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Contando Histórias

Ano 9 - nº 84 - 15 de julho/agosto de 2010

O alfinete e a agulha

Autor Desconhecido

Conta-nos uma antiga parábola que, certo dia, um alfinete e uma agulha encontraram-se numa cesta de costuras.

Estando os dois desocupados, começaram a discutir, porque cada um se considerava melhor e mais importante do que o outro:

-- "Afinal, qual é mesmo a sua utilidade ?" disse o alfinete para a agulha. "E como pensa você vencer na vida se não tem cabeça ?"

-- "A sua crítica não tem a menor procedência" respondeu a agulha rispidamente. "Responda-me agora: de que te serve a cabeça se não tem olho ? Não é mais importante poder ver ?"

-- "Ora, e de que lhe vale seu olho se há sempre um fio impedindo a sua visão ?" retrucou o alfinete.

-- "Pois fique sabendo que mesmo tendo um fio atravessando o meu olho, eu ainda posso fazer muito mais do que você."

Enquanto se ocupavam nessa discussão, uma senhora pegou a cesta de costura, desejando coser um pequeno rasgo no tapete.

Enfiou a agulha com linha bem resistente e se pôs a costurar o mais rápido que pôde.

De repente a linha emaranhou-se, formando uma laçada que dificultou o acabamento da costura.

Apressada, a mulher deu um puxão violento que rompeu o olho da agulha.

Tendo que ultimar aquele trabalho, ela amarrou a linha na cabeça do alfinete e conseguiu dar os pontos finais; mas na hora de arrematar, a cabeça do alfinete se desprendeu.

Impaciente com tudo, jogou a agulha e o alfinete na cesta e saiu resmungando.

Ambos estavam enganados: o alfinete e a agulha ! Nenhum dos dois era insubstituível.

Nenhum dos dois era perfeito.

Nenhum dos dois era tão versátil que pudesse julgar-se com o direito de se considerar melhor do que o outro.

"Porque também o corpo não é um membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixará de ser do corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti."

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Continue a leitura da Edição 84 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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