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Aprendendo Educar

Ano 8 - nº 73 - 15 de junho de 2009

Ensinar devia ser diferente


por Marcus De Mario*

Pesquisa divulgada pela revista Veja revela que 52% dos professores do ensino fundamental admitem atitudes agressivas com os estudantes, tendo sido irônicos ou rudes. E fico a imaginar a sala de aula repleta de alunos - o que é improdutivo do ponto de vista pedagógico - e o professor, estressado, procurando caminhos para tentar ensinar com algum proveito, levantando a voz, até mesmo gritando, expulsando aluno da sala, chamando os estudantes de burros e por aí vai.

O professor precisa lembrar que quem agride, quem desrespeita, está semeando uma bela colheita de agressões e desrespeitos. Se ele agride ou ironiza, que reação esperar dos alunos? Sentindo-se diminuído, desrespeitado, discriminado, o aluno reage quase sempre de forma agressiva.

Falamos acima que o professor está estressado, que o número excessivo de alunos em sala de aula prejudica o ensino, mas nada disso pode ou deve justificar a má conduta do professor, que não deve fazer da sala de aula ambiente para suas mágoas, frustrações e irritações. Ele ali se encontra para trabalhar a formação de um ser que está em desenvolvimento, e necessita de bons exemplos para crescer rumo a uma cidadania ética.

O passado de professores autoritários, semblante carregado, palavras ásperas, verdadeiros traumatizadores das consciências infanto-juvenis, deve ser superado. Não se concebe mais aquele professor que divide os alunos em grupos para realizar um trabalho escolar, e depois coloca-os de frente à turma parea sabatiná-los, execrando os que não correspondem à sua expectativa, e baixando a nota de todos por conta de uma prática pedagógica absurda.

Aliás, para que servem sabatinas, provas, testes, seminários e notas? Será que o ensino é somente isso? Ou não pode ser feito de outra maneira?

Pode ser diferente. Basta lembrar aquela professora do primeiro segmento do ensino fundamental, que trata seus alunos como pessoas, seguindo o dito de Paulo Freire: criança é gente! Ela conversa, mantém diálogo, chama cada um pelo seu nome, acredita no potencial de seus alunos e trabalha amorosamente para vê-los se transformando em adultos plenos, conscientes de seus deveres e responsabilidades. Ela trabalha os conteúdos curriculares para que as crianças saibam o que fazer com esses conteúdos na vida.

Pode também ser diferente como naquela escola onde as paredes são derrubadas, as grades são retiradas, os alunos convidados a participação efetiva no processor ensino-aprendizagem, e os pais podem opinar e interagir com os procedimentos pedagógicos. Onde as regras não são impostas, mas discutidas e aceitas. Onde professor não levanta a voz, e aluno decide o que é melhor para seu crescimento diante de um leque de estudos e atividades voltados para ele.

Ensinar devia ser sinônimo de aconchegar, assim como educar devia ter o significado de amar.

Quando vamos ter um ensino diferente, que faça a diferença?

Pensemos nisso.

*Marcus De Mario é diretor geral do IBEM, editor-chefe da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 73 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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