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Notícias
Educacionais
21/07/2008
Presidente sanciona
piso salarial dos professores
Todos os professores da educação básica serão beneficiados pela entrada
em vigor do piso nacional do magistério de R$ 950. A lei que cria o piso
foi sancionada dia 16, no Palácio do Planalto. Além desta lei, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva sancionou três projetos de lei e encaminhou
outros dois ao Congresso Nacional que beneficiam a educação em todos os
seus níveis e etapas. A fixação do piso salarial para o magistério é uma
reivindicação histórica da categoria, que firmou compromisso com o governo
federal há 14 anos (em 1994) para estabelecimento do piso. Estados e municípios
terão 18 meses, até 2010, para pagar o valor integral de R$ 950 a partir
de reajustes anuais. Com a sanção presidencial, passam a valer também
as leis que criam 49 mil cargos de professores e técnicos, necessários
para dar sustentação ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (Reuni) e à expansão da rede federal
de educação profissional e tecnológica. O Reuni prevê a duplicação de
vagas nas universidades federais. Para isso, a lei sancionada institui
3.375 cargos no âmbito do Ministério da Educação, destinados à redistribuição
para as instituições federais de ensino superior. Destes, 2,3 mil são
cargos efetivos de professor para a carreira do magistério superior e
1.075 de técnicos administrativos para diversas áreas. As universidades
federais também farão concursos públicos para preencher 13.264 vagas de
docentes e 10.656 de técnicos administrativos. Com o aumento do número
de técnicos e professores, será possível consolidar o ensino a cerca de
um milhão de alunos a mais no ensino superior em quatro anos.
Faculdades de educação
trazem propostas
Os diretores de faculdades públicas de educação entregaram, dia 17, no
Ministério da Educação, um documento que reúne sugestões dos especialistas
para a criação de um sistema nacional de formação de professores para
a educação básica. A formação de professores é uma das prioridades do
Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Muitas ações do PDE foram
formuladas com intuito de melhorar a capacitação dos professores que atuam
na educação básica. É o caso da Universidade Aberta do Brasil (UAB), cujas
vagas são preferencialmente para docentes em atividade, e também do Programa
de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(Reuni), que aumenta o número de vagas em cursos de licenciatura. O documento,
entregue à secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda,
traz o resultado das discussões ocorridas durante o 24º Fórum de Diretores
das Faculdades de Educação Públicas Brasileiras (Forumdir), realizado
em João Pessoa, Paraíba, nos dias 24, 25 e 26 de março deste ano. Entre
as sugestões apresentadas, destaca-se a ampliação de recursos para o Programa
de Bolsa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid). “Devemos apresentar
uma resposta a essas solicitações em aproximadamente um mês”, esclareceu
a secretária Maria do Pilar.
Portal do Professor:
2 mil acessos diários
Lançado há um mês, o Portal do Professor registra hoje mais de dois mil
acessos diários. Desde a inauguração, cerca de 40 mil pessoas já visitaram
o portal, que apresenta diversas funcionalidades. Ele tem hoje em torno
de 800 objetos educacionais distribuídos em áudios, animações e simulações,
vídeos, experimentos práticos e imagens que atendem o ensino fundamental,
médio e profissional. As páginas mais exploradas pelos usuários são as
de recursos educacionais, cursos e materiais, e a de espaço da aula. Lá,
os professores têm acesso não só aos conteúdos digitais como também a
roteiros de aulas. O secretário de Educação a Distância, Carlos Eduardo
Bielschowsky, destaca que os professores também podem montar sua própria
sugestão de aula mesclando os recursos disponíveis. “Criamos esse portal
com o objetivo de estimular os professores a tornar a sala de aula mais
interessante e dinâmica”, disse. Disponível na rede mundial de computadores,
o portal também já registrou acessos de outros 41 países, entre eles:
Estados Unidos, Portugal, Japão, Espanha, Argentina, Chile, França, Alemanha
e Holanda. O catálogo do portal dispõe de recursos educacionais em outros
idiomas. São, ao todo, 1.351 recursos publicados, nas línguas portuguesa,
inglesa e espanhola, e 5.928 estão sendo catalogados ou aguardando cessão
de direitos autorais para ser publicados. Outro dado interessante é que
cerca de 65% dos visitantes acessaram o portal por meio de referência
de outros sítios e apenas 8% por mecanismos de pesquisa.
14/07/2008
Governo quer 55 mil
escolas “conectadas” até 2010
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou ontem, dia 9, que até
o final deste ano cerca de 18 mil escolas públicas contarão com rede de
acesso à internet de alta velocidade. Até o fim do mandato do presidente
Lula (2010), a meta é atingir 55 mil escolas públicas. Costa participou
da abertura do 1º Fórum Latino-Americano de Inclusão Digital, promovido
pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.
Para o ministro, o alcance dessas metas, aliado a outras iniciativas do
governo, é uma "revolução em termos de inclusão digital". Estima-se que,
atualmente, apenas 3 milhões de usuários contem com banda larga no Brasil.
Outra iniciativa listada por Costa foi a intenção de ampliar a quantidade
de "cidades digitais", com rede sem fio (wireless) aberta a todos os usuários.
Ele citou o exemplo de Tiradentes (MG), que já oferece o serviço e obteve
uma melhora de 80% no rendimento escolar dos alunos. Apesar da ênfase
no acesso à infra-estrutura, os participantes do evento destacaram a necessidade
de se investir em outras áreas, como a capacitação de professores e desenvolvimento
de conteúdo. "Colocar computador é muito pouco", definiu o presidente
da comissão, deputado Walter Pinheiro (PT-BA). "Os usuários devem ter
condições de operar e melhorar as condições de vida", acrescentou. Hélio
Costa também destacou o programa "Computador para Todos", classificado
como "uma extraordinária vitória" do governo na universalização do acesso
ao computador para as camadas de menor renda da população. "Nestes últimos
dois anos, vimos o preço do desktop cair de R$ 4 mil para R$ 800, e agora
vamos buscar colocar pelo menos um ponto com internet de alta velocidade
em cada município brasileiro", acrescentou.
Humor pode melhorar
aprendizagem, diz especialista
O sentido do humor e seus múltiplos benefícios nas relações com idosos,
na integração de presos e no âmbito da educação são estudados por especialistas
internacionais reunidos nesta semana em Madri. Mais de uma centena de
pesquisadores do mundo todo participam do 20º Congresso da Sociedade Internacional
para os Estudos de Humor (ISHS), inaugurado na terça-feira, dia 8, e que
será encerrado hoje, 11. Foram apresentados diversos trabalhos que destacaram
como a estimulação por meio do riso traz uma série de benefícios para
a saúde. Agora, os analistas tentam aprofundar os conhecimentos sobre
como o humor pode melhorar hábitos de aprendizagem. A professora argentina
Mónica Guitart, da Universidade Nacional de Cuyo, explicou como aplica
o humor em sua classes como espécies de "pílulas motivadoras". Guitart,
que dá aulas de matemática a futuros engenheiros, indicou que tenta ensinar
utilizando brincadeiras ou cenas lúdicas que despertem o interesse ou
o debate entre os alunos. "O grande desafio como docente é que os alunos,
ao lembrarem das brincadeiras, evoquem os conceitos matemáticos que estão
nelas", afirmou. Guitart disse que, dessa forma, é mais fácil lembrar
de conceitos, pois estes "chegam por meio de emoções positivas, e não
só por meio de conhecimentos frios". A pesquisadora se referiu também
às reservas dos professores à utilização do humor em suas aulas, por medo
de que possam perder o controle dos alunos. Mas, segundo ela, quando os
mestres se dão conta de que o riso favorece a aprendizagem, "imediatamente
começam a aproveitar [essa ferramenta]".
Rede particular forma
mais de 70% dos professores
Mais de 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do país
se formaram em universidades privadas. Apenas em três áreas - francês,
química e física - há mais concluintes de instituições estaduais, federais
ou municipais, segundo estudo feito pelo Ministério da Educação (MEC).
Os números refletem a realidade do mercado do ensino superior brasileiro,
em que a maioria dos alunos freqüenta cursos particulares. Porém, em geral,
as instituições privadas têm notas mais baixas do que as públicas nas
avaliações oficiais. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, o grande
problema é que a maioria desses professores atua em escolas públicas,
comprometendo a qualidade do ensino. Hoje, 80% das funções docentes estão
nas redes estaduais e municipais. Haddad tem declarado que o aumento do
número de docentes formados em universidades públicas passou a ser seu
principal objetivo. Para isso, lançou programas, como o Reuni, em que
ofereceu mais verbas para universidades federais que aumentassem suas
vagas em licenciaturas.
07/07/2008
Senado aprova piso
de R$ 950 para professor
As Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Educação,
Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovaram ontem, dia 2, o substitutivo
da Câmara dos Deputados ao projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF)
que institui o piso salarial nacional de R$ 950 para os profissionais
do magistério público da educação básica. De acordo com o texto, explicou
a relatora da matéria na CE, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o piso salarial
dos profissionais do magistério público da educação básica será de R$
950,00 para 40 horas semanais de trabalho e o benefício será estendido
aos aposentados e pensionistas da categoria. O reajuste seria concedido
integralmente a partir de janeiro de 2010. Até lá, os profissionais receberiam
um terço da diferença entre o valor pago e o da proposta, a cada ano.
A matéria também determina que no mínimo um terço das 40 horas deverá
ser reservado a atividades extra-classe - o que, segundo Ideli, é uma
reivindicação "histórica" da categoria. Aqueles municípios ou estados
que não tiverem recursos para pagar os reajustes, explicou a senadora,
receberão da União a complementação dos valores, por meio de recursos
do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Atividades extracurriculares
melhoram auto-estima
Uma lei aprovada pelo Congresso Nacional institui o ensino da música nas
escolas públicas do ensino básico. A medida só aguarda a sanção presidencial
para entrar em vigor. No Rio de Janeiro, uma lei aprovada pela Assembléia
Legislativa estabelece o ensino do xadrez em todas as unidades escolares
da rede estadual de ensino. As duas medidas introduzem no processo de
aprendizado atividades extracurriculares, amplamente defendidas por educadores.
A sociabilização e o aumento da auto-estima das crianças e dos adolescente
são os principais benefícios das atividades extracurriculares, destaca
a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPP), Quézia
Bombonatto. "A criança que não consegue se sair bem nas disciplinas do
currículo formal fica com a auto-estima ruim diante do grupo. Mas ela
pode se sair muito bem nas outras atividades e isso se torna um motivo
de inserção", aponta a pedagoga. A lei federal ainda não entrou em vigor,
mas no Centro de Ensino Fundamental 03 do Guará, no Distrito Federal,
os alunos já têm aula de canto e coral, teoria musical, percussão corporal
e banda marcial.
Programa facilita
compra de laptop para professores
Professores das redes pública e privada de todo o país podem comprar laptop
de baixo custo e condições diferenciadas de financiamento. O Programa
Computador Portátil para Professor, lançado na última sexta-feira, dia
4, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília,
faz parte da política de informatização das escolas brasileiras. O programa
tem o objetivo de instalar computadores nas instituições de ensino, capacitar
professores e oferecer conteúdos educacionais. É uma parceria dos ministérios
da Educação, da Ciência e Tecnologia, das Comunicações, Correios e Casa
Civil com bancos e setor industrial. Entre as iniciativas do programa,
estão o Portal do Professor e o Banco Internacional de Objetos Educacionais,
novos instrumentos que vão auxiliar os professores na oferta de conteúdos
curriculares multimídia, além da instalação da banda larga nas escolas
públicas. Os computadores podem ser adquiridos à vista por até R$ 1 mil,
com frete e seguro inclusos, ou financiados em até dois anos. A estimativa
é de que o programa alcance cerca de 3,4 milhões de professores em atividade
da educação continuada, do ensino básico até o universitário. O projeto
não contempla professores fora da educação continuada, como cursos pré-vestibulares,
escolas de música e de idiomas e academias de ginástica.
01/07/2008
Ibope: 45% acham
escola pública boa ou ótima
A maioria dos brasileiros acredita que o ensino particular no país oferece
mais qualidade do que o público, aponta pesquisa divulgada pela CNI/Ibope.
Segundo a enquete, 74% dos entrevistados avaliam o ensino particular como
"ótimo ou bom", enquanto apenas 45% aplicam esse mesmo patamar para as
escolas públicas. A pesquisa mostra que somente 3% dos entrevistados avaliam
o ensino particular como "ruim ou péssimo". Por outro lado, 23% do total
avaliam que o ensino nas escolas públicas não é de boa qualidade. Os níveis
básico e fundamental da rede pública recebem, na pesquisa, os piores índices
de avaliação --ambos com as menções de "ótimo e bom" abaixo de 50%. Em
contrapartida, os ensinos básico e fundamental nas escolas particulares
receberam na pesquisa avaliações de "ótimo e bom" superiores a 70%. A
avaliação das escolas públicas melhora apenas no que diz respeito ao ensino
universitário ou técnico/profissionalizante --ambas acima dos 50% com
"ótimo ou bom". Otimismo Apesar do pessimismo em relação ao ensino público,
a pesquisa mostrou que os brasileiros estão otimistas para o ano de 2008.
Segundo a pesquisa, 80% dos entrevistados acreditam que este ano será
"bom ou muito bom", enquanto apenas 20% avaliam que 2008 será um ano "ruim
ou péssimo". Em março deste ano, na edição anterior da pesquisa CNI/Ibope,
81% dos brasileiros também avaliaram que o ano de 2008 será "bom ou muito
bom" e 18% consideraram que seria "ruim ou péssimo".
Estudo: jantar
com pais leva crianças a notas melhores
Um estudo britânico afirma que crianças inglesas que sentam à mesa junto
com os pais todas as noites para jantar obtêm notas melhores na escola
do que as demais. O levantamento intitulado "As atividades e experiências
das crianças de 16 anos na Inglaterra em 2007", publicado pelo departamento
de Crianças, Escolas e Família do governo britânico, foi feito com 20
mil alunos ingleses. "Há uma forte relação entre refeições regulares à
noite com a família e o desempenho no GCSE (os exames escolares feitos
por todos os secundaristas na Grã-Bretanha)", afirma o relatório. "Metade
dos que quase sempre têm uma refeição com a família à noite obtiveram
nota 8 ou superior no GCSE, comparado com quase um terço das crianças
que quase nunca têm (refeições com a família à noite)." As estatísticas
indicaram que uma boa relação dos filhos com os pais tem resultado direto
no desempenho escolar. A pesquisa sugere ainda que as crianças que têm
limite de horário para sair à noite têm desempenho melhor na escola. Segundo
os dados, 60% das crianças com notas altas tem hora determinada pelos
pais para voltar para casa. A pesquisa também traz dados sobre um problema
que preocupa muitos pais na Inglaterra e nas demais nações da Grã-Bretanha
- a intimidação das crianças por demais colegas. "Em média, aqueles que
disseram ter sido intimidados foram substancialmente pior nos seus testes
de GSCE do que aqueles que não foram (intimidados)", afirma o relatório.
"Aqueles que disseram ter sido intimidados têm o dobro da probabilidade
de não estar empregado, estudando ou em treinamento aos 16 anos."
Brasil tem 3.234
municípios com planos de educação
Mais de 3.200 municípios brasileiros já definiram como viabilizar a parceria
com o governo federal na área de educação para os próximos quatro anos.
Essas cidades já enviaram ao Ministério da Educação os seus Planos de
Ações Articuladas (PAR). O PAR é o abalizador para o apoio técnico e financeiro
do MEC aos municípios. Em 11 estados, com destaque para as regiões Norte
e Nordeste, 100% das prefeituras elaboraram os planos. O Plano de Ações
Articuladas compreende diagnóstico da realidade educacional do município
e planejamento de ações que levem em conta quatro eixos: gestão educacional,
formação de professores e de profissionais da rede pública, práticas pedagógicas
de avaliação e infra-estrutura física e recursos pedagógicos. Os 11 estados
onde 100% dos municípios já concluíram o PAR se distribuem entre as regiões
Norte (os seis estados), Nordeste (quatro) e Centro-Oeste (um). Na região
Norte: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima e Tocantins; na região Nordeste,
Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Sergipe; e no Centro-Oeste, Mato
Grosso do Sul. Nas regiões Sudeste e Sul se concentram os municípios com
menor porcentagem de envio dos planos. De Minas Gerais, 16,30% dos municípios
enviaram o PAR; de Santa Catarina, 23,89%; de São Paulo, 33,33%; e do
Paraná são 35,84%. De acordo com Romeu Weliton Caputo, diretor de articulação
e apoio aos sistemas da educação básica da Secretaria de Educação Básica
(SEB), dos 5.563 municípios, 3.234 já enviaram os planos, o que é uma
“resposta maravilhosa” à iniciativa do ministério, que começou com o lançamento
do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), e seguiu com as 27 caravanas
da educação básica realizadas de maio de 2007 a março de 2008.
16/06/2008
Dificuldade com
números é mais comum que dislexia
A discalculia, dificuldade para aprender termos matemáticos, é mais comum
que a sua versão com letras, a dislexia, revela um estudo realizado em
Cuba e divulgado em um congresso científico no Reino Unido. O estudo,
dirigido por Brian Butterworth, do Instituto de Neurociência Cognitiva
do University College London, junto com o Centro Cubano de Neurociência,
descobriu que, de 1.500 crianças examinadas, entre 3% e 6% mostravam sinais
de discalculia, enquanto a dislexia foi verificada em 2,5% a 4,3% das
crianças. Da mesma forma que a dislexia, a discalculia, que consiste na
dificuldade de aprendizagem de operações matemáticas ou aritméticas, pode
ser causada por um déficit de percepção visual ou problemas quanto à orientação
seqüencial. Considera-se que a dislexia é mais freqüente em países que,
como os anglo-saxões, têm um idioma com uma ortografia difícil. Ao apresentar
seu trabalho no Festival de Ciência de Cheltenham, Butterworth fez um
pedido às autoridades e educadores britânicos para que estejam atentos
aos sintomas da discalculia de forma que possam oferecer ajuda para aqueles
que a possuem. "Muitas pessoas talvez ignorem que sofram dessa condição.
Caso descubram essa dificuldade, não existem organizações que possam lhes
ajudar como existem para a dislexia", lamentou o professor. A dificuldade
com os números tem um impacto "nas oportunidades de trabalho e na saúde",
e os estudantes que sofrem dela "são infelizes", enquanto seus professores
se sentem impotentes ao não poderem ajudar, prosseguiu o especialista.
Alunos dão nota
7,1 para ensino médio
Apesar das várias avaliações que mostram que o ensino médio está muito
aquém do desejado, os alunos, ao analisarem a formação que receberam,
têm outro diagnóstico. No questionário socioeconômico que responderam
no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do ano passado, eles deram para
seus colégios nota média 7,1. Essa boa avaliação varia pouco conforme
o desempenho do aluno. Entre os que foram mal no exame, a média é de 7,2;
entre aqueles que foram bem, ela fica em 7,1. A análise das condições
de oferta do ensino e do corpo docente também são positivas na maioria
dos quesitos. Mercado de trabalho Um dos poucos itens em que ela é mais
crítica é a preparação para o mercado de trabalho. Para 52% dos estudantes
que já trabalhavam, os conhecimentos que eles adquiriram no ensino médio
não eram adequados ao que o mercado solicitava. Um percentual ainda maior
(73%) afirmou que o que aprendeu não tem relação com a profissão exercida.
A boa avaliação que os estudantes fazem de sua formação destoa do diagnóstico
em levantamentos oficiais. No Saeb (exame do MEC que avalia a qualidade),
por exemplo, as médias dos alunos do terceiro ano do ensino médio em português
e matemática chegaram, em 2005 (último ano com resultados já divulgados),
ao menor nível desde 1995. No Pisa (exame internacional que comprara o
desempenho de alunos de 15 anos em ciências, matemática e leitura), o
Brasil ficou nas últimas posições quando comparado com 57 países. Para
o presidente do Inep (instituto de avaliação e pesquisa do MEC), Reynaldo
Fernandes, a tendência de avaliar positivamente o ensino não acontece
só no Brasil. "No mundo inteiro, a avaliação dos pais ou dos alunos tende
a ser positiva. Nos EUA, por exemplo, mesmo em escolas mal avaliadas,
os pais tendem a ser mais condescendentes. No Brasil, outras pesquisas
também já demonstraram isso."
Ideb: em retrospecto,
dados não são tão bons assim
A melhoria no desempenho dos alunos do ensino fundamental de 2005 para
2007 é bem-vinda, mas deve ser celebrada com moderação. Olhando em retrospectiva,
os avanços recentes nem sequer são suficientes para nos colocar, em termos
de qualidade, no patamar -já lamentável- que estávamos em 1995. Na última
quarta-feira, dia 11, o Ministério da Educação (MEC) concentrou a divulgação
do Ideb no período de 2005 a 2007. Faz sentido, já que o indicador foi
criado no ano passado para monitorar as metas estipuladas até 2022. É,
portanto, um índice que olha para o futuro. Esse olhar para o passado,
porém, pode ser feito considerando apenas as médias dos alunos nas provas
de português e matemática -o Ideb, além de considerar essa dimensão, leva
em conta também os índices de aprovação. Na comparação, o otimismo com
as melhorias recentes se dissipa um pouco com a constatação de que em
apenas uma prova -a de matemática na 4ª série- os resultados de 2007 são
melhores do que os de 1995. Nas demais, as médias em 2007 ainda ficam
abaixo das de 12 anos antes. O pior resultado é verificado no 3º ano do
ensino médio em língua portuguesa. Em 1995, o Saeb indicava um patamar
de 290 pontos nessa avaliação. Em 2007, o resultado ficou em 261 pontos,
ou seja, 29 pontos abaixo do patamar em que estávamos. De 1995 a 2006,
o Brasil conseguiu reduzir de 10% para apenas 2% a proporção de crianças
de 7 a 14 anos fora da escola. Essa inclusão, infelizmente, veio acompanhada
de queda nas médias dos estudantes. Agora que a cobertura se estabilizou,
chegou a hora de avançar e olhar para o futuro, mas sem perder de vista
que ainda precisamos recuperar este tempo perdido em termos de qualidade
da educação.
02/06/2008
Repetência atinge
44,8% dos alunos na Paraíba
A defasagem escolar na Paraíba atinge 44,8% dos alunos matriculados nas
escolas públicas e privadas do ensino fundamental em 2006. Segundo reportagem
do jornal Correio da Paraíba, cerca de 350 mil crianças e adolescentes
têm idade superior à adequada para a série que cursam. Em todo o País,
esse atraso atinge 28,6%. Na zona rural, o atraso atinge 48,9% dos estudantes
e há municípios como Santa Luzia, por exemplo, onde 73,8% dos estudantes
estão defasados. De acordo com especialistas ouvidos pelos repórteres
Cristina Fernandes e Katiúscia Formiga, a distorção idade-série é um dos
maiores problemas da educação no País e tem várias causas: má qualidade
de ensino, sistemas de avaliação inadequados, ingresso tardio das crianças
nas escolas e, principalmente, as elevadas taxas de repetência e evasão.
“A escola está cumprindo um papel assistencialista e o que está retendo
os alunos na escola é a merenda e o Bolsa Família. O aprendizado está
sendo deixado de lado. Quando há uma educação de qualidade e uma avaliação
contínua, as taxas de repetência e evasão diminuem e a distorção idade-série
também”, disse a professora de Didática e Avaliação da Aprendizagem do
Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Izolda Ayres
Viana Ramos. Na Paraíba, o índice de abandono dos estudos é de cerca de
10%, contra 8,9% em todo o Brasil. A evasão é parecida: a taxa está em
9,8%, a terceira maior do Brasil. Em todo o País, a taxa de evasão é de
6,9%.
Ipea divulga estudo
sobre infra-estrutura escolar
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou um estudo que
demonstra a relevância dos chamados insumos escolares (computadores, material
didático, qualidade dos professores, qualidade de infra-estrutura, quantidade
de alunos por sala) nos resultados da educação brasileira. Segundo a pesquisa
O Impacto da Infra-Estrutura Escolar sobre a Taxa de Distorção Idade-Série
das Escolas Brasileiras de Ensino Fundamental - 1998 a 2005, um investimento
básico em insumos escolares aumentaria gradativamente a qualidade de ensino
em escolas municipais, estaduais e federais. "Nossa indagação, quando
fizemos o estudo, era se os alunos de uma escola que não possui sequer
luz elétrica teriam o mesmo desempenho de alunos em uma escola com infra-estrutura
básica, como computadores. O resultado é que o investimento básico em
insumos escolares faz, sim, muita diferença", afirma o autor da pesquisa,
Sergei Soares. O estudo aponta que a principal deficiência no ensino brasileiro
está nas escolas rurais municipais do Nordeste, e que as condições precárias
de ensino somadas à falta de infra-estrutura básica, como conhecimento
técnico dos professores, banheiros ou energia elétrica, contribuem para
o resultado negativo. Sobre o período em que os alunos vão à escola, Sergei
alerta que o tempo de permanência é um fator significativo para o bom
desempenho dos alunos. "As escolas brasileiras têm poucas horas de aula.
Algumas adotam apenas 3 horas diárias. As horas de permanência em sala
de aula são muito importantes para o aprendizado", afirma.
Unesco: 83% dos
alunos têm professor insatisfeito
Os professores brasileiros, com exceção apenas de seus colegas uruguaios,
são os mais insatisfeitos com seus salários, segundo um relatório divulgado
ontem pela Unesco, no comparativo entre 11 países em desenvolvimento.
No estudo, 83% dos alunos do ensino primário (equivalente, no caso brasileiro,
aos quatro primeiros anos do ensino fundamental) estão em classes cujos
docentes se declararam insatisfeitos com os salários. O relatório também
mostra, como já evidenciado em outros estudos da Unesco, que as taxas
de repetência no ensino primário no Brasil destoam, e muito, das de outros
países. No Brasil, a repetência chega a 19% dos alunos no ensino primário,
mais que o dobro da verificada no segundo país com maior percentual, o
Peru, com 8,8%. O estudo da Unesco, intitulado "Um Olhar para o Interior
das Escolas Primárias", faz parte do programa WEI (sigla, em inglês, de
Indicadores Mundiais de Educação), que monitora a educação em países em
desenvolvimento. Sobre o alto grau de insatisfação dos professores brasileiros
com seus salários, o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny,
destaca outro dado do relatório, que mostra que o percentual de alunos
cujos professores trabalham em mais de uma escola chega a 29% no Brasil,
o maior entre todos os países analisados. Não por acaso, os outros dois
países com maiores percentuais nesse quesito são Argentina e Uruguai,
onde igualmente o nível de insatisfação com o salário chega a mais de
80%. "Todo mundo que trabalha sabe que uma dupla jornada afeta o desempenho.
Isso tem certamente impacto em sala de aula", diz Defourny. A professora
Sandra Aparecida Martins Ferreira, 38, concorda. Ela leciona tanto na
rede estadual quanto municipal na zona leste de São Paulo. As nove horas
e meia de trabalho diárias lhe rendem ao final do mês R$ 2.200. "É muito
pouco, considerando o desgaste que temos. Os alunos vêm cada vez mais
com problemas familiares e nós não conseguimos desenvolver o que desejamos.
É frustrante", diz Sandra, que dá aulas para estudantes de 1ª a 4ª séries.
26/05/2008
Prefeitos assinam
plano para melhorar educação
O município de Piraquê (TO) está entre os 1.242 que obtiveram os mais
baixos índices de desenvolvimento da educação básica (ideb) no Brasil.
Com apenas 18 anos de existência, Piraquê tem uma população de 3.014 habitantes
e apenas 10 escolas. O prefeito da cidade, Olavo Julio de Macedo, esteve
em Brasília, onde assinou o Plano de Ações Articuladas (PAR), espécie
de roteiro do que deve ser feito para melhorar a qualidade da educação
no município. Para o prefeito, a principal demanda da cidade é por ônibus
escolares. Para atender aos alunos da cidade, é preciso alugar cinco ônibus
por preços que variam de R$ 4 mil a R$ 4,8 mil por mês. O gasto total
com o aluguel dos veículos ultrapassa R$ 20 mil. “Se não precisasse alugar
os carros, eu poderia investir esse dinheiro em uma capacitação melhor
para os meus professores” argumentou o prefeito, que solicitará o financiamento
com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
para a aquisição de dois ônibus escolares. A maior parte dos habitantes
de Piraquê – cerca de 70% – mora na zona rural e as crianças dependem
do transporte para ir a escola. “Temos cinco assentamentos rurais nos
arredores da sede do município e apenas dois ônibus da prefeitura, fora
os cinco alugados”, explicou o prefeito. Segundo o gestor, muitas crianças
de Piraquê caminham cerca de três quilômetros até o ponto de ônibus para
depois seguir viagem por cerca de duas horas. Ele esteve em Brasília juntamente
com outros 2.077 prefeitos de todo o Brasil, que vieram à capital federal
para as comemorações de um ano do Plano de Desenvolvimento da Educação
(PDE). Para os 1.242 municípios que, como Piraquê, obtiveram os mais baixos
Ideb´s do país, foram liberados recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão, tudo
para garantir que os moradores desses locais possam contar com um bom
aprendizado. No caso da cidade tocantinense, o prefeito também veio solicitar
a construção de laboratórios de informática com recursos do ProInfo. Nenhuma
das 10 escolas públicas da cidade tem laboratório e os alunos, em grande
maioria, nunca tiveram contato com a internet. "Meu município é muito
novo e muito carente de infra-estrutura", explicou o prefeito.
Ensino fundamental
registrou aumento de matrículas
Grande parte dos esforços nesse primeiro ano do Plano de Desenvolvimento
da Educação (PDE) concentrou-se na educação básica. A educação infantil,
por exemplo, recebeu R$ 361 milhões para a construção de 515 creches em
499 municípios. O repasse veio por meio do programa Proinfância, que financia
a expansão da rede física de atendimento e até R$ 2010 prevê investimento
de R$ 800 milhões. O relatório também destaca o aumento do percentual
de matrículas no novo ensino fundamental de nove anos, de 32% para 44%
nesse primeiro ano. Com a mudança, a previsão é de que aos seis anos a
criança esteja no 1° ano do ensino fundamental, concluindo a etapa aos
14. O Centro-Oeste registrou o maior aumento entre 2005 e 2007, com crescimento
de 244%. O relatório não aponta grandes avanços no ensino médio, classificado
como "o elo mais frágil da educação básica". Para cumprir uma das metas
do PDE, a alfabetização plena de todas as crianças até os 8 anos de idade,
o MEC criou em 2008 a Provinha Brasil. O exame já está sendo aplicado
nas próprias escolas e permitirá, em um primeiro momento, avaliar as habilidades
relativas ao processo de alfabetização dos alunos. O principal objetivo
é evitar que crianças cheguem à 4ª série do ensino fundamental sem domínio
da leitura e da escrita. Outra mudança foi a instituição do Educacenso,
sistema online que mantém um cadastro único e centralizado de escolas
da rede pública e privada, docentes, auxiliares da educação infantil e
estudantes. A ferramenta foi utilizada pela primeira vez em 2007 e contabilizou
53 milhões de alunos na educação básica 46 milhões na rede pública. Antes
a contagem era feita por escola, com 200 mil formulários preenchidos à
mão.
Desemprego entre
jovens é 3,5 vezes o dos adultos
A taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é 3,5 vezes a dos adultos,
revela estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
A publicação mostra que o Brasil lidera o ranking de maior proporção de
jovens entre os desempregados em uma lista de dez países, que inclui Argentina,
México, Alemanha, Espanha, Itália, França, Grã-Bretanha, Suécia e Estados
Unidos. Em 2005, os jovens representavam 46,6% do total de desempregados,
um patamar superior ao de países como México (40,4%) e Argentina (39,6%).
Segundo o estudo, não apenas a taxa de desemprego dos jovens no Brasil
cresceu ao longo dos últimos 15 anos como ainda avançou mais do que a
taxa de desemprego dos trabalhadores adultos. "Os jovens representam uma
proporção cada vez maior dos desempregados", diz o estudo. De acordo com
Roberto Gonzalez, pesquisador do Ipea, uma das hipóteses que justificam
a maior dificuldade dos jovens para ingressar no mercado de trabalho é
o preconceito das empresas em relação aos trabalhadores menos experientes.
"O mercado de trabalho melhorou no Brasil nos últimos anos, mas a melhora
foi menor entre os mais jovens, o que justifica a necessidade de políticas
públicas para tentar assegurar o lugar desses trabalhadores no mercado",
disse. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
corroboram a percepção de que, de fato, ficou mais difícil para o jovem
de 15 a 24 anos encontrar trabalho. Segundo Cimar Pereira, gerente da
PME (Pesquisa Mensal de Emprego), a participação dos jovens no total de
desempregados nas seis maiores regiões metropolitanas do país passou de
45,7% em março de 2002 para 46,8% em março deste ano. Em março de 2002,
22,9% da população em idade ativa tinha de 15 a 24 anos. Em março deste
ano, esse patamar caiu para 19,4%. "Houve um aumento claro da desocupação
nessa faixa etária", resume. O desemprego entre jovens não é um problema
restrito ao Brasil. Nos países europeus, a taxa de desemprego dos jovens
começou a crescer nos anos 1980. Nos anos recentes tem havido uma pequena
reversão desse fenômeno, motivada tanto pelo menor desemprego juvenil
como pela redução da população economicamente ativa nestes países.
19/05/2008
Brasil gasta 57%
do "mínimo" com ensino médio
No Brasil, o valor gasto por aluno na rede pública não é suficiente para
custear recursos mínimos para as escolas - como bibliotecas, professores
com ensino superior e material didático. A falta de dinheiro na educação
foi traduzida em cifras por pesquisadores brasileiros em parceria com
as organizações internacionais Unicef, ActionAid e Save the Children.
Segundo o índice CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), a estrutura básica
para o ensino médio custaria, em 2005 - ano utilizado como base para o
estudo - R$ 1.645 anuais. No entanto, o país gastou 57% desse valor -
R$ 939 - em 2004, dado mais recente fornecido pelo órgão. Nesse caso,
o déficit chega a 75%. Já nas outras séries, cai a distância entre o valor
mínimo recomendado pelo estudo e o praticado no país em 2004. No ensino
fundamental 1 (1ª a 4ª séries), o CAQi é R$ 1.618, enquanto o país gasta
R$ 1.359; para o fundamental 2, o valor mínimo sugerido era de R$ 1.591,
e o gasto por aluno foi de R$ 1.374. Em estudo da OCDE (Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 34 países desenvolvidos
e emergentes como Turquia, México e Chile, o Brasil é o que menos investe
por aluno. Segundo Rezende Pinto, professor de Educação da USP (Universidade
de São Paulo) em Ribeirão Preto, para que os estudantes brasileiros tenham
o "básico", "é necessário destinar à educação 1% a mais do PIB (Produto
Interno Bruto) nacional". O país destinou 4% do PIB para o setor, em 2004,
segundo o MEC. Por meio de assessoria de imprensa, o MEC informou que
"não comenta esse tipo de estudo", mas que "concorda que o investimento
feito por aluno está abaixo do necessário". "Tanto que o ministro Fernando
Haddad pede, reiteradamente, aumento de repasse do PIB para a educação",
segundo a assessoria.
Livro didático:
orientação ao professor
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) estabeleceu
uma série de orientações para ajudar os professores da rede pública na
escolha do livro didático do ensino médio para 2009. Para cada disciplina,
por exemplo, os professores terão de optar por dois livros, de editoras
diferentes. Caso não seja concretizada a aquisição da primeira opção,
a escola receberá os livros da segunda. Por isso, o FNDE reitera que a
segunda opção deve ser tão criteriosa quanto a primeira. As escolas também
podem optar por não receber livros de nenhuma das disciplinas ou de alguma
delas. “Mas quem não fizer a escolha dentro do prazo vai receber os livros
mais escolhidos no município ou estado”, afirma Sonia Schwartz, coordenadora-geral
dos programas do livro. Todas essas alternativas constam da circular de
instruções do Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio (Pnlem),
na página eletrônica do FNDE. A circular também esclarece sobre o uso,
guarda e sigilo do login e da senha para acesso ao sistema de escolha.
Apenas uma pessoa ficará responsável, em cada escola, pelo envio das informações
ao FNDE e por alterações durante o período de indicação dos livros. Prevalecerá
sempre o último registro efetuado.
Histórias ajudam
crianças a desenvolver linguagem
O costume antigo de ler histórias e fábulas para as crianças ajuda a que
elas adquiram a linguagem mais cedo. De acordo com o estudo do pediatra
norte-americano Barry Zuckerman, da Escola de Medicina da Universidade
de Boston, esta é de fato a melhor maneira de ajudar os pequenos a inclusive
serem melhores alunos no futuro. A pesquisa foi publicada nos Archives
of Disease in Childhood e demonstra que ler em voz alta para crianças
em idade pré-escolar dá a elas melhor bagagem lingüística, o que se tornará
uma vantagem nos anos escolares, mais adiante. "O estudo confirma que
o estímulo linguístico nos primeiros anos de vida da criança é fundamental
para a aquisição da linguagem", comentou Stefano Vicari, responsável pela
Unidade Operativa Complexa de Neuropsiquiatria Infantil do Hospital Bambin
Gesù de Roma. Ele destaca, além disso, que a narração dos pais é um meio
muito forte de troca emotiva com a criança.
12/05/2008
Unesco: Brasil
está longe de atingir metas de educação
O Brasil ainda não está "nem perto" de atingir as seis metas do compromisso
Educação para Todos, estabelecido durante a Conferência Mundial de Educação
em Dacar, no ano 2000. A conclusão é do Relatório de Monitoramento de
Educação para Todos Brasil 2008, elaborado pela Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco). "Seguindo o mesmo
ritmo, o Brasil não vai atingir as metas até 2015", diz a consultora do
estudo Angela Rabelo Barreto. Segundo ela, embora o País tenha avançado
em alguns pontos, como a educação primária, a evolução não tem sido suficiente
para que alcance as metas estabelecidas. Uma das principais preocupações,
de acordo com Barreto, é com a taxa de analfabetismo, que vem reduzindo,
mas em ritmo lento. "Há risco de o Brasil não alcançar a meta de redução
de 50% da taxa de analfabetismo que tinha em 2000", disse. O relatório
da Unesco aponta que a taxa de alfabetização passou de 84,4% em 1995 para
88,9% em 2005. Para cumprir a meta do Educação para Todos, o Brasil deverá
apresentar em 2015 uma taxa de analfabetismo de cerca de 6,7%. "Essa meta
dificilmente será atingida se o ritmo de redução permanecer o mesmo da
última década", aponta o documento. A pesquisadora destaca, no entanto,
que o relatório foi feito com base em dados de 1990 até 2005, e não levou
em conta as ações governamentais que estão sendo implementadas atualmente
na área de educação. "Essas perspectivas não refletem as políticas atuais,
então, o que está sendo feito hoje no campo da educação pode reverter
esse quadro com grande probabilidade", diz. No lançamento do relatório,
o ministro da Educação, Fernando Haddad, também ressaltou ações recentes
como o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e reconheceu que ainda
há muito o que fazer.
Ensino médio pode
ter Sociologia e filosofia
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou o projeto
4/08 de modificação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases), que propõe incluir
obrigatoriamente as disciplinas de sociologia e filosofia no currículo
do ensino médio. A matéria, de autoria do senador Valter Pereira (PMDB-MS),
segue para votação no Senado com pedido de urgência. Na avaliação da senadora
Ideli Salvatti (PT-SC), a inclusão de sociologia e filosofia no currículo
do ensino médio é importante "para dar uma formação mais completa e humanista
ao jovem". As disciplinas estavam há 37 anos excluídas dos currículos
pelo regime militar.
Piso nacional de
R$ 950 para professores é aprovado
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos
Deputados aprovou, em caráter conclusivo, o piso salarial nacional de
R$ 950 para professores do ensino público infantil, fundamental e médio
nos três níveis (federal, estadual e municipal). A votação seguiu o parecer
do relator, deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), que acatou emenda apresentada
pelo deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), estendendo esse piso para os aposentados
e pensionistas do magistério público da educação básica que tenham ingressado
no serviço público até 2003. O piso de R$ 950 foi estabelecido em substitutivo
da Comissão de Educação e Cultura aos projetos de lei 7431/06, do Senado,
e 619/07, do Poder Executivo. O PL 7431/06 previa piso de R$ 800 para
profissionais com nível médio e de R$ 1,1 mil para os habilitados em nível
superior. Já o projeto do Executivo estabelecia um salário mínimo de R$
850 para professores. De acordo com o substitutivo, o piso deve ser adotado
gradativamente até janeiro de 2010. Como houve alteração do texto, o projeto
retorna agora para análise no Senado, a não ser que haja recurso para
votação pelo Plenário da Câmara.
05/05/2008
Educação básica:
Brasil está em 76ª no ranking mundial
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) divulgou uma pesquisa que aponta o Brasil na 76ª posição, entre
os 129 países avaliados, do ranking da educação básica. Com o Índice de
Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) de 0,901, o País se encontra
entre os 53 países que estão em uma posição intermediária quanto ao alcance
de metas como universalização do ensino primário, alfabetização dos adultos,
paridade entre os sexos e a qualidade da educação. O documento destaca,
no entanto, que são grandes as desigualdades entre pobres e ricos no acesso
à educação infantil. Em 2005, das crianças de até 3 anos de idade entre
os 20% mais pobres, apenas 8,6% estavam em creches. Entre os 20% mais
ricos, esse percentual era de 27,6%. Na faixa etária de 4 a 5 cinco anos,
os percentuais eram de 52,2% e 85,7% respectivamente. No indicador que
trata do cuidado com a primeira infância, o relatório aponta que a taxa
de mortalidade infantil vem registrando quedas significativas no Brasil,
mas que a média nacional, em 2005, era de 22,6 por mil nascidos vivos.
Na área da educação pré-escolar, o relatório mostra que, em 2005, o atendimento
a crianças de até 3 anos era o que ainda se apresentava mais incipiente
no Brasil, com o acesso de apenas 13% dessa parcela da população ao ensino.
Foi registrado um pequeno aumento da taxa em relação à de 1999, que era
de 9,2%. Entre as crianças brasileiras de 4 a 6 anos, houve crescimento
no acesso ao ensino na comparação com 1999, quando a taxa de freqüência
era de 60,2%, passando para 72,7% em 2005.
Ensino médio terá
novo modelo
Fazer com que o jovem na faixa dos 15 aos 17 anos se interesse pela escola
e que a escola permita ao jovem descobrir suas potencialidades. Estes
são desafios discutidos por um grupo de trabalho formado por especialistas
da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e do Núcleo de Assuntos Estratégicos
da Presidência da República. As discussões buscam delinear um projeto
pedagógico para que o ensino médio se torne mais atrativo ao estudante
e leva em conta, entre outros aspectos, a organização curricular, formação
docente e o ingresso no ensino superior. O ensino médio tem sido definido
pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, como o elo frágil da educação
básica. O diretor de concepções e orientações curriculares da SEB, Marcelo
Pereira da Silva, concorda com o ministro e acredita que, atualmente,
o ensino médio deixa de cumprir sua função principal – formar a juventude
para um mundo em descoberta – na medida em que é orientado especialmente
para o ingresso ao ensino superior. A intenção do grupo de trabalho é
que esta etapa de ensino ofereça ao estudante diversas perspectivas de
futuro. “Isso significa pensar o ensino médio que garanta ao aluno sólida
formação, e possibilite a ele conhecer o mundo da ciência, da cultura,
do trabalho e da tecnologia”, afirma Marcelo. Para isso, os membros do
grupo resolveram envolver a comunidade na discussão e reativaram o fórum
nacional de coordenadores do ensino médio, com representantes de todas
as secretarias estaduais de educação.
Elevação do PIB
poderá mudar educação
O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com 40 programas em andamento,
e a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) a ser aplicado na educação,
de 3,9% para 6%, são as principais estratégias do Ministério da Educação
para promover uma revolução na qualidade na educação pública. Esse caminho
foi apresentado na última quarta-feira, dia 30, pelo ministro Fernando
Haddad, ao receber da Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco) o relatório de monitoramento da Educação
para Todos 2008. Para Haddad, o PDE, que conta hoje com a adesão dos 27
governadores e de 5.400 prefeitos, traz um conjunto de 40 programas que
procuram atacar cada uma das debilidades dos sistemas de ensino, desde
a educação infantil até a pós-graduação. “Com metas claras e rumos definidos,
caminhamos para transformar a educação em política de Estado, que não
muda de governo para governo”, explicou. Sobre os prazos para atingir
as metas, o ministro disse que o Brasil trabalha com pelo menos três datas:
O Plano Nacional da Educação (PNE) tem metas a serem cumpridas até 2011;
a Unesco fixou metas para 2015; e o PDE, para o bicentenário da independência
do Brasil, 2022. “Vamos cumprir boa parte das metas do PNE, as metas da
Unesco estamos muito próximos de cumprir”, disse. Na opinião do ministro,
“o mais difícil, que vai exigir mais esforço do país, intensa mobilização,
sensibilização da sociedade, responsabilidade dos gestores públicos, são
as metas de 2022”.
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do Marcus De Mario
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