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Aprendendo Educar

Ano 8 - nº 67 - 15 de outubro de 2008

Não aguento mais ser professor


por Marcus De Mario*

Fim de ano, hora de rever a vida e planejar o futuro. Que futuro? Que planejamento? Muitos professores não conseguem alinhar perspectivas porque estão de tal maneira desiludidos com a profissão que seus sonhos estão nublados, suas metas estão soterradas.Talvez um concurso público federal em outra área, ou uma licença médica, ou a desistência pura e simples do magistério. São caminhos possíveis entre vários outros. Difícil de escolher, pois, como dizem muitos professores, "eu não aguento mais ser professor!".

"Meu salário mal dá para fazer as compras do mês".
"Os alunos não têm mais respeito com o professor".
"Estou completamente estressado com a falta de limites das crianças e jovens".
"Já estou cansado de chamar a atenção".
"É muita fofoca e puxada de tapete, o coleguismo foi para a lata de lixo faz tempo".
"Cobranças da direção, cobranças dos pais, cobranças dos meus familiares, até quando vou suportar isso?"

E o professor não consegue ser feliz e considera o magistério um "carma", um peso excessivo, verdadeiro pesadelo diário de frustrações, mágoas, revoltas, estresses. Se não consegue manter os sonhos, o equilíbrio, aliena-se ou corrompe-se, abrindo fissuras dolorosas e profundas em seu psiquismo.

Contudo, professor, a vida não é feita só de dissabores, ou melhor dizendo, a vida não é feita para chorarmos, e sim para sermos felizes, percebendo em cada "prova", em toda dificuldade, aquela maravilhosa oportunidade de mostrar o quanto somos capazes de trabalhar com a diversidade e com a adversidade, transformando situações aparentemente ruins em aprendizados e construções para uma vida melhor.

Ninguém pode viver sem sonhos, sem metas, sem planejamento e sem disciplina. Como educar é uma missão, fica fácil projetar tudo isso, pois cada dia é nova oportunidade de continuidade na realização dessa missão, desse ideal.

Comece o novo ano dizendo a si mesmo:

"Eu adoro ser professor".
"Amo meus alunos".
"Gosto muito do que faço".
"Tentarei aprender cada vez mais".
"Nada me aborrecerá mais do que o necessário, o suficiente para me tirar de uma possível letargia educativa".
"Em todos e em tudo verei oportunidades de crescimento".
"Estarei vigilante e operoso na minha auto-educação".

Nova disposição de espírito e tudo será melhor.

E utilize a frase que dá título a este artigo desta nova maneira:

"Eu não aguento mais ser professor, eu quero ser educador, um formador de consciências. Eu não aguento mais ficar parado no tempo, eu quero aprender mais e mais, tentar sempre o melhor. Eu não aguento mais ser indiferente, eu quero amar para poder ser amado".

Pensemos nisso.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 67 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

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