Edições anteriores
Quem somos
Nossa palavra
Ibem on line
Observatório
Expediente
Família
Atualidade
Fale conosco
Agenda
Entrevista
Olhar crítico
Pelos caminhos da educação
Contando história
Pensando a educação
Aprendendo educar
Atividades educacionais
Vamos conversar?
Os educadores
Literando
Experiências que dão certo
Eduquemo-nos
Gestão
Cartas dos Leitores
Eu, Educador
Link patrocinado
Página principal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista

Ano 8 - nº 68 - 15 de novembro de 2008

Tânia Zagury: limite se coloca com amor

Tânia Zagury é Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Filósofa, graduada na Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Professora de Psicologia, Sociologia, Filosofia e Didática e Pesquisadora em Educação, com 13 livros publicados.

Realiza palestras e seminários por todo o Brasil, tendo centenas de artigos publicados.

A entrevista que publicamos nesta edição de ReConstruir foi originalmente concedida à revista Pais e Filhos em janeiro de 2001, e pode ser lida na íntegra em www.taniazagury.com.br.

Pergunta – Como foi ser a pioneira em tratar dos limites na educação dos filhos, exatamente quando todos os profissionais da área defendiam a liberdade total para as crianças, com o propósito de não traumatizá-las?
Tânia Zagury – O início de tudo foi quando escrevi "Sem padecer no paraíso", em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos, resultado de uma pesquisa feita em 1989, onde trabalhei com cento e sessenta pais. Esse estudo foi direcionado justamente para verificar o que estava mudando na sua relação com os filhos. Na época, o processo aplicado era o de reverter a repressão, o autoritarismo dos pais – presentes até os anos 60. A partir daí houve uma tendência à liberalização, que é uma tendência positiva, mas que acabou conduzindo à falta de limites. Comecei então a questionar até que ponto essa liberdade estaria sendo excessiva e dei início à pesquisa. O livro foi publicado em 1991 e alertava sobre as conseqüências sociais da liberdade excessiva que estava sendo dada às crianças.

Pergunta – Antes mesmo de fazer a pesquisa, o que a levou a fazer esse alerta?
Tânia Zagury – Bem, eu já era mãe e convivia com outras mães e pais. Programas comuns como a praia, o playground, em que o assunto principal qual era? Os filhos, lógico! Desses encontros e das trocas que aconteciam, pude perceber que as mães estavam angustiadas, perdidas mesmo. Eram claras as dificuldades em administrar a vida em família com tanta liberdade. Por exemplo, a hora de dormir: Algumas pessoas reclamavam por estarem dormindo às duas da manhã. Porque era o horário escolhido pelo filho de quatro anos para ir para a cama. Absurdos como esses estavam se tornando rotina. E, o que é pior, acontecem até hoje...

Pergunta – Estamos então na segunda geração regada a liberdade total?
Tânia Zagury – Sim, porque os filhos que foram criados nessa inversão de valores, em que a vontade das crianças é a que prevalece, se tornaram pais. E se eles próprios não assimilaram os limites necessários, como passar essa experiência para os filhos? Ainda encontro mães no meu trabalho que dizem que só fazem a comida que o filho determina, ou seja, é batata frita com bife todo dia. É o que eu chamo de “pequeno tirano”.

Pergunta – No passado, criança não tinha vez. Depois, “liberdade total”, para não traumatizar... Os pais de hoje ficam, no mínimo, confusos. Liberdade se confunde com falta de autoridade. No seu livro "Limites sem trauma", você dá uma fórmula sobre o quê e como fazer, quando dizer o sim e o não?
Tânia Zagury – Há uma série de enganos no bojo dessas mudanças. O primeiro e fundamental deles afirma que toda vez que se diz não para o filho, ele fica traumatizado... É preciso frisar que trauma é uma coisa muito séria. E que não acontece por qualquer coisa. Proibir a criança de comer uma barra de chocolate antes da refeição não traumatiza. Os pais entenderam os conceitos de “liberdade” difundidos por alguns psicanalistas e psicólogos de maneira inadequada. Nas décadas de 70 e 80 a maioria das mães começou a trabalhar fora. A criança ficava com as babás e as avós, e quando a mãe chegava em casa – geralmente se sentindo culpada por ficar longe do filho - , achava que deveria fazer-lhe todas as vontades. Isso também acentuou o problema falta de autoridade. Não há exatamente fórmulas prontas no meu livro e sim esquemas de atuação, a partir dos quais os pais podem se orientar para começar uma pratica educativa eficaz. A coisa mais importante é redirecionar os pais para o seu verdadeiro papel, o de educadores.

Pergunta – Até que ponto os “pequenos tiranos” de hoje podem se tornar marginais no futuro?
Tânia Zagury – Essa é uma das minhas maiores preocupações como educadora. Muitas vezes, as pessoas que falam tanto sobre traumas se esquecem de que o ser humano não é só voltado para o seu próprio ego. Ele também tem necessidades gregárias, de conviver socialmente. Ser bem aceito socialmente. Coisas básicas que só são adquiridas através de uma série de atitudes. Evidentemente, um indivíduo egocêntrico, voluntarioso, dificilmente irá se tornar uma pessoa amável e amada. Quem não sabe dividir nada e não tem nenhuma consideração com os outros, simplesmente é excluído do grupo. Um exemplo: a criança que está acostumada a só ouvir sim em casa, chega na escola e começa a ouvir os primeiros nãos, fica angustiada, rebelde. Os professores terão que procurar os pais. Nesse momento, a família pode continuar no erro ou tentar mudar o que foi feito de errado. O que é perfeitamente possível. Só quando os pais não mudam de postura, persistem em uma educação equivocada, é que podem ocorrer casos que levarão à marginalidade.

Pergunta – O meio termo é difícil de ser estabelecido pelos pais de hoje. Como encontrá-lo?
Tânia Zagury – Para encontrar o meio termo os pais devem usar o seguinte critério: dizer sim sempre que possível e não sempre que necessário.

Pergunta – Quando existe, na verdade, o perigo de haver um trauma emocional?
Tânia Zagury – Existem diferenças básicas entre trauma emocional e frustração, e que as pessoas confundem muito. Quando se diz a um filho que não se pode comprar um tênis de trezentos reais porque não há dinheiro ou porque ele já tem muitos tênis semelhantes, só estará provocando uma frustração nele. Ele poderá até ficar chateado, triste. Mas isso não é um trauma. Às vezes, essas recusas fortalecem a personalidade da criança e do adolescente,os tornam mais fortes e resistentes às situações adversas. O trauma é causado quando há violência grave, física ou mental. É o não atendimento às necessidades fundamentais da criança. Exemplos: falta de alimentação, de carinho e amor dos pais, espancamento e muitos outros.

Pergunta – Por que não bater? Seria possível responder com uma frase?
Tânia Zagury – Porque nós queremos educar os nossos filhos e não apenas impedi-los de agir de uma determinada maneira através da utilização da força.

Pergunta – E se os pais já erraram na educação do filho durante a infância... Como lidar com o adolescente que foi uma criança sem limites?
Tânia Zagury – Se os pais percebem que deram demasiada liberdade ou não ensinaram princípios éticos importantes ao filho adolescente, ainda há tempo para corrigir esses erros. É claro que vai ser mais difícil, porque a adolescência é caracterizada pela busca do próprio caminho da liberdade. O adolescente luta para se autodeterminar. Será necessária uma dose maior de compreensão e muita segurança por parte dos adultos que o educam. Muita conversa, porém pulso firme para repreendê-lo quando necessário.

Pergunta – A liberdade é ...
Tânia Zagury – Saber o que é possível fazer sem resultar em nenhuma conseqüência negativa para você e (ou) para o outro.

Pergunta – Antes as crianças sem direito de abrir a boca, agora pais perdidos. Você arrisca falar algo sobre o futuro da educação?
Tânia Zagury – Eu acredito que há sempre aquele movimento de tese, antítese e síntese. Primeiro existe uma forma de agir, depois o ser humano tende ao extremo oposto, para em um terceiro momento encontrar finalmente o equilíbrio. Em relação aos limites, penso que estamos caminhando para, daqui uns dez anos, termos a próxima geração educando seus filhos com maior equilíbrio e sem tantas dúvidas. Como dizia Aristóteles: “O equilíbrio está no meio.”

....................................

Continue a leitura da Edição 68 da Revista ReConstruir.

 

 

IBEM
Conheça a educação moral e a cultura da paz.
www.educacaomoral.org.br

Interior da Alma
Livros sobre educação, espiritualismo, auto-ajuda.
www.interiordaalma.com.br

Análise e Crítica
Blog de Marcus De Mario sobre assuntos atuais.
http://analiseecritica.blogspot.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ReConstruir
Publicação eletrônica do Instituto Brasileiro de Educação Moral
Todos os direitos reservados