Ano 11 - nº 89 - Fevereiro de 2012 - A revista do educador
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Aprendendo Educar
Marcus De Mario
Uma palavra sobre a pedagogia da sensibilidade


No texto de apresentação da Pedagogia da Sensibilidade, que foi desenvovida por mim e é apresentada pelo Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), lemos:

"A Pedagogia da Sensibilidade trabalha a teoria e a prática da educação moral e formação do caráter do homem, considerando-o um ser integral - inteligência e sentimento - criado por Deus para um fim superior na vida. Sua base está em três princípios: educação com amor, educação com exemplo, educação com experiência própria. Estuda e desenvolve os valores humanos, promovendo a sensibilização dos sentimentos e a compreensão da vida, fazendo com que o educando tenha atitudes conscientes de valorização de si mesmo e dos outros."

Como vemos, educar moralmente o homem através da formação do seu caráter, que pode ser entendido como desenvolvimento do seu senso moral e aquisição de valores éticos e humanizados, é o fim último da Pedagogia da Sensibilidade, o que, convenhamos, está faltando, e muito, à maioria das escolas, que insistem em priorizar o ensino de matérias curriculares ligadas às línguas, matemáticas e ciências, deixando de lado o desenvolvimento da cidadania, da ética, da visão de vida  (ou filosofia), do emocional, quando muito trabalhando esses temas como transversais ao currículo. Isso acontece porque vigora uma deturpação do que seja o ser humano, outro ponto importante de nossa proposta pedagógica.

É fato que ainda nos vemos apenas como um conglomerado de células, onde o mais importante é a inteligência, portanto estudar os mecanismos neurocerebrais e o desenvolvimento psicogenético (muito mais o genético) têm espaço privvilegiado. Falar da alma no meio escolar é heresia pedagógica., logo sendo o tema rotulado de religioso. Entretanto, somos seres dotados não apenas de inteligência e razão, mas igualmente de sentimento e afetividade, numa complexidade psíquica incomparável com qualquer outro ser da natureza. Por que isso não é levado em conta quando educamos? Propomos uma visão do homem como um ser integral - inteligência e sentimento - em desenvolvimento.

E temos que perguntar de onde viemos, porque um dia nascemos, e para onde vamos, porque um dia morreremos, e mais: qual a finalidade de estarmos vivos? Acreditamos que a melhor teoria, a melhor hipótese para responder essas e outras indagações sobre a vida, é Deus. Muitos professores e pedagogos afirmam que isso é crença de foro íntimo e, novamente, de caráter religioso. Sim, é de foro íntimo, concordamos quanto a isso, mas porque encerrar a questão no campo da religião? Crer em Deus, num poder maior e supremo antecede, na história da humanidade, em muito a criação das primeiras doutrinas religiosas organizadas. Como certa vez respondeu o físico Stephen Hawkings, considerado uma sumidade científica, se acreditava na existência de Deus, ele disse: "Não acredito, entretanto, é a melhor hipótese para explicar o universo"

Mas não basta aceitar as premissas do ser integral e de Deus para termos uma educação melhor e, portanto, um ensino renovado e de qualidade. Aceitar sem compreender, sem apreender com profundidade, sem modificar ideias e padrões comportamentais, sem alterar as práticas e sem renovar a própria vida, de nada adianta. Essa a causa de tantos fracassos pedagógicos. Que adianta termos boas propostas para a escola e o ensino, se os professores e pedagogos não vão mudar sua mentalidade e sua ação? Por esse motivo não podemos implantar a Pedagogia da Sensibilidade de paraquedas, querendo transformar a escola de uma hora para outra.

É preciso, e necessitam os educadores se convencer disso, realizar toda uma capacitação através de cursos, workshops, diállogos, tendo no primeiro ano de implantação um laboratório de acertos e erros, de adaptações, para que no segundo ano letivo parte da proposta se consolide e, com a continuidade, em  até cinco anos a escola possa realmente estar trabalhando com êxito a Pedagogia da Sensibilidade, transformando-se em Escola do Sentimento, que tamhém faz parte do pensar e fazer pedagógico do IBEM.

Falta ainda abordar os três princípios da Pedagogia da SDensibilidfade e o trabalho de desenvolvimento dos valores humanos, mas isso é conversa para outro texto.

Marcus De Mario é educador, escritor e diretor do IBEM.

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