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Atualidade Ano 8 - nº 70 - 15 de março de 2009 Construindo um currículo por Marcus De Mario* Quem deve definir os conteúdos a serem ministrados em escolas e redes de ensino? As diferentes concepções de educação devem disputar uma dura competição entre si, ou podemos conciliar pontos de vista? O currículo deve ser desenvolvido por uma equipe pedagógica específica, ou deve ter a participação de todos? Tais são as perguntas que precisam ser discutidas para o encontro da melhor qualidade da educação. Há décadas, ou ainda mais tempo, a prática brasileira de construção do currículo está restrita aos gabinetes do Ministério da Educação e das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. No caso das escolas particulares, a decisão curricular está sempre na mão de um diretor e um ou outro coordenador pedagógico. Ou seja, a participação dos professores é nula ou mínima. E o que falar da participação dos pais e alunos? O assunto é polêmico. Cada país segue regras próprias, alguns com currículos fechados e decididos pelo Estado, outros com ampla liberdade para participação das escolas. No Brasil, os especialistas também divergem, e o Ministério da Educação trabalha com orientações nacionais através das Diretrizes Curriculares Nacionais e os Parâmetros Curriculares Nacionais. Alguns educadores reclamam, dizendo que o MEC deveria ser mais específico sobre o que deve ser ensinado. Outros, querem que o professor seja o único responsável pela elaboração curricular, e que essas orientações nacionais não deveriam existir. E temos um terceiro grupo, que quer conciliar as orientações gerais com a autonomia do professor. Opinião radical normalmente não busca consenso e prejudica o desenvolvimento da educação, assim, cremos que as orientações gerais (nacionais) possuem sua utilidade, mas a autonomia do professor - e da escola - deve ser preservada. O problema é que temos a tendência de fazer da orientação nacional o próprio currículo, quando na verdade orientação não é currículo. Muitas forças sociais influenciam a construção do currículo, e essas mesmas forças podem fazer com que o currículo se afaste dos pressupostos pedagógicos, o que é extremamente prejudicial e perigoso. Como exemplo, temos a pressão exercida pelos exames de avaliação do ensino, que acabam orientando escolas e redes sobre o que deve ser ensinado. Será que esse é o melhor caminho? Construir um currículo deve levar em conta a(s) teoria(s) pedagógica(s) que embasará o processo ensino-aprendizagem; a realidade sócio-cultural dos alunos; as experiências e reinvindicações dos professores e muitos outros fatores que não podem ser desprezados, nem tratados apenas do ponto de vista científico-acadêmico. E se o currículo não leva em conta o ser integral e o verdadeiro papel da educação, isolando a escola da família e da comunidade, com certeza teremos muitos problemas e vastas repercussões na sociedade, nesta e, infelizmente, nas próximas gerações. *Marcus De Mario é Educador, Escritor e Diretor Geral do Instituto Brasileiro de Educação Moral. .............................. Continue a leitura da Edição 70 da Revista ReConstruir.
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