![]() |
![]() |
|
|
Contando Histórias Ano 8 - nº 68 - 15 de novembro de 2008 A vila das formigas Marlene B. Cerviglieri* Bem no meio do campo imenso de plantação, havia uma vila somente habitada por formigas. Lá todos tinham que trabalhar para alimentar a rainha, que era muito má segundo diziam algumas moradoras. Dormia e comia o dia inteiro sem fazer nada, reclamava de tudo e de todos os serviçais que se desdobravam em trabalhar. Como sempre no meio de uma turma tem sempre o líder, aquele que pensa um pouco diferente do resto do grupo. Suas idéias em geral são sempre aceitas, mesmo que não sejam as melhores. Todo grupo tem seu líder e às vezes nem o percebem. Assim sendo havia em uma das moradias da vila, uma formiga que não se conformava com o sistema todo. Trabalhava e muito bem como todas, mas sua cabecinha fervia de tanto pensar em tudo. Não aceitava o tratamento imposto pela rainha, era uma violação dos direitos formigais, pensava. Porque só ela come o melhor, dorme e não faz nada? Ficava furiosa e mais trabalhava. Até que um dia teve que sair da vila, caminhar muito para buscar uma certa ervinha que a rainha estava precisando. Lá foi ela enviada para tal missão.
Andou muito e, cansada já, parou para respirar um pouquinho. Foi quando ouviu barulho de água jorrando... Mas que maravilha, o riacho era claro e límpido. Cansada e com sede aproximou-se dele. Assim que tentou chegar para beber a água, ouviu: - Precisa de ajuda? Assustou-se saindo rápido dali. Parou e olhou para ver quem falara com ela. Bebendo água e ao mesmo tempo tomando banho, estava o Elefante. Puxa como era grande e forte... Voltou devagarinho e pediu licença para beber água. - Ora, formiguinha a água é para todos, beba a vontade, deixe que eu trarei até você um pouco dela. Assim o fez. Ela ficou maravilhada, pois na vila tinha que pedir permissão para tudo. Contou ao Elefante como vivia e que não estava nada contente. - Veja, minha amiguinha, você vive num grupo e sempre será assim, mesmo fora da vila. Eu também tenho meu grupo e existem regras para se pertencer a ele. Pense em cooperativismo, formiguinha. Você não sabe o trabalho da rainha e o esforço que ela deve fazer lá dentro sozinha. Agora mesmo, se você quiser atravessar este riacho não poderá, pois se afogará. Já eu posso atravessá-lo, pois sou bem maior que você. Porém se for um rio maior que este, você passará eu não. Percebeu como existem diferenças que parecem às vezes a favor dos outros?
E o elefante continuou: - Mas não é assim, cada um tem o seu valor. Veja você, por exemplo, está longe da vila e vai buscar o que a rainha precisa. Viu este riacho, bebeu água, falou comigo, e ela? Onde estará agora? Cada um tem o seu tempo, a sua força e sua missão. Cabisbaixa, a formiga disse adeus ao Elefante, e continuou seu caminho. Nunca havia pensado desta forma. Realmente possuo meu valor, tenho o meu poder e consigo o que quero. Pensando assim apanhou a ervinha que a rainha precisava, voltou não esperando agradecimento, pois cumprira sua missão. Pois é amiguinho, aprenda com a formiga, pense e trabalhe, seja persistente! Você pode, você tem o poder! Mesmo não sendo o líder, você tem a você mesmo que é a pessoa mais importante do mundo. * Publicado originalmente no site www.contos.poesias.nom.br. .................................... Continue a leitura da Edição 68 da Revista ReConstruir.
|
IBEM Interior
da Alma Análise
e Crítica
|
|
ReConstruir
Publicação eletrônica do Instituto Brasileiro de Educação Moral Todos os direitos reservados |