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Aprendendo Educar

Ano 8 - nº 74 - 15 de julho de 2009

Escola do sentimento


por Marcus De Mario*

Após uma visita familiar, dirigi-me ao ponto de ônibus, em subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, e enquanto esperava a condução, assisti crianças de uma escola pública, em algazarra, tomarem conta da rua, saídas do seu turno de estudo em demanda aos seus lares. Meninos e meninas entre sete e dez anos de idade.

Atravessavam a rua sem nenhum cuidado. Discutiam, falavam alto, faziam gestos nada amistosos uns com os outros. Observei a fala: gírias, palavras erradas, frases desconexas. Uma menina, aparentando sete ou oito anos, pequenina, utilizava sua mochila como arma, batendo nas costas de um colega e chamando-o para a briga. Felizmente o garoto não aceitou a provocação. E assim continuaram na algazarra, sem respeito aos colegas, às pessoas na rua, até a dispersão natural da volta ao lar.

Em outra cena, um amigo relata que as professoras fazem do pátio da escola pública, único local livre para recreação dos alunos, já que não existe uma quadra de esportes, estacionamento para os seus carros, e com mais um detalhe: as professoras com carro, incluindo aqui a diretora, são as primeiras a deixarem a escola assim que o horário de aulas termina.

Mudando o cenário, a lista de material escolar, e outros materiais, de uma escola particular é tão grande, e com quantidades tão expressivas, que a direção e professores utilizam as "sobras" em proveito próprio, já que a sala reservada à guarda do material não suporta tanto estoque.

Cenários que nos fazem indagar: para que serve a escola?

Para instruir? Talvez, pois os índices publicados pelo Ministério da Educação depois das provas de avaliação do ensino, são desanimadores. Então, instruir não parece ser a melhor vocação da escola.

Para educar? Depende do sentido que damos a essa palavra. Considerando educação como sinônimo de equipamentos pedagógicos instalados, ou de formação de habilidades e competências, estamos mal, principalmente no cenário público. Agora, considerando educar como formar cidadãos plenos, conscientes, éticos, não parece que a escola esteja socialmente determinada a isso.

Repetindo consideração de Frei Betto sobre o tema:

"Seria a escola mera estufa de adestramento para o mercado de trabalho?"

Consideramos que a escola existe para auxiliar os pais na educação dos filhos, para dar o complemento moral e intelectual à formação integral dos jovens, exigindo dos professores a auto-educação, o exemplo, a dedicação. E a escola não pode estar desligada da vida dos seus alunos e da comunidade à qual ela pertence e para quem desenvolve seus serviços. Escola onde ninguém aguenta ficar nem mais um minuto, não é uma verdadeira escola.

Se você está na escola considerando que ali está apenas para desenvolver seu trabalho profissional, como atestam seus diplomas, não está na hora de rever seu papel e no que você está transformando a escola?

A escola não é uma indústria ou um negócio comercial como outro qualquer. Lá dentro, em todos os setores, em todas as atividades, o tempo todo, lidamos com gente, com a formação dessa gente, trabalhando no presente aquilo que será o futuro.

Por esses motivos idealizamos o projeto Escola do Sentimento, que você pode ler no site do IBEM - www.educacaomoral.org.br - propondo uma nova escola, aquela que faz do professor um educador, que respeita a liberdade do aluno mas lhe dá responsabilidades, que desenvolve o senso moral em conjunto com o cognitivo. Uma escola bem diferente e que sabe para que existe e o que faz.

O projeto Escola do Sentimento pode ser implementado por qualquer escola e, temos certeza, mudará o atual quadro da educação.

Não está na hora de pensarmos seriamente nisso?

*Marcus De Mario é diretor geral do IBEM, editor-chefe da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 74 da Revista ReConstruir.

 

 

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