
Maria Montessori
- Eis a verdadeira nova educação: partir primeiro à descoberta da criança e efetuar sua libertação. Nisto, pode-se dizer, consiste o problema da existência: primeiro, existir. Depois, deve seguir-se o outro capítulo, tão prolongado quanto a duração da evolução até o estado adulto, que é o problema do auxílio que se deve proporcionar à criança.

Com o ambiente se insere nessas duas etapas educacionais?
Maria Montessori
- Ambas as etapas têm como fundamento um ambiente que facilite a expansão do ser em via de desenvolvimento, na medida em que os obstáculos sejam reduzidos ao mínimo possível: é o ambiente que capta as energias, porque oferece os meios necessários ao desenvolvimento da atividade que delas resulta. Ora, o adulto também faz parte do ambiente e deve adaptar-se às necessidades da criança, bem como torná-la independente, a fim de não servir-lhe de obstáculo e de não substituí-la nas atividades das quais se efetua o seu amadurecimento.

Então o seu método educacional dá grande importância ao ambiente?
Maria Montessori
- O nosso método de educação da criança caracteriza-se justamente pela importância central que nele se atribui ao ambiente.

E, no seu método, qual é a função do professor?
Maria Montessori
- Ele é o mestre passivo que liberta a criança do obstáculo de sua própria atividade, de sua autoridade, a fim de que ela se torne ativa e que, satisfeito quando a vê agir sozinha e progredir, não atribui o mérito a si mesmo. Deve inspirar-se nos sentimentos de João Batista: “Convém que ela cresça e que eu diminua”. É igualmente conhecido um dos outros princípios característicos do método: o respeito à personalidade infantil, levado a um extremo nunca antes atingido.

A senhora não defende a organização de movimentos sociais, públicos ou particulares, em favor da criança. Por que?
Maria Montessori
- O problema social da infância penetra com suas raízes na vida interior, chegando até nós, adultos, para despertar-nos a consciência, para renovar-nos. A criança não é um estranho que o adulto possa considerar apenas exteriormente, com critérios objetivos. A infância constitui o elemento mais importante da vida do adulto: o elemento construtor.

Assim, o que será o adulto depende do que seja a criança, de sua educação?
Maria Montessori
- O bom ou o mal do homem na idade madura está estreitamente ligado à vida infantil na qual teve origem. Sobre ela recairão todos os nossos erros, que repercutirão nela de maneira indelével. Morremos, mas nossos filhos sofrerão as conseqüências do mal que lhes terá deformado para sempre o espírito. O ciclo é contínuo e não pode ser interrompido. Tocar na criança significa tocar no ponto mais delicado e vital onde tudo se pode decidir e renovar, onde tudo redunda na vida, onde estão trancados os segredos da alma, porque ali se elabora a educação do homem.

....................................

Continue a leitura da Edição 84 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IBEM
Conheça a educação moral e a cultura da paz.
www.educacaomoral.org.br

ReConstruir
A revista do educador, mensalmente on line.
www.educacaomoral.org.br/reconstruir

Marcus De Mario
Livros, palestras, seminários, oficinas de vivências.
www.marcusdemario.com.br

Análise e Crítica
Blog de Marcus De Mario sobre assuntos atuais.
http://analiseecritica.blogspot.com

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ReConstruir
Publicação eletrônica do Instituto Brasileiro de Educação Moral
Todos os direitos reservados