|
|
||
|
Família Erotismo, Sexualidade e Vida A sensualização das crianças e os sentimentos. Bruno Zaminsky Basta um olhar mais
demorado sobre pais e filhos andando por uma rua movimentada para observarmos
que as meninas vestem roupas sumárias, agarradas ao corpo, com
batons e botinhas da moda, quase sempre utilizadas por apresentadoras,
cantoras e atrizes da TV. Os meninos utilizam bermudas abaixo da cintura
e as adolescentes aderiram à calça sem cintura e a pequenas
blusas. Não podemos nos admirar, diante desse quadro, quando vemos
os índices assustadores de gravidez e aborto na adolescência. Nas escolas os professores
homens passam por situações constrangedoras diante das minisaias
das alunas e de seu comportamento erotizado. Comportamento esse que é
muitas vezes reforçado por professoras que são mais cuidadosas
com seu corpo do que com o ensino e a educação que ministram. Mas a escola é
a apenas a ponta da questão. A causa da erotização
precoce de meninos e meninas desde a infância está na superposição
do ser humano. Expliquemos: o ser humano refez a escala de valores da
vida, elegendo como mais importante a satisfação imediata
daquilo que lhe dá prazer, e não há nada mais imediato
do que satisfazer os instintos do corpo: a beleza física, o prazer
sexual, a alimentação exótica, etc. A beleza física,
particularmente, possui "força monetária": abre
as portas sociais, consegue favores, seu uso rende economicamente e socialmente. A sexualização
do ser é hoje um fato assumido pela sociedade. Homens e mulheres
são objetos de uso sexual, trocando de parceiros constantemente.
Esse fato, entretanto, não respalda um comportamento que é
mais animal do que racional, mais instinto do que sentimento. Os pais estão
roubando a infância de seus filhos, erotizando-os sem haver necessidade
disso, porque transferem a eles falsos valores da vida. E crianças
e adolescentes ocupam psicólogos e psicanalistas. E jovens "ficam",
separam-se, violentam-se, suicidam-se, num sem fim de dramas morais, porque
esgotaram precocemente suas forças físicas, perderam o sentido
profundo da vida e não encontraram ideais sólidos, em seu
núcleo familiar, que reposicionassem os valores humanos. O erotismo, a sensualidade
e o prazer sexual de forma controlada e natural, fazem parte da vida,
mas a responsabilidade, o idealismo, o convívio fraterno, o amor
enquanto sentimento, também, e estes últimos deixam muito
melhor nosso viver. Como podemos perceber e professores, psicólogos e psicanalistas são unânimes em suas opiniões, a raiz do problema da erotização precoce da infância está na família, nos valores e modelos que ela elege para seu viver. E se já detectamos a causa e o lugar, só nos resta trabalhar para inverter essa situação. |
Análise&Crítica |