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Atualidade

Ano 9 - nº 81- 15 de abril de 2010

Agressão a educadores

por Marcus De Mario*

Notícias sobre professores agredidos por alunos dentro das escolas têm ganho espaço na mídia, que pergunta insistentemente o que está acontecendo. Pena que raros veículos de comunicação abram espaço para a educação e, neste caso, para especialistas que poderiam melhor comentar essa questão. E temos de ouvir opiniões muitas vezes insensatas, dizendo que a solução está na segurança, em transformar as escolas em ilhas de detectores de metal, câmeras de vigilância, revista das mochilas por parte dos inspetores, punições mais duras aos alunos e outras coisas que nada tem a ver com o ato educativo e nem com a finalidade da escola.

A verdade é que perdemos o rumo da escola faz tempo. Já na década de vinte do último século, escolanovistas como Lourenço Filho, Anísio Teixeira e outros clamavam através de um Manifesto por mudanças profundas na escola e no processo de ensino. Nada fora da realidade atual. Mas as autoridades públicas insistem em colocar a educação em segundo plano, e quando a destacam, pendem o ensino superior, quando os esforços deveriam ser concentrados na educação básica, que não recebe esse nome à toa.

Não é de hoje que ouvimos professores reclamando, desesperançados e desesperados, dos alunos, que estão muito agressivos, indolentes, indiferentes, liberais, sem limites etc, etc. Contudo, os professores insistem em dar aula, em passar conteúdos, e a escola insiste em padronizar procedimentos, ou seja, tudo fora da realidade social e individual. E a escola torna-se um local frio, nada prazeroso. E o professor é visto como alguém não humano, que não quer saber da pessoa do aluno, pois mais importante é o conteúdo, é a prova, é a nota.

Enquanto continuarmos nesse padrão, a violência - e mais os conflitos de toda ordem - continuará sendo notícia quando se falar da escola, pois nela não conseguimos encontrar o amor, não conseguimos encontrar relações himanizadas.

Os professores, gestores, coordenadores precisam transformar sua mentalidade e suas posturas.

Bem que, após quase um século, o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova podia ser revisitado e colocado em prática. E, aproveitando isso, também poderíamos colocar em prática as ideias e experiências de Paulko Freire, José Pacheco, Helena Antipoff, Darcy Ribeiro, para citarmos alguns educadores brasileiros, ou que trabalharam no Brasil, e que possuem contribuição renovadora da educação. E tudo isso com muito amor. Então as notícias seriam bem outras.

*Marcus De Mario é Educador, Escritor e Diretor Geral do Instituto Brasileiro de Educação Moral.

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Continue a leitura da Edição 81 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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