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Atualidade

Ano 9 - nº 82 - 15 de maio de 2010

Pugilismo entre jovens

por Marcus De Mario*

O programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou impressionante reportagem sobre a chamada Luta do Lixo, envolvendo adolescentes, onde se procura resolver diferenças através de uma luta envolvendo boxe e vale-tudo. Eis parte da reportagem:

"Uma disputa brutal em que crianças e adolescentes catarinenses brigam até sangrar ganhou popularidade entre estudantes de classe média alta de Florianópolis (SC). Batizada de “luta do lixo”, as disputas que começaram há dois meses eram confirmadas por meio de um site de relacionamento, na internet. Os estudantes são freqüentadores de colégios particulares da capital catarinense. “Está todo mundo querendo achar um (jovem) para lutar. Ficam me perguntando: Vamos lá, vamos lá, vamos lutar na luta do lixo”, conta um adolescente que participa das batalhas. Tal como nas lutas tradicionais, o soar do gongo anuncia o começo da pancadaria. Chutes, socos, golpes no pescoço e quedas integram o repertório de brutalidades dos jovens que aderiram à luta que se popularizou na cidade. Todas as batalhas eram confirmadas pelos próprios estudantes por meio de um site de relacionamentos. Até seis brigas por final de semana eram marcadas. Oito vídeos foram postados na internet. Em um dos materiais a que o Fantástico teve acesso, um garoto de 14 anos luta com outro de 11 anos. A briga durou quase 10 minutos e só terminou quando o menino mais novo, já ferido, desistiu do embate. Em outro vídeo, dois meninos trocam golpes violentos. Machucado, o garoto de 13 anos pede o fim da briga. Ele tenta sair do ringue. Mas antes, é humilhado. “Franguinho”, diz o adversário. A reportagem do Fantástico mostrou as imagens aos pais de alguns dos garotos envolvidos nas batalhas. “É tanta violência a ponto de perguntar como isso acontece sem que a gente fique sabendo”, disse um dos pais. Outro pai afirmou que não reconhece o próprio filho exposto às situações de violência. “Tu não reconhece o teu próprio filho. É totalmente outra criança, descontrolada. O vídeo é muito violento.. Os pais me perguntam se eu não vi meu filho chegando em casa machucado. Realmente ele chegou em casa machucado, pensei que fosse uma coisa boba. Só fui saber quando vi o vídeo” afirmou. Um dos ringues foi montado na área de lazer da casa de um dos rapazes, de 17 anos. De acordo com ele, muitos dos garotos queriam brigar para resolver disputas pessoais. “Geralmente tinha alguma rixa, algum acerto a fazer. Desde namorada, até não gostar do sujeito”, contou o jovem. A mãe do jovem afirma que demorou a perceber que as brigas eram para valer. Segundo ela, as batalhas só tiveram fim quando as crianças e adolescentes começaram a se machucar. “Achávamos que era uma brincadeira, sem maldade, sem agressão. E quando vimos que estavam sangrando, isso acabou”, afirma a mãe de um dos jovens envolvidos. A promotoria da Infância e Juventude afirma que todos os envolvidos com as batalhas são responsáveis pela violência. Os pais podem ser penalizados com uma multa que vai de 3 a 20 salários mínimos, se ficar comprovado que sabiam das brigas e não fizeram nada para impedir. Já os adolescentes que cometeram atos infracionais de lesão corporal podem sofrer medidas socioeducativas".

A que ponto chegamos com a indiferença, frieza, insensibilidade e egoísmo dos pais, que simplesmente não enxergam seus filhos, não os percebem, não convivem realmente com eles. Triste retrato de uma sociedade onde a humanização das relações passou a ser artigo de luxo que, no caso dos adolescentes, está indo para o lixo, substituída pela violência como fator de resolução de conflitos.

E ainda teimamos em não acreditar na necessidade da educação moral.

*Marcus De Mario é Educador, Escritor e Diretor Geral do Instituto Brasileiro de Educação Moral.

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Continue a leitura da Edição 82 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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