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Família Cenas de Educação Familiar O comportamento no lar e as atitudes na sociedade. Bruno Zaminsky Nem sempre as pessoas
param um instante na vida para analisarem seu comportamento no lar, dentro
de casa, junto aos familiares e, principalmente, com as crianças
e adolescentes. E se não costumam fazer isso em casa, mais raro
é faze-lo na rua, entre seus passeios e compromissos diversos.
Escrevo sobre isso porque acostumei-me a observar o comportamento alheio
e o meu próprio com relação aos menores de idade,
e coleciono de memória cenas felizes de serem recordadas, mas também
cenas lamentáveis, as quais recordamos para fazer um alerta aos
pais e responsáveis. Como nem tudo na vida
é miséria, iniciemos com uma cena feliz. Do lado oposto a essa
cena bonita, observamos uma gritaria vinda de apartamento vizinho e, logo
em seguida, o choro de uma criança, menina de seus seis anos. A
mãe, enérgica, ditava ordens, ameaças, enquanto a
filha soluçava, aflita, sem conseguir explicar-se. É uma
cena lamentável, de deseducação, de uso da violência
moral, a pior violência que existe. A mãe não poupou
a filha com classificações nada recomendáveis, falando
alto para que os demais familiares (e vizinhos) ouvissem. Rebaixou moralmente
a própria filha e depois, com certeza, irá indagar do desprezo
que a menina, então mais crescida, lhe devota. Essa mãe, na
verdade essas mães, porque a cena é mais cotidiana do que
se pode imaginar nos lares de nossas cidades, não está cumprindo
o papel que lhe cabe de educadora, a primeira e mais importante educadora
de sua filha. Elas normalmente queixam-se dos filhos: dizem que eles são
insuportáveis, desobedientes, bagunceiros e assim por diante, entretanto
não olham para si mesmas: egoístas, desleixadas, orgulhosas
e querendo ter todo o tempo só para si, pela lei do menor esforço. Já ouvi muitas
vezes esta expressão: "Não sei porque fui ficar grávida!".
Lamentavelmente é uma frase carregada de verdade. Muitas ficaram
grávidas apenas porque se entregaram ao prazer do sexo, ocorrendo
então o "acidente" da gravidez. Não se sentem
compromissadas com o fruto desse prazer, e a criança-filho é
sempre "a coisa que atrapalha". Somos defensores da
criação, nos postos de saúde, nas escolas, nas instituições
religiosas e comunitárias, de cursos da família, com o objetivo
de preparar os pais para o casamento e a educação dos filhos,
dando-lhes noções básicas, principalmente, de educação
moral. esses cursos devem ser dados para os jovens, antes de casarem,
e para aqueles pais que não se sintam seguros com os compromissos
advindos do casamento. Esses cursos, ou grupos de discussão, se
já existissem em larga escala, teriam em muito contribuído
para uma mudança ma sociedade atual. As cenas de educação
familiar seriam bem outras, tenho certeza, e os adolescentes não
seriam "aborrescentes", nem os jovens tão largados, indiferentes
e com pouco amor à vida. Deixo aqui minha sugestão.
Espero que próximas cenas sejam mais amenas - procurarei uma bem
estimulante como bom exemplo - e que esta crônica provoque não
apenas reflexão, mas atitudes, porque é delas que necessitamos
para a transformação da sociedade. De discursos, já
os temos em boa quantidade. Encerro depositando minha esperança no pai embalando seu filho no colo, naquelas palavras amigas e afetuosas que seus lábios transmitiram direto do coração para o coração daquela criança. Cena delicada e profunda, bela e cheia de sentimento. |
Análise&Crítica |