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Eduquemo-nos

Ano 8 - nº 71 - 15 de abril de 2009

O ser humano em seu desenvolvimento afetivo e cognitivo


por Ronaldo Gomes*

O estudo sobre a Psicologia do desenvolvimento e aprendizagem vem contribuir para o diagnostico e prevenção de problemas relacionados a nós educadores que diariamente vivenciamos as problemáticas em sala de aula, no seio familiar, e também escolar dos educandos.

Piaget e Wallon abrem os horizontes educacionais nos propiciando uma visão genética, cognitiva e afetiva, para o desenvolvimento do individuo em sua formação de aprendizagem.

Somos Seres Integrais, há que se entender por essa razão, que, antes mesmo de nosso nascimento já vamos sendo trabalhados em nossas percepções, assim, quando em nossa fase inicial de aprendizado, que já se principia no seio familiar, devemos considerar os aspectos em que o meio exerce sobre o nosso cognitivo e afetivo, antes de irmos à escola. A faixa etária traz em si suas complexidades, isso de acordo com sua vida, seja familiar ou escolar, não se pode levar apenas como fatos biológicos, deve se considerar também aspectos psicológicos.

Piaget é categórico com ênfase na importância de se respeitar essas fases de aprendizado. Assim também parte da pesquisa em que o objeto é apenas um veículo em que o sujeito age sobre este o transformando. Assim a ação do sujeito que vai se interagindo, transformando, criando e se desenvolvendo cognitivamente e afetivamente, de acordo com as etapas do seu desenvolvimento.

As dificuldades do professor em ensinar está também ligada a sua conduta exemplar, aliás, frase muita forte e que cria mal estar entre os professores, mais não há como ficar alheio a este fato, afinal exigimos de nossos educandos esta postura em sala de aula para que possamos prosseguir com o ensino.

Professores que gritam, xingam, fumam, atendem celular em aula, não deixam seus alunos opinarem, usam de autoritarismo, tem preferência por este ou aquele aluno notoriamente, não entram em sala de aula conforme seu horário já preestabelecido etc.

Se do aluno é exigido em ter um comportamento exemplar, assim nós educadores temos o dever de exemplificar através de nossas atitudes perante nossos alunos. As dificuldades estarão sempre presente, há, no entanto, que se destacar a vida familiar do educando e suas complexidades, que chegando à escola se apresentam com suas frustrações, problemas de ordem cognitiva e afetiva que foram ao longo do percurso gestacional até seu nascimento já sendo desenvolvido pelos carinhos, emoções, tanto da mãe como do meio familiar e suas complexidades.

Nós educadores não somos diferentes. Soluções existem, porém, devem ser aplicadas continuamente num trabalho permanente entre a escola e a família do educando, sua historia de vida, aspectos culturas, sociais, econômicos. A capacitação dos professores, gestores, corpo de funcionários, há que se levar em consideração assim como ouvir os educandos em suas propostas. Destaco a importância disciplinar de todos os envolvidos, o que não é ter santidade, mas disciplina, conduta, postura num trabalho vivenciado dia a dia, numa palavra: continuamente. Afinal, somos gente, seres humanos, e não máquinas.

Não podemos viver isolados, como ser integral nosso desenvolvimento segue numa construção mútua, isso significa vivermos em sociedade. Nossa potencialidade se desenvolve na razão desta construção interativa, ou seja: cultural, social, econômica e política. O ser humano em seu desenvolvimento cognitivo e afetivo estabelece certa relação, ainda que imperceptível em muitos casos, mas que estão intimamente ligados, sofrendo influência do meio e agindo sobre este.

Wallon direciona o desenvolvimento cognitivo como marcado por rupturas, retrocessos e reviravoltas, provocando em cada etapa profundas mudanças nas anteriores com a influência do meio social. Assim, para ele não é possível dissociar o biológico do social no homem. O eixo principal é no processo de desenvolvimento, é a integração em dois sentidos, ou seja: integração organismo-meio e a integração afetiva-cognitiva motora. Para Piaget é a teoria do interacionismo, a idéia de construtivismo sequencial e os fatores que interferem no desenvolvimento, portanto, é a interação organismo-meio a organização interna e a adaptação ao meio. Desta forma a dimensão afetiva para Wallon, tem um papel fundamental no aspecto emotivo: é uma troca constante da afetividade e a cognição no processo de desenvolvimento do psiquismo humano.

Em Piaget este desenvolvimento intelectual depende do afetivo e do cognitivo, esta construção se dá pela integração entre dos aspectos: a afetividade através da motivação, e da seleção estará determinando que esquema a cognição atuará. O educador e a família não podem se preocupar apenas com o desenvolvimento cognitivo do educando.

Ensinar é importante, porém coadjuvando neste desenvolvimento a construção no ensino-aprendizagem, o aspecto afetivo.

A escola e a família devem trabalhar juntas para que o educando seja de fato um cidadão moralmente desenvolvido em seus aspectos cognitivo e afetivo, vivendo em sociedade, resgatando e reconstruindo valores, no processo de formar o caráter de homens verdadeiramente humanos.

Eduquemo-nos!

*Ronaldo Gomes é Pedagogo, Psicopedagogo, Escritor e Diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral.

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Continue a leitura da Edição 71 da Revista ReConstruir.

 

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