Ano 10 - nº 87 - Junho de 2011 - A revista do educador
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Eduquemo-nos
Ronaldo Gomes
Educar para a vida, o respeito e o amor

Ao longo do tempo já escrevemos vários artigos sobre educação propondo transformações, fundamentado em principio moral, reconstrução dos valores, formação do caráter, no entanto, até hoje se preconiza a indiferença dos governantes em continuar na mesmice, priorizando a demência do ser humano, num desenvolvimento cognitivo de mera transferência dos saberes, numa palavra: jogo de conteúdo. E ainda levando o ensino como meio e fins de suas ideologias escravistas.

Gostaria de escrever, sobre educação, dando ênfase a aspectos mais de interesses educativos, mas deixo isso para os cursos, seminários, palestras etc, que o IBEM vem realizando com seus educadores ao longo desse tempo em várias cidades do país, levando o projeto da Educação Moral a professores, pais, educadores, jovens, escolas, instituições particulares e do ensino público.

Estamos, momentaneamente, sem casos expressivos nos acontecimentos que nos marcaram pelas tragédias que assolaram nos últimos meses a educação.

Devemos ficar atentos para novos acontecimentos, não estou sendo pessimista, simplesmente a continuação de uma educação sem começo, meio e fim, continua a permear na escola, com professores mal remunerados, desestimulados, cansados, sem esperanças, assim como, os profissionais de apoio que também influenciam no processo educativo dos educandos, e a família com seus filhos atônitos, olhares perdidos questionando a razão de ir à escola, estudar, aprender para quê?

Novos acontecimentos por uma simples razão, não se tem realizado o trabalho de educação das atitudes, conduta, convivência, tratamento uns com os outros, da moral, dos valores.

Para a família cabe a educação dos filhos, e a escola é o seguimento dessa educação, afinal ambas são formadas por seres humanos, não há como culpar ambas, afinal cada uma tem suas peculiaridades nesse processo educacional, mas, devem priorizar o espírito de convivência educativo que se processa durante todo o ensino-aprendizagem, seja na maior parte com a família, ou, nas quatro ou mais horas na escola.

Estamos falando de educação, não apenas de passar conteúdos, desejamos estimular, enfatizar o afeto, a emoção, o sentimento que envolve a todo instante nossos sentidos, e pela qual, devermos trabalhar constantemente uns com os outros, pois é através do sentimento que emanamos nossas emoções, boas ou ruins, desencadeando inúmeras situações cotidianas em nossa vida em sociedade.

Não basta ensinar, necessitamos de afeto e carinho em muitos momentos de nossas vidas, principalmente nas fases iniciais, onde, estamos desenvolvimento emoções, sentimentos, trocas constantes de experiências etc. A família e a escola necessitam trabalhar juntas em prol da formação do caráter do indivíduo, oportunizando seu desenvolvimento de humanidade e espiritualidade.

O IBEM ao longo destes anos trabalha com afinco e determinação esses valores que pertencem ao ser humano e precisam ser estimulados, desenvolvidos desde tenra idade, no entanto, para que isso aconteça, devemos reconstruir os valores em nós adultos, contaminados pelas ideologias e inversões desses valores, onde o amor está quase se esgotando, e a afetividade sendo levado para interesses egoísticos, e na indiferença que fere e mata os sentimentos.

Ainda há tempo de resgatarmos e reconstruirmos uma sociedade mais justa e moralmente evoluída, mas para que isso acontece, devemos realizar nosso dever de casa, começando na família, na escola, em nós, no tratamento uns com os outros.

Educar para a vida, a convivência e respeito mútuo, na educação que vivifica o ser para o ser, com amor.

Por isso, enquanto teimarmos em dar continuidade a uma educação falseada de transformadora, mas que na da verdade dissemina a dissensão, o materialismo, o egoísmo, escravizando o povo como reprodução das vontades elitistas, o que veremos ainda são dores e sofrimentos.

Tudo pode ser diferente e ter um final promissor, basta educar para a vida, com amor, moralizando o ser para a humanização da sociedade.

Ronaldo Gomes é professor universitário, Pedagogo, Psicopedagogo e escritor.



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