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Família Elas Só Precisam de Um Abraço A importância do afeto para o bom desenvolvimento emocional. Bruno Zaminsky Televisão ligada
e lá estava na tela o rosto de um ator mirim interpretando um personagem
carente, num filme que você assiste numa tarde de algum dia em que
o destino lhe dá um descanso. Benditos são esses dias, verdadeiros
bálsamos da alma sedenta de paz. Mas, a televisão está
ligada e o personagem infantil expressa a principal de suas angústias:
"Eu não tenho pai nem mãe, não tenho quem me
dê um abraço!". Não sei contar
a história do filme, já que não o assisti desde o
começo e nem presenciei seu final, que deve ter sido feliz como
sempre são as histórias do cinema e da televisão,
mas sei contar histórias de crianças com pai, mãe,
lar e sem um único abraço de carinho. Sei contar histórias
de crianças sem lar, desconhecendo os próprios pais e que,
abrigadas por organizações sociais, nem assim conhecem o
aconchego de um abraço. Mas sei de histórias felizes, recheadas
de abraços, demonstrações de carinho, plenas de vida
e amor. Diz-nos um amigo que
não sabe mais viver sem receber abraços dos familiares,
dos amigos, de tanto que eles representam para sua felicidade. Conta-nos
um professor que a melhor maneira de reconciliar alunos e provocar a união
é colocar em prática a pedagogia do abraço: que todos,
em sala de aula, num determinado momento, abracem-se, aconcheguem o colega,
sintam o outro, e tudo passa: as mágoas vão embora e a amizade
se estabelece. Entretanto, nosso
personagem alerta: "não tenho um pai e uma mãe que
me dêem um abraço; não tenho um peito amigo para aconchegar
minha cabeça; não posso sentir as batidas do coração
desse alguém que me acolha nos momentos de dúvida ou de
felicidade; não tenho braços firmes que me sustentem na
caminhada da vida; não tenho quem me dê exemplos; estou sozinho.
Por que você, que caminha ao meu lado, não me dá atenção,
não me abraça? Sou criança, quero ser feliz, quero
conhecer esse sentimento tão bonito que se traduz através
de um abraço". O abraço de
uma professora em cada um dos seus alunos, acompanhado de palavras de
incentivo. As crianças,
que nós já fomos - e como nos é grato recordar esse
passado - querem de nós demonstrações de carinho,
de ternura, de amor, e nada melhor para entregar-lhes esses sentimentos
do que um abraço apertado, aconchegante, a dizer: "eu estou
com você!". Podemos não
ser o verdadeiro pai ou a verdadeira mãe, mas é preciso
sempre lembrar que a criança está procurando quem lhe dê
amor, não importa quem seja, motivo pelo qual choramos quando vemos
professores duros de coração, frios, insensíveis,
transmissores passivos de conteúdo curricular. E choramos também
quando vemos pais e responsáveis tratando as crianças com
indiferença, como "coisas" incômodas que atrapalham
suas vidas. Meus queridos pais,
meus amados professores, então vocês não sabem que
uma criança que não conhece um abraço de carinho,
está a meio caminho para ser um adulto insensível? Escutem a expressão dessa criança-personagem, ela está representando todas as crianças do mundo que só precisam de um abraço para viverem plenas no sentimento do amor. |
Análise&Crítica |