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Aprendendo
Educar Ano 7 - nº 59 - 17 de julho de 2007 Se as letras bastassem
SE AS LETRAS bastassem, não veríamos as principais nações alfabetizadas patrocinando o ódio e a destruição através das guerras. Se as letras bastassem, não teríamos as religiões detidas no culto externo e nem a ciência muitas vezes em corrida desenfreada para descobrir novas armas, entregue a inteligências sem senso moral. Se as letras bastassem, os índices de suicídio, cada vez mais alarmantes, identificando grave desequilíbrio moral do indivíduo, não estariam alastrando-se entre as classes sociais privilegiadas pela cultura. Se as letras bastassem, não estaríamos, na atualidade, frente à crescente indústria do aborto nos lares que a instrução e o conforto se fazem presentes, e ainda com a concordância de muitas autoridades. Se as letras bastassem... Na verdade, não basta ensinar apenas dando o aprendizado do fazer. Que importa saber fazer se esse saber é egoísta e não promove o bem para todos? As nações podem se enriquecer, entretanto, se o povo ignora como utilizar melhor essa riqueza para se engrandecer na legítima fraternidade que deve reger a vida, o orgulho de que tanto se vangloria levará esse mesmo povo ao desequilíbrio social, à miséria e ao desrespeito dos direitos dos outros, gerando desespero. Podemos desfilar na vida ostentando diplomas e títulos, nas mais variadas profissões, mas, nenhum currículo pode representar o caráter individual, e se esse caráter é corrompido, sem base em valores morais profundos e elevados, encontraremos com o tempo a própria ruína, e as vantagens particulares adquiridas se perderão. A escola que ilustra o conhecimento, estimula o raciocínio, é importante, entretanto, se faz incompleta por não fornecer a orientação moral e a sensibilização dos sentimentos. Não basta conhecer. É preciso compreender. Se as letras bastassem, os alfabetizados do mundo há muito tempo teriam implantado na Terra todos os valores de felicidade que tanto desejamos e procuramos. Se as letras bastassem, não teríamos tantos problemas sociais e morais na família, na sociedade e nas salas de aula da escola. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Peço licença ao leitor para fazer alguns comentários sobre este meu texto pois ele surgiu quando da criação do IBEM (Instituto Brasileiro de Educação Moral). E até hoje é utilizado no desenvolvimento de seminários e cursos como atividade de sensibilização e reflexão, provocando debate entre os educadores sobre o que é educação e qual o sentido do ensino. Nunca escrevi ou verbalizei qualquer comentário, procurando manter-me neutro, mas instado pela equipe da ReConstruir, deixo aqui escrito que o texto "Se as Letras Bastassem" é mais que um símbolo, pois retrata meus sonhos, anseios e lutas por uma escola que dê prioridade à formação integral do educando. Em plena era do conhecimento, onde certificados, diplomas, especializações, mestrados, doutorados tentam falar das individualidades humanas, falta justamente humanidade, ou para melhor entendimento, falta humanização, falta sentimento. A corrupção, a violência, o egoísmo são frutos da crise moral que envolve a sociedade, efeitos da não formação do caráter, da não moralização dos indivíduos. Todo o poder econômico para a segurança pública e para intervenções sócio-culturais-esportivas não resolverão os graves problemas hodiernos enquanto não compreendermos que somente as letras não bastam, pois educação do homem é a soma da formação intelectual (cognitiva) com a formação emocional (sentimento). *Marcus De Mario é diretor do IBEM, editor da revista ReConstruir, educador e escritor. .................................... Continue a leitura da Edição 59 da Revista ReConstruir.
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