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Aprendendo Educar

Ano 9 - nº 79 - 15 de fevereiro de 2010

A questão da postura docente


por Marcus De Mario*

Professor é um profissional que não gosta de ser avaliado e menos ainda questionado. Costuma cristalizar posturas e repetir atividades pedagógicas sai ano, entra ano. Reclama muito quando tem de fazer recapacitação. E culpa sempre o aluno, os pais do aluno e a direção escolar por todos os seus problemas em sala de aula.

Exemplo típico do que estamos falando é o professor Cláudio, que nos seus vinte anos de magistério no ensino médio, formatou apostilas, uma para cada bimestre, e as utiliza invariavelmente do mesmo jeito com todas as turmas. Ao longo do tempo ele fez algumas adequações: de datilografadas e mimeografadas, passaram a ser digitalizadas e impressas, e receberam este ou aquele reparo no conteúdo. Não gosta de conversações em sala de aula, implica com coisas menores como mascar chiclete, usar boné e outras coisas, e sistematicamente expulsa alunos da sala de aula. Quem resolve os exercícios, basicamente os mesmos desde o primeiro ano de magistério, ganha nota e passa de ano. É assim que o professor Cláudio dá aula, não participativas, sentado à sua mesa, levantando-se apenas para pequenas explicações escritas no quadro.

Sua postura docente conservadora, burocrática e antipedagógica não lhe permitiu aceitar o convite de um colega professor para trabalhar em outra escola. O motivo é simples: essa outra escola está tecnologicamente modernizada, ele seria obrigado a usar computador e outras coisas, a participar de debates e constantemente teria de fazer cursos de capacitação. Nem pensar!

Mas aí interveio a professora Regina, explicando na sua sabedoria e experiência de mais de dez anos de magistério no ensino fundamental, que o negócio é ensinar só para quem quer aprender, esse é o segredo para não ficar estressada. O problema dos alunos que não querem estudar é dos pais, da coordenação pedagógica e da direção escolar. E ela não tem muito trabalho, pois gosta de dar aula através de seminários e pesquisas, feitos pelos alunos. E conclui: "Indico a bibliografia, deixo claro o que quero que eles façam, e aí é com eles".

Recentemente nossa professora Regina participou de um curso patrocinado pela Prefeitura - ela é professora do município - e tratou de guardar livros, apostilas e material pedagógico distribuídos, pois daria muito trabalho aplicar essas coisas, até porque seu trabalho sempre deu certo (pelo menos é o que pensa).

Dois professores, eles não se conhecem, trabalham em escolas diferentes, cilcos diferentes, em setores diferentes (particular e púiblico), mas o retrato pedagógico é o mesmo.

Falta a boa parte dos professores doses mais generosas de humildade, didática e prática de ensino. E uma boa dose de visão mais ampla e profunda do ensino e da educação.

É bom deixar claro outra questão: professor dificilmente acredita nos alunos, pelo contrário, considera que deve trabalhar sempre com desconfiança das crianças, adolescentes e jovens. principalmente os dois últimos. A descrença nas possibilidades dos alunos revela a descrença do professor em si mesmo. e ainda uma descrença maior: na própria educação. Na verdade muitos professores não acreditam na educação pelo motivo de a confundirem com o ensino. Sabem apenas dar aula - melhor dizendo, acham que sabem dar aula - e estreitam sua visão sobre a educação.

O retrato não é geral. Nem todo professor é desse jeito. Isso é maravilhoso! Mas o contigente dos professores que fazem a diferença é diminuto diante da massa de professores com péssima postura docente.

Está na hora de mudar, de transformar. Ou será que o problema sempre será do aluno, dos pais e da escola? Afinal, respondendo honestamente, professor nunca tem culpa pelos males do sitema de ensino e pelos fracassos da educação?

Pensemos nisso.

*Marcus De Mario é diretor geral do IBEM, editor-chefe da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 79 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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