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Aprendendo Educar

Ano 7 - nº 60 - 16 de agosto de 2007

O que é educação de qualidade


por Marcus De Mario*

ESTAMOS DIANTE DE um novo lema, ou de uma nova bandeira na história da educação. É a educação de qualidade. Os principais pensadores da sociedade, entre eles pedagogos, sociólogos, antropólogos e outros especialistas, declaram que o futuro da sociedade humana depende de termos uma educação de qualidade. E o que entendem por qualidade na educação? Vamos resumir as idéias desses pensadores, que acreditam que educação de qualidade é:

1. O professor ter atualização científica, sendo capaz de oferecer o máximo de recursos aos seus alunos.

2. Ter escolas com equipamento tecnológico atualizado, propiciando ao professor, e também aos alunos e pais, acesso a tecnologias de ensino/aprendizagem.

3. Desenvolver conteúdos curriculares ligados ao conhecimento, que está sempre em transformação.

4. Estabelecer um processo de ensino que promova plena interação do professor com o aluno, a família e a comunidade.

5. Utilização da mídia, por parte do professor, para aprofundamento do saber.

6. Estar o professor sempre em formação, reaprendendo, com a escola abrindo espaço para sua educação continuada.

7. Melhorar a remuneração do professor.

8. Estabelecer uma nova gestão escolar, participativa.

9. Construir e reformar escolas para terem instalações prediais que comportem as necessidades de escolarização, lazer e saúde.

10. Dar acesso escolar a todos, sem discriminações, promovendo a inclusão das diferenças.

Esses dez pontos resumem o pensamento atual sobre educação de qualidade, que está intimamente ligado a uma nova formação pedagógica do professor, e a um novo sentimento político das autoridades públicas, falando-se inclusive na adoção de uma Lei de Responsabilidade Edu-cacional.

Estamos de acordo que tudo isso faz parte da educação de qualidade, mas sentimos que falta algo da máxima importância, que chamaremos de comprometimento moral do educador com a educação, não com o ensino, mas com a educação, com a formação total da pessoa que está sentada na carteira escolar.

Para alcançar esse comprometimento moral com a educação, propomos a adoção de outros pontos. Para nós, além do que já está descrito, educação de qualidade, acima de tudo, é:

1. Adoção de uma nova filosofia de educação para reger o sistema de ensino, uma filosofia com base espiritualista, única forma de redimensionar a formação do professor e a estrutura da sociedade.

2. Incentivo, de forma contínua, na própria escola, à auto-educação do professor, para que ele transforme-se num educador, aquele que vai além do trabalho no campo do saber, dando prioridade ao trabalho no campo moral.

3. Realizar o ensino com amor, com sentimento, esforçando-se o professor para ser exemplo daquilo que fala.

4. Substituir o vestibular, e todos os exames nacionais que dão equivalência ao mesmo em acordos com as faculdades, por um sistema de avaliação consciencial do aluno, onde mais importante é o nível de capacidade em colocar em prática os aprendizados na própria vida.

5. Priorizar a educação básica, onde compreendemos a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, com currículos equilibrando a formação intelectual e a formação moral da criança e do jovem.

Proclama-se muito a cidadania, a justiça social, a ética nas relações comuns. Compreendamos que não é a tecnologia, a remuneração, os equipamentos pedagógicos, o saber atualizado, que irão fazer a educação de qualidade, pois cidadania, justiça e ética somente são conquistadas com formação do caráter do homem, que assim não se corromperá por interesses que firam a regra de ouro da educação: aprender a fazer ao outro somente o que gostaria que o outro me fizesse.

Finalizando nosso esforço de síntese, dizemos com toda convicção que educação de qualidade alcançaremos quando educação deixar de ser igual a sistema de ensino, e for sinônimo de educação moral - na escola, na família, na sociedade.

*Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor.

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Continue a leitura da Edição 60 da Revista ReConstruir.

 

 

 

 

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