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Aprendendo Educar

Ano 9 - nº 82 - 15 de maio de 2010

A mídia, a polícia e a educação


por Marcus De Mario*

Dê uma passada nos principais sites de notícias, sejam eles portais independentes ou vinculados a mídias impressas (jornais e revistas), e clique em "educação" - isso é, quando existe esse link no menu -, e você, caro leitor, verificará que a maioria considera que educação é sinônimo de vestibular. São notícias e mais notícias ligadas a vestibulares e faculdades, e quase nada com relação ao ensino médio, ensino fundamental e educação infantil.

É triste observar que a mídia possui a mesma miopia do Ministério da Educação, que relega o ensino básico para as esferas estadual e municipal, numa distorção histórica que provoca inúmeros malefícios para o desenvolvimento do ser e da nação.

Bem, reclamar da mídia é um pouco sem propósito, afinal ela considera que ensino fundamental só dá notícia quando um aluno agride um professor e vice-versa. Lamentável distorção de valores originada no descaso que temos com relação a educação moral do homem, com sua formação do caráter e seu desenvolvimento do senso moral.

Por enquanto, valores, virtudes, senso moral, ética e outras questões pertinentes à formação integral do ser estão fora dos bancos escolares. E os problemas sociais se agravam.

Mas o governo estadual do Rio de Janeiro, envidando esforços para a melhora social, implanta as Unidades de Polícia Pacificadora nos morros (favelas e comunidades) como se transferir a criminalidade de um lugar para outro fosse solução.

Então, de um lado temos a mídia considerando que educação é igual a vestibular. De outro lado temos o governo, considerando que educação é igual a segurança pública. Ora, se formação superior e polícia na rua resolvessem os problemas sociais, estaríamos, há muito tempo, muito bem, mas é fato que as autoridades públicas e os acadêmicos não conseguem resolver a injustiça social, a miséria, a distribuição de renda, a falta de moradia, a criminalidade, a corrupção e tantas outras coisas que mancham nossa sociedade.

A solução para os nossos problemas - individuais e coletivos - está na polícia ou na educação?

Afirmamos, mais uma vez, que a solução está na educação moral do ser. Mesmo que tenhamos a polícia em todos os lugares, e institutos de ensino superior em todas as localidades, se a educação moral não estiver presente, o policial poderá se corromper e ser mesmo agente da violência, e o estudante, futuro profissional, poderá ser egoísta e indiferente.

Inicie-se o processo de educação moral no lar, quando o bebê está no colo da mãe recebendo a amamentação, reforçando-o com o trabalho de formação do caráter e sensibilização do sentimento na escola, e teremos uma sociedade sadia, equilibrada, justa e menos necessitada de leis severas e gastos vultosos com segurança publica.

Nossos esforços precisam concentrar-se na educação básica, unindo família e escola, trabalhando a educação dos valores humanos, das virtudes, num processo humanitário e espiritual de formação do homem, para que o conhecimento, o conjunto dos saberes, sejam direcionados para o bem coletivo, o que hoje não acontece, e quando acontece é considerado fora da realidade.

A mídia precisa enxergar o que de bom se faz na educação escolar, abrindo espaço para reportagens mostrando esses exemplos dignificantes, percebendo que temos muito mais boas práticas pedagógicas do que se supõe. É com reportagens desse quilate que a mídia colaborará com a melhora do ensino, e não escandalizando os leitores com notícias sobre violência na sala de aula. Não se trata de "tapar o sol com a peneira", pois os problemas existem e devem ser trabalhados, mas necessitamos mais de coisas boas que ruins.

Entre vestibular, polícia e educação, seguramente fico com a educação. Ela pode mostrar seus resultados apenas em médio e longo prazo, contudo, são resultados seguros e duradouros, o que é bem melhor do que medidas imediatas, mas que se desgastam com o tempo.

Pensemos nisso.

*Marcus De Mario é diretor geral do IBEM, editor-chefe da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 82 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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