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Família

Pais e Professores

Bruno Zaminsky

É comum ouvirmos professores do ensino básico queixando-se dos alunos, e colocando a culpa da falta de limites, por exemplo, na família, ou seja, os pais e responsáveis são culpados pelos males que afligem a escola em nossos dias. E assistimos coordenadores pedagógicos recomendarem aos pais que encaminhem seus filhos ao fonoaudiólogo, ao psicólogo, ao psiquiatra e outros profissionais especializados. Interessante essa postura por parte dos professores, pois entendem que a escola está fazendo o que é possível, mas a família...

Digo que a postura é interessante pelo fato dos professores se ausentarem da condição de pais, pois que a maioria é pai ou mãe, possui filhos, que estão na escola. Será possível, na escola, ser professor - o profissional da educação - e, apesar de também ser pai e/ou mãe, omitir essa condição?

Os professores precisam entender que são, ao mesmo tempo, pais e mães, pertencem aos dois núcleos sociais: escola e família, e que esse pertencimento faz deles, no dia-a-dia, educadores em tempo integral. Lembremos que se eu, professor também pai ou mãe, acuso a família pelos males educacionais, estou me acusando, já que igualmente faço parte do conjunto chamado família.

Os pais - e os responsáveis - devem procurar entender melhor seu papel na criação dos filhos. Não podem simplesmente transferir a educação para a sala de aula de uma escola. Há um bom tempo temos feito isso, e as conseqüências não são positivas.

Pais e professores, família e escola, devem realizar esforços na integração dos cuidados com as crianças e jovens, realizando ambos a tarefa de educar. Essa tarefa não se resume no ato de ensinar, de passar exercícios, de cobrar o dever de casa, pois se estende pelo estimular o pensamento crítico, pelo desenvolver todo potencial do ser em crescimento, pelo formar e orientar o caráter. Infelizmente assistimos escolas, e são muitas escolas, de todos os níveis, paradas no tempo, repetindo procedimentos tradicionais.

Infelizmente assistimos famílias, e são muitas famílias, de todos os graus sociais, repetindo usanças de tempos passados. Se existem procedimentos e usanças que as culturas, com o passar do tempo, cristalizaram, e o progresso científico-pedagógico desaprova, é hora de mudanças. E por que resistem tanto, escolas e famílias, às transformações? É que o já estabelecido é mais cômodo, e toda mudança exige primeiro a atitude da própria mudança, no pensar e agir.

Temos lutado muito, e com certa inglória, para realizar mudanças no ensino, renovando práticas, mas a procura por "status" e altos rendimentos financeiros, tem sacrificado a renovação e preparação de um futuro mais promissor, no caso das escolas particulares, que lotam salas de aula com carteiras enfileiradas, mesmo padrão utilizado pelas escolas públicas, só que por outro motivo: a universalização e democratização do ensino. A quantidade, nos dois casos, antes que a qualidade.

Voltemos às considerações iniciais, pois dissemos que os professores que também são pais, são educadores em tempo integral.

Isso porque esse professor deve olhar seus alunos como verdadeiros filhos, dependentes dos seus ensinos, das suas orientações, dos seus exemplos, do seu carinho. E deve olhar seus filhos como verdadeiros alunos, sedentos de apoio, estímulo, orientação e amor.

A guerra estabelecida entre os professores e os pais é ilógica, não possui base. Uma e outra parte devem acenar com a bandeira da paz e unir esforços, pois os educandos - alunos e filhos - não são máquinas informatizadas, são seres humanos, são gente, como sempre afirmou com lucidez nosso genial Paulo Freire.

Divergências são naturais, mas daí a construir um muro separador entre as duas instituições educadoras, e entre os dois agentes humanos dessa educação, é dar mostras de uma certa insanidade, de uma loucura de caráter personalista e egoísta, destruidora dos mais sagrados objetivos da educação. Daí, os problemas, e mais problemas...


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