Ano 11 - nº 88 - Janeiro de 2012 - A revista do educador
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Aprendendo Educar
Marcus De Mario
A escola e o vestibular


É cada vez maior o número de escolas particulares conveniadas com grandes sistemas de ensino. Isso é preocupante porque esses sistemas de ensino são empresas que visam dois objetivos essencias: muito lucro e preparação dos alunos para se darem bem no vestibular. Seu material didático-pedagógico é todo formatado, não dando muito espaço para a criatividade e, é bom saber, vários dos atuais sistemas de ensino começaram como cursos pré-vestibulares, cresceram e acabaram entrando pelo ensino fundamental e médio. E temos hoje uma verdadeira máquina empresarial de formar alunos para o vestibular, utilizando-se da mídia para espalhar pomposos resultados: primeiro lugar no curso tal da univesidade tal. E os jovens, enganados, pensam que só estudando num colégio com a marca deste ou daquele sistema de ensino poderão se dar bem no famigerado concurso para ingresso no ensino superior.

E, ainda mais preocupante, é ver as escolas, particulares e públicas, trabalhando para preparar seus alunos para os exames nacionais de avaliação do Ministério da Educação (MEC) e para o vestibular. O ensino está preso a se dar bem nas estatísticas dos exames.

Desde quando exames previamente anunciados, formatados sem levar em conta as diferenças regionais, que levam os estudantes a se prepararem especialmente para eles, podem avaliar o ensino? Não é uma avaliação, mas uma pseudo avaliação, que está levando as escolas a perderem seu foco na educação do ser ao priorizarem bons resultados nas avaliações e no vestibular.

A entrada no ensino superior deveria estar atrelada ao desempenho do aluno durante o ensino médio, mas isso condenaria cursinhos e sistemas de ensino à falência, o que não agrada o legislativo público, pois muitos deputados e senadores são sócios de empresas educacionais, assim como alguns membros do Conselho Nacional de Educação do MEC. Essa é a verdade. Nada estamos dizendo que reportagens na mídia não tenham esclarecido.

Alguns sistemas de ensino utilizam nomes de educadores famosos, em flagrante contradição com as teorias e práticas desses educadores, mas quem quer saber disso? O lucro gerado pela fábrica de vestibulandos é o que mais importa. É assim que o sistema capitalista neo liberal funciona.

Pobre educação, diminuída a ensino memorizado a serviço do vestibular. E dizem os organismos internacionais que já somos país desenvolvido!

E não poderíamos deixar de falar sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), criado para ser um marco avaliativo do ensino proporcionado aos jovens brasileiros, e que, através da assinatura de convênios entre o MEC e as Faculdades, tornou-se um vestibular adiantado, onde os alunos com as melhores notas são pré-selecionados para os cursos universitários. Dessa situação só podemos exclamar: lamentável!

Como lutamos pela educação moral, pela formação integral do ser, igualmente lutamos contra provas, testes, notas e vestibulares. Lutamos por uma avaliação contínua, que realmente espelhe quem é e o que é o educando, e seu progresso no entendimento e aplicação de conceitos e habilidades.

Enquanto a escola estiver fixada no vestibular teremos muita dificuldade em implantar a qualidade no ensino e, muito mais, em realizar a educação moral.

Marcus De Mario é educador, escritor e diretor do IBEM.



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