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Eduquemo-nos Ano 9 - nº 77 - 15 de outubro de 2009 Atrofiar, alienar ou educar
Não há como fugirmos para a realidade da educação vivenciada no Brasil, no mundo, que ao longo dos tempos de sua história tem primado pela deformação e inversão de sua verdadeira prerrogativa: transformar, formar o caráter, resgatar o valor humano, a promoção social, o respeito cultural, a educação com afeto, moralizar. As escolas públicas em todas as esferas e modalidades, raras exceções, têm realizado alienação das mentes acadêmicas dos seus alunos sistemicamente voltadas para a educação cognitiva tão somente, na formação de seres frios, indiferentes, esquecendo, do seu contexto, de ser humano. Em sua educação básica promovem os educando cognitivamente sem nenhuma formação moral. Quais profissionais estão sendo lançados no mercado de trabalho? Sua formação se baseia em quais princípios? Sua meta, sua visão de mundo, em quais princípios estão alicerçados? E as instituições particulares não diferem, estas atrofiam as mentes numa galopante corrida pela formação tecnicista por conta da globalização desenfreada em nome do progresso industrial, comercial, capitalista, na busca constante da mão de obra qualificada, porém, sem a qualificação humana, mas na qualificação competitiva, isso é qualificar? Um quarto da população mundial vive abaixo da linha da pobreza. Problema social, econômico, cultural, político? Não, problema de uma sistêmica educação voltada para o efeito cascata: materialista, egocêntrica, capitalista, indiferente à formação verdadeiramente humana. Instituições frias, estruturadas apenas para a corrida do ouro, formando desde a tenra idade seres voltados para a competição, onde os últimos serão os outros, numa palavra: não há sentimento, amor. A educação é realizada por seres humanos, mas de que seres humanos estamos falando? Uma vez que ao longo dos séculos, salvo algumas exceções, tem primado pela formação de homens máquinas. A educação moral do ser passa antes pela família, no entanto, encontra-se perdida no labirinto das exigências capitalistas, onde a elite determina o que e para quê deve ser direcionada a educação. Família e escola devem estar unidas em prol do verdadeiro papel da educação. Unidas pela formação do caráter, promoção social humana, formação moral, interiorizando desde cedo os valores humanos, até porque, todos estão inseridos neste contexto do processo ensino- aprendizagem. União em prol da educação libertadora, transformadora, autônoma, humana e moralizadora. A educação que vivenciamos e tem sido direcionada pela elite até os dias de hoje, não vê o ser humano, mas apenas os números das cifras proporcionais ao ganho futuro na mão de obra escravista, até porque, onde está a distribuição de renda? O monopólio e o protecionismo dos grandes negócios mundiais é que determinam seus feitos educacionalmente, na direção ao interesses dos déspotas. "Entendemos a educação como sendo formadora da moral e da inteligência do homem, ... a educação moral não pode ser imposta, ela deve ser adquirida, interiorizada" (Marcus de Mario). Ainda podemos resgatar a educação e seus princípios básicos, mas para que isso aconteça devemos educarmo-nos, reeducarmo-nos, aprendermos e reaprendermos, quebrar paradigmas, sermos educadores conscientes, despertos, sensíveis. Não basta instruir, se faz urgente moralizar o ser humano. A própria natureza clama por socorro, nos chamando a atenção pelo descaso, indiferença ao meio ambiente, na cobiça e ambição desenfreada de nossa falta da educação com amor. Somos humanos e isso basta. Educar é prevenir, amar, transformar, moralizar. Eduquemo-nos! *Ronaldo Gomes é Pedagogo, Psicopedagogo, Escritor e Diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral. .................................... Continue a leitura da Edição 77 da Revista ReConstruir.
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