![]() |
![]() |
||
| Ano 10 - nº 85 - Abril de 2011 - A revista do educador www.educacaomoral.org.br/reconstruir |
| Aprendendo Educar Marcus De Mario Que avaliação é essa? Não é só no Brasil que questionamentos estão sendo feitos sobre os sistemas públicos de avaliação do ensino. Também nos Estados Unidos os caminhos estão sendo reavaliados. Os dois países, com suas realidades distintas, sofrem do mesmo problema: os testes padronizados vêm produzindo muita informação e, ao mesmo tempo desvios pedagógicos. Entre eles, por exemplo, o fato dos professores estarem se acomodando ao conteúdo das provas, ou seja, só ensinam o que vai cair no teste. Outro grave desvio pedagógico, é a escola escolher apenas os melhores alunos, e prepará-los especificamente para o teste de avaliação do ensiso. Diante disso, perguntamos: que avaliação é essa? Vários questionamentos podem ser listados: > A pouca ou má apropriação de seus resultados. > As fraudes para obtenção de melhor desempenho. > O currículo pautado apenas pelas provas. > As visões reducionistas da qualidade de educação. > A distorção do que seja educar. > As provas padronizadas não dão subsídios para se conhecer o aluno. E que avaliação do ensino é essa que se baseia apenas em conteúdos de matemática e língua portuguesa? A educação do ser é somente isso? Além de Provas e Notas Este é um tema muito rico sobre o qual as pesquisas a respeito do desenvolvimento da aquisição do conhecimento, tanto na infância como nos estágios seguintes, vem alargando e solidificando, desde que educadores, a partir principalmente de Rousseau, vieram chamando a atenção para os aspectos psicológicos da aprendizagem. Era comum, antes do pensador suíço, a criança ser tratada apenas como um adulto em miniatura, sem ser levado em conta sua condição de infância, seu psicologismo, suas estruturas mentais e o fator biológico do corpo em desenvolvimento. A educação baseava-se em falsas premissas e o ensino era totalmente arcaico, baseado na memorização, repetição de lições e cátedra severa por parte dos professores e pais. Contudo, em respeito à história da educação, devemos lembrar que a existência de jogos infantis usados no processo educacional já existia entre os antigos gregos, assim como as correntes primitivas de pensamento e ação cristã tratavam as crianças de forma diferenciada dos adultos. Os protestantes, no início da reforma religiosa, dedicaram-se com intensidade ao ensino infantil, e o célebre educador Comênio, no século XVII, preconizava o uso da didática a partir da divisão do ensino em estágios delimitados pelo desenvolvimento do educando. É dele a divisão dos graus escolares e a primeira classificação dos estágios de desenvolvimento psicológico. Apesar de todas essas contribuições ao longo da história e da profundidade das pesquisas do século XX, com Piaget, Montessori, Vigotsky, Emília Ferreiro, Paulo Freire e outros, constatamos que o processo ensino-aprendizagem está mais perto dos tempos arcaicos do que da chamada modernidade, pois é comum vermos professores utilizando em larga escala a aula expositiva e exercícios prontos, num total desconhecimento dos métodos pedagógicos e numa irritante comodidade, do que trabalhando o despertar das potencialidades em sintonia com o desenvolvimento apresentado pelo educando. Desrespeitando-se estágios psicológicos, os processos de ensino-aprendizagem oferecem modelos prontos, pré-concebidos, normalmente desvinculados da realidade familiar e social do educando, ou seja, nada tem a ver com a vida prática. Tudo se resume num amontoado de conhecimentos que devem ser aprendidos, decorados, exercitados, mas sem saber qual o uso que se fará deles depois de encerrado o período escolar. Não se trabalha a crítica nem o entendimento subjetivo, como se o educando fosse um pássaro ao qual se dissesse bastar bater as asas e o empurrássemos do ninho para voar, verificando que o mesmo não consegue. E dizemos que o pássaro (o educando) não soube aprender. Melhor seria dizer que não soubemos ensinar. Sempre nos perguntamos, na vida prática, do que nos valeram aquelas aulas de matemática na infância onde boa parte do ensino se fixou nas equações de segundo e terceiro grau, se nunca soubemos empregá-las, pois isso não nos foi ensinado. Resultado: esquecemos todo o aprendizado e hoje somos obrigados a recorrer aos livros para recordar, e mesmo assim por obrigação de algum exame ou para auxiliar os filhos na sua trajetória escolar. Nenhum processo ensino-aprendizagem é completamente válido se desvinculado da realidade prática da vida - do ponto de vista do uso da inteligência - e também da realidade fundamental da vida - do ponto de vista moral. O existir possui duas referências. Uma, imediata, que é o viver em sociedade, de acordo com as leis humanas e biológicas. Outra, não menos imediata, mas num estágio superior à primeira, nas relações morais entre os indivíduos e sua destinação futura, no reconhecimento da dualidade corpo-alma. O processo ensino-aprendizagem necessita trabalhar essas duas referências sob pena de ficar cego de uma vista, como aliás tem sido até o momento. Temos visto escolas onde o processo ensino-aprendizagem possui o que de mais moderno se tem em recursos e técnicas, e em que a metodologia obedece os padrões das pesquisas de desenvolvimento genético e psicológico, mas onde faltam noções básicas de moral. Tudo é feito para se desenvolver a inteligência, no objetivo de explorar a aquisição do conhecimento, da cultura humana, mas nada é feito para formar o caráter. Esse ensino mascara os seus próprios defeitos, trabalha a formação de fora para dentro e ilude os pais com a apresentação de trabalhos muitas vezes feitos pelos professores em nome das crianças. Tudo é bonito, mas superficial. De que vale um processo de aprendizagem com os últimos recursos técnicos concebidos se o professor grita em sala de aula? Se esse processo nada ensina a respeito das relações ético-comportamentais? Se tudo se resume em algumas provas ou exames decisivos de avaliação? Basta uma boa nota numa prova final e o ano letivo desastroso no conhecimento e/ou no comportamento é esquecido. Avaliação Uma avaliação correta do processo ensino-aprendizagem só pode ser feita através da implantação de uma nova dinâmica do sistema avaliativo do educando, pois a prática intelectual e moral depende inteiramente da capacidade do educando em aplicar o conhecimento adquirido, e essa aquisição também depende dos estímulos que lhe são oferecidos. Propomos que a avaliação seja feita levando-se em conta o rendimento escolar, abolindo-se a expressão em conceitos determinados por provas, testes e exames. Essa nova dinâmica do sistema de avaliação do educando no processo ensino-aprendizagem pode ser resumida através de:
>Uma avaliação contínua; Essa dinâmica possui a vantagem de integrar o educando no processo ensino-aprendizagem, estimulando a auto-educação e o compromisso real com o seu desenvolvimento, além de levar o professor a um verdadeiro trabalho educacional. Este sistema avaliativo pode ser considerado mais trabalhoso e subjetivo, entretanto, afirmamos que essa subjetividade é mais objetiva que uma prova onde o educando camufla seu despreparo com um estudo específico de ocasião, liberando o professor de um aprofundamento didático-pedagógico, o que nos leva a algumas considerações sobre os métodos no processo ensino-aprendizagem. Lembramos que esta proposta de avaliação não pode ser implantada de forma imediata, pois significa um processo em um tempo que deve levar em conta a preparação dos educadores e outros fatores pedagógicos, mas que não pode ser adiada indefinidamente. Marcus De Mario é educador, escritor e diretor do IBEM. |
![]() Onde você compra com segurança e ainda ganha descontos de até 50% * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * ![]() Palestras, Seminários, Oficinas de Vivências, Educação a Distância * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Análise & Crítica Blog da educação * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * ![]() A emissora da fraternidade |
| Marcus De Mario | Nadja do Couto Valle | Ronaldo Gomes | Bruno Zaminsky | ||
![]() | ![]() | ![]() | |||
| Kate Portela | Tatiane Barros | Cleide Arantes | |||