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Família Há Fumaça no Quarto O problema das drogas e a educação na família. Bruno Zaminsky Quando os pais se
dão conta que seu filho ou filha está envolvido com tóxicos,
normalmente o quadro já é de complicação.
O envolvimento com as drogas está avançando e a situação
requer medidas fortes, como internação, ajuda de psicólogos
e outras. Mas, quando foi que tudo começou? Não existiram
sinais? Se existiram, e sempre existem, como os pais não se deram
conta disso? Procura-se a causa, ou causas, e os pais reclamam combate policial efetivo aos traficantes. Os pais exigem da escola uma postura de rigidez e esclarecimento. Os pais querem maiores espaços públicos de lazer e esporte para seus filhos. Os pais querem...muitas e muitas coisas, sempre dos outros, ou das organizações sociais, só não querem de si mesmos. Não exigem
de si mesmos uma auto-educação refletida nos seus próprios
exemplos aos filhos. Não exigem de si mesmos disciplina que oriente
a liberdade diante da vida. Não exigem de si mesmos as horas de
convívio para o diálogo, para a troca de experiências.
Não exigem de si mesmos a responsabilidade pela educação
moral de seus filhos. Os alunos desfilam pela escola exibindo maus comportamentos: desrespeito, violência, abuso, desleixo, indisciplina, indiferença e tantos outros maus comportamentos, que a lista ocuparia todas as linhas que pudéssemos escrever, todos eles trazidos de casa, ou seja, do lar, no aprendizado da família e que, naturalmente, acabam sendo muitas vezes reforçados pelo ambiente social e escolar, pois cidadãos deseducados não podem educar os jovens que iniciam o exercício de sua cidadania. Entretanto, quando
tudo começou? Teve início
no berço, quando os pais não corrigem más tendências,
ou quando incutem na criança ainda pequena maus hábitos.
Prossegue na infância quando brinquedos, televisão e alfabetização
são mais prioritários que orientação moral.
Continua na adolescência, quando esses mesmos pais se omitem perante
as questões dos relacionamentos intrapessoais e interpessoais,
descuidando da formação do caráter, do equilíbrio
psicológico dos filhos. Consolida-se quando na juventude tudo é
lícito, e todas as conseqüências são desculpadas.
E termina na madureza, quando o orgulho, a vaidade e demais vícios
estão plenamente instalados, alimentando a teimosia e o desculpismo. Devo estar dando a
impressão de muito amargor no coração. Em absoluto,
não é isso. é que diante das reportagens, das estatísticas
e do discurso de pais e professores - discurso esse procura mascarar a
verdade - não consigo ficar calado. Quando olho para os
alunos, sentados e engalanados para a cerimônia de graduação,
todos esperando o famoso diploma, procuro dirigir-lhes uma palavra sobre
o sentido da vida. Procuro atingir-lhes os sentimentos, mostrar-lhes que
viver é muito mais do que experimentar sensações
de prazer, pois as sensações passam e a vida continua. E quanto aos pais?
Muito diálogo e a tentativa de encontros onde a tônica é
a formação de seus filhos, a partir de ações
no núcleo familiar. A fumaça dos tóxicos começa no quarto, o mundo em que vive o filho, ilhado no mar da má educação em que se tornou boa parte das famílias deste nosso país. Lembro, com bom otimismo, que o socorro a uma pessoa ilhada pode ser feito com um simples barco a remo, e o socorro ao filho pode ser feito com um simples diálogo amigo. |
Análise&Crítica |