Ano 11 - nº 88 - Janeiro de 2012 - A revista do educador
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Ronaldo Gomes
A insatisfação é geral nas escolas

A insatisfação é geral nas escolas, ainda assim os professores buscam forças no fundo de suas almas marcadas pelo descaso, descaracterização da educação, desvalorização do profissional da educação, desmotivados, esquecidos, baixa remuneração, sem reconhecimento.

A maquiagem, as politicagem dos governantes e políticos, têm feito da educação uma gradual escravização da família e escola, sendo estas meras reprodutoras dos seus interesses mesquinhos na pura satisfação partidária, egoística, onde as crianças e jovens ficam à mercê de uma educação puramente imediatista sem fins humanitário, autônoma, critica, moralizadora e formadora de caráter.

Poucas escolas trabalham de fato os preceitos reais da educação transformadora, junto à comunidade e à família, e acabam destacando-se as que de fato fazem seu dever de casa, saindo do anonimato por fazerem a diferença, quebrando o paradigma educacional.

As dificuldades são inúmeras por este Brasil afora com escolas passando imensas dificuldades, sem contar os alunos que sofrem pelo descaso de governos locais que prezam pelo desvio das verbas; alunos e professores andam quilômetros, ficando escolas e famílias à deriva e à mercê desses déspotas. Sem rumo, sem base, na edificação educacional dos seus educandos, mesmo assim ainda temos educadores que lutam, vivem na superação vinte quatro horas, para erguer a bandeira da educação e formar homens cidadãos, críticos e autônomos.

Mas também temos professores desistindo da profissão por conta das inúmeras ocorrências, entre elas, agressões verbais, físicas, ameaças de alunos, de pais.

A escola está se tornando uma verdadeira arena montada como se fosse um grande espetáculo de circo romano em épocas cruciais da humanidade, onde se divertia em entretenimento do próximo com sangue, suor e lágrimas. Hoje o educador se vê dessa forma, num grande circo.

Alguns professores dizem: "amava a profissão, no entanto, está difícil prosseguir..." , outros afirmam: "Estamos ficando doentes do corpo e da alma, sem referências, sem perspectivas, sem rumo, sem luz. sem um norte, e ainda querem que sejamos a salvação da educação".

Famílias inteiras degradadas, perdidas, sem amor.

A educação está em xeque como num jogo de xadrez, e desta vez a situação demonstra que vai a qualquer tempo eclodir, na sociedade, uma batalha já iniciada pelos últimos acontecimentos, que determinará o processo transformador da educação no ser humano.

A escola é espaço de ensino e aprendizagem desenvolvendo a cognição, aprender a ler e escrever, como seguimento do lar contribuindo no processo da educação moral, formação do caráter, o viver em sociedade.

A família é responsável pela educação moral e os limites, formadora do caráter, desenvolvimento da cognição e afetiva, assim como as primeiras lições de vida.

Há que se socializarem, unirem-se, família e escola, em prol da vida e educação dos educandos, mas está sendo uma desigualdade essa luta, pois os governos lançam mão das leis e determinam o que bem entendem, colocando imensas responsabilidades para os diretores e professores, sem darem condições efetivas para o trabalho educacional, maquiando com ações politiqueiras e partidárias.

Com baixos salários e más condições para os professores e auxiliares, os políticos aumentam os seus próprios ganhos com altos salários, fora as regalias e outras vantagens em seus gabinetes, que se forem aplicados esses recursos na educação, com certeza será bem promissor e mais profícuo.

Não podemos ser hipócritas, afinal, necessitamos da remuneração para nossa sobrevivência e isso passa pelos salários como incentivo, estimulo e reconhecimento ao trabalho educacional. Há que se levar em conta todos os esforços que devemos empregar na educação, na interação família e escola, para que possamos plantar hoje e colher amanhã frutos com as ações dos nossos educandos mais cônscios de suas responsabilidades e espiritualizados.

Apesar de tudo devemos seguir em frente não desistindo de educar, até porque, nossos antecessores não desistiram de nós, daí a importância de mantermos nossas convicções e determinações no ato de educar, oportunizando aos nossos educandos um futuro melhor e mais promissor.

Ainda teremos de quebrar paradigmas, descasos de alguns profissionais da educação, dos pessimistas, no entanto, só através da união de todos nós na educação dos valores morais, unidos em prol da família e escola, haveremos de rever os valores humanos no trabalho permanente na ação uns com os outros na educação do ser integral.

Ronaldo Gomes é professor universitário, Pedagogo, Psicopedagogo e escritor.



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