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Aprendendo
Educar Ano 9 - nº 81 - 15 de abril de 2010 É lento, mas irresistível
Qual é o professor do ensino fundamental que não sonha em ver seus alunos adolescentes comportados, disciplinados, responsáveis, interessados, numa palavra, educados? Bem, seria arriscado dizer todo professor como resposta, pois existem muitos professores que apenas exercem burocraticamente seu dever, e outros que querem apenas receber o salário no fim do mês, pouco se importando com as aulas e com os alunos. Contudo, acredtamos que a maioria dos professores acalenta esse sonho. Pois bem, o sonho é correto e, sendo, como concretizá-lo? O sonho de educar os alunos deve ser generosamente regado todos os dias com a água da fé, da esperança e da perseverança. Mas esse sonho não pode tomar um atalho e virar um pesadelo. Isso porque educar o aluno não é sinônimo de fazer com que ele se comporte desta ou daquela maneira, segundo esta ou aquela regra imposta pelo docente. Eis aqui uma das chaves dos problemas enfrentados pela escola. Na educação não se formata, o que se faz é formar, que é processo onde o aluno recebe informações, saberes e exemplos, para pensar, assimilar e acomodar, e então se transformar, ou seja, educar é processo que tem início de fora para dentro, mas que só se completa no estágio de dentro para fora, pois transformado, assim agirá no meio social. Engana-se o professor que pensa que está educando quando gasta minutos preciosos em sermões, chamadas de atenção, ameaças de punição, explicações sobre regras que ele está impondo, etc, etc. Mais vale uma boa convivência amiga com os alunos nos diversos ambientes da escola, do que todas essas ações juntas. Conviver com os alunos é muito importante. Para isso o professor não pode se deixar escravizar pela rotina do preprar aula, dar aula; preparar provas, aplicar provas, fazer relatórios, entregar relatórios. Isso é desgastante e o afasta dos alunos, tornando a sala de aula quase que cela de prisão. Estar consciente que o aluno é uma pessoa humana em desenvolvimento é outro requisito básico para educar. Por isso a convivência deve ser ativa, alegre, dialogada, sabendo o professor também ouvir. O aluno verá no professor não um inimigo a ser combatido, mas um amigo para todas as horas. Acreditar na educação moral do ser é outro componente importantíssimo do ato de educar. Leva tempo, mas a força da educação moral é irresistível. Os frutos vão germinar mais cedo ou mais tarde, e a experiência tem mostrado que germinam bem antes do que supomos. Na educação moral o jovem aluno é levado a pensar sobre regras e comportamentos, liberdades e responsabilidades, direitos e deveres, aprendendo a participar, a desenvolver o senso moral, a compartilhar saberes, escolhendo comportamentos e atitudes de forma consciente, e não porque alguém ou a escola, tenha imposto isso a ele, mas porque analisou a si mesmo e as consequências, boas e/ou ruins, para ele e para os outros, deste e daquele comportamento, desta e daquela atitude. Para chegar a esse estágio, a conscientização, a educação moral propõe primeiro sensibilizar o aluno para si mesmo, o outro e a vida, tirando-o da alienação, da indiferença e do individualismo egoísta. Depois, num segundo estágio, trabalha o despertar da consciência, levando o aluno para ações práticas através de vivências, estudo de casos, realização de assembléias, distribuição de tarefas. Primeiro, é necessário sensibilizar. Segundo, é necessário despertar. Terceiro, é necessário conscientizar. Eis o processo da educação moral, que tem por base igualmente três critérios: amor, porque educar sem amor é uma falácia; exemplo, porque educar sem dar o próprio exemplo é utopia; e experiência própria, porque ensinar não é dar tudo pronto, é deixar que o educando faça por si mesmo. "Ah, tudo isso é lindo", dirão muitos leitores. Concordo. E digo mais: é maravilhoso. "Ah, mas mesmo que seja possível, vai levar muito tempo", dirão outros, e afirmo: leva tempo, é lento, mas é irresistível, porque a educação moral é a única força capaz de relamente transformar o homem. Pensemos nisso. *Marcus De Mario é diretor geral do IBEM, editor-chefe da revista ReConstruir, educador e escritor. .................................... Continue a leitura da Edição 81 da Revista ReConstruir.
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