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Eduquemo-nos

Ano 8 - nº 67 - 15 de outubro de 2008

Escolas só atendem aos pais se seus filhos forem bons alunos


por Ronaldo Gomes*

Não podemos mais negligenciar, como educadores, nossa responsabilidade como facilitadores do processo ensino-aprendizado, não somos os salvadores da pátria, isso porque os pais, também têm maiores responsabilidades, são eles os primeiros a darem ensinos, carinhos, cuidados, no processo de desenvolvimento do ser integral nos aspectos cognitivo e afetivo, porém, como educadores temos nossa participação na vida dos educandos, no seu crescimento, desenvolvimento e preparação para a vida.

A criança quando chega à escola já traz conhecimentos e sentimentos devidamente burilados, pelo menos é o que deve ser realizada no seio familiar, a primeira impressão de suas vidas. Nós educadores devemos estar atentos a todas as questões em torno do educando, sua trajetória de vida, até sua chegada a vida escolar.

O educador não pode ficar alheio também a sua própria necessidade de aprender, apreender e reaprender, tendo ciência de que não basta apenas dar conteúdos, desenvolver o saber, somos seres integrais, já trazemos certos conhecimentos e sentimentos variados, juntando-se as influências que recebemos, sejam negativas ou positivas, devemos estudar, pesquisar, estarmos sempre se atualizando, trocando informações e experiências.

A escola tem de trabalhar e vivenciar insistentemente e incisivamente com a família, não pode fechar as portas a estas quando são procuradas, mesmo porque a escola é constituída de pessoas que possuem suas famílias, e por sua vez, também freqüentam uma escola, e podem se ver na mesma situação, excluídas.

Ao longo de minha experiência como educador, presenciei muitos casos, e ainda nos dias de hoje, em que algumas escolas só atentem os pais se seus filhos tiverem boas notas, forem bons alunos, isso porque no entender da gestão, os demais, o "resto", não tem mais jeito, e os pais nunca aparecem na escola para acompanhar seus filhos, só quando a situação está crítica, sendo assim, o atendimento fica inquestionável.

Estas escolas são piores que os próprios pais, na razão simples de que, se somos contra as atitudes, seja de qual forma for, se em nossa postura acabamos por agir tão ou quanto pior, ficamos a mercê da sorte circunstancial, numa eterna briga de puro orgulho, preconceito e personalismo, não levando a lugar nenhum, a não ser a desordem, violências, discussões e cada vez mais pais e escolas se distanciando.

Quando estes pais, ainda que por estas razões, procuram a escola, esse é o momento propicio para possibilitar o tão sonhado encontro família e escola, apesar de todos os esforços anteriores, as boas vindas, o agradecimento, o reatamento, oportunizando, mesmo em momentos difíceis para ambos, o grande enlace pedagógico educacional, que está fundamentado no progresso, desenvolvimento social, político, econômico, cultural, história de vida, entre todos os envolvidos, afinal, somos seres humanos, e se consideramos os semelhantes como resto, por certo, falamos de nós mesmos.

Eduquemo-nos!

*Ronaldo Gomes é Pedagogo, Psicopedagogo, Escritor e Diretor do Instituto Brasileiro de Educação Moral.

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