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Família

O Que Fazer Com a Sexualidade

Bruno Zaminsky

Dou início a este artigo contando uma história verídica, relatada por uma médica ginecologista minha amiga, e também professora universitária. Ainda um tanto quanto em estado de perplexidade, pois tinha há pouco vindo da clínica médica, contou-me que sua última paciente fora uma menina de catorze anos, cujo estado era o de gravi-dez. E aconteceu o seguinte diálogo:

_ Minha filha, você está grávida.
_ Agora é que é o problema - disse a menina.
_ Por acaso o pai não vai querer assumir? - perguntou a médica.
_ Não é isso, não, doutora.
_ São seus pais? Não vão aceitar?
_ Não, é que não sei quem é o pai.
_ Isso é possível de saber - disse-lhe a doutora - pelos exames podemos calcular quando aconteceu a gravidez.
_ Esse não é o problema, doutora, pois eu sei quando fiquei grávida.
_ Ora, minha filha, se você sabe o dia em que engravidou, você também sabe quem é o pai.
_ Aí é que está o problema. Nesse dia, eu transei com cinco colegas lá na escola.

Foi nesse momento que minha amiga médica e professora ficou perplexa. No mesmo dia, durante o período de aulas, a menina havia praticado o ato sexual, dentro da escola, com cinco colegas estudantes. Isso mesmo, na escola, em dia de pleno funcionamento.

Alguns professores, diretores e pais certamente não ficarão perplexos como ficou minha amiga, e acrescentarão: ora, essas coisas de drogas, sexo, violência são comuns lá na escola em que trabalho ou tenho meu filho matriculado, e sei do mesmo quadro em muitas outras escolas. E mais: são jovens, estão com toda energia, não dá para controlá-los.

Os que fazem esse discurso arrastam consigo uma visão distorcida da vida e dos valores das relações humanas. O ser humano não é um objeto de consumo para satisfação do instinto do prazer sexual. É alguém dotado de delicadas percepções, de sentimentos, de psiquismo, de inteligência. Precisa apenas fazer o aprendizado da transcendência, pois o sexo pelo sexo o brutaliza, torna-o um quase animal, e esta não é uma comparação das mais justas, pois mesmo no campo sexual os animais são, muitas vezes, mais racionais que os homens.

Não somos objeto, somos gente.

Se a escola considera que nada há que possa fazer, então temos que a escola não serve mais como instituição social promotora da educação, devendo ser substituída por alguma outra organização social existente ou que venha a ser criada, pois sexualidade também é fato gerador de educação, de medidas educacionais que orientem e previnam, ou vamos ficar assistindo os acontecimentos?

Por um tempo, trabalhando numa universidade pública (mas também ocorre, talvez menos, em universidade particular), deparei-me com casais jovens em pleno ato sexual, em corredores, salas mais afastadas e outros lugares, abusando da intimidade, sem constrangimentos. É o prazer pelo prazer, sem medir conseqüências (e elas aí estão: gravidez indesejada, aborto, mães solteiras, doenças sexuais, aids. etc.). São jovens, mas já foram adolescentes, que por sua vez já foram crianças. Onde tudo começou?

A sexualidade faz parte do ser humano, é uma energia, e como toda energia precisa de controle, de canalização, pois somente assim poderá construir. De outra forma provocará destruição, de si e dos outros.

O tema educação da sexualidade, com transcendentalidade, precisa ser debatido para gerar pauta de ação, tanto na escola quanto na família. Ou vamos continuar a assistir o filme da sexualidade transgredida para ver como fica?


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