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Família Em Busca do Elo Perdido Algumas reflexões sobre o valor da família na sociedade. Bruno Zaminsky Vários analistas da sociedade humana, entre eles antropólogos, sociólogos, psicólogos e filósofos afirmam que a família é uma instituição falida e barreira para o progresso humano, prevendo um futuro, no terceiro milênio, nada bom para o ser humano. defendem a liberdade do homem em suas relações com o outro, inclusive no campo sexual, proclamando que a família restringe a liberdade humana. Para eles, o terceiro milênio deverá conhecer novas formas de relacionamentos entre os seres humanos, deixando a constituição da família em segundo plano. Contrariando essas projeções pessimistas, que insistem em dizer que a família está em extinção, o sociólogo inglês Michael Willmott, um dos criadores da Fundação Futuro, especializada em estudar o que está por acontecer no mundo, diz que tendo feito um estudo sobre a família no novo milênio, chegou à conclusão de que essa instituição terá vida longa. "Os laços familiares estão cada dia mais fortes e a tendência é se tornarem ainda mais sólidos no próximo século". Ainda segundo ele "a família é e continuará sendo fundamental". Também na França, um exativista da geração hippie lançou um livro onde solicita á sociedade a retomada de comportamentos mais éticos entre seus componentes, e a adoção de limites nos relacionamentos sexuais, pois, segundo ele, hoje o homem está demasiadamente libertário e sem freios, precisando do modelo família para equilibrar-se novamente. Todas essas manifestações são válidas, tanto as que pregam a extinção da família, como as que a defendem e apontam seu futuro. São válidas porque nos levam à reflexão, ao salutar exercício de meditarmos sobre os valores que concebemos para a família, e assim olharmos para a família à qual pertencemos. Necessária reflexão para a busca do elo perdido entre a liberdade individual e a responsabilidade coletiva, entre o "eu" e o "outro". Nessa reflexão, sentimos a importância da família como espaço aglutinador de aspirações individuais solidárias, a partir do "eu amo você", estabelecendo relações de convivência entre seres que se encontram para construir ideais, pois o amor, no seu verdadeiro sentido de sentimento, não desagrega, antes une os seres entre si. É exatamente o amor o elo perdido, substituído pela falsa crença da exaltação da liberdade individual diante do casamento. Não que a liberdade do indivíduo deva ser sufocada, mas deve ceder espaço para o equilíbrio de uma relação a dois, deve se harmonizar com os novos direitos e deveres assumidos. A família, existente desde os primórdios da civilização humana, é uma instituição social em vias de transformação, abandonando o patriarcado centralizador e, após experimentar diversas formas de liberdade, encontrando uma estrutura mais adequada de convivência interna, daí a constatação do sociólogo inglês de que "os laços familiares estão cada vez mais fortes", pois é no lar, é com os familiares que procuramos arrimo para nossas dores e solução para nossas aflições. Os que pregam a extinção da família querem a volta do homem à animalidade instintiva, esquecidos das consequências desagregadoras, individuais e coletivas, de tal postura. Quem ama verdadeiramente, entrega ao outro profundos sentimentos, e assim, criando elos de simpatia, de afeto, de ideais, forma a família que o novo milênio haverá de assistir plenamente consolidada, pois essa família constituirá a sociedade humanizada e espiritualizada do futuro. |
Análise&Crítica |