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Família

Os Pais e a Educação dos Filhos

Bruno Zaminsky

É preocupante o quadro atual de nossa juventude. No ensino universitário, nas diversas salas de aula em que compareço, encontro um ar de desesperança, apatia e indiferença em boa parte dos alunos. A maioria confessa estar ali por uma obrigação social, ou seja, ganhar um diploma e ser alguém na vida, enten-dendo-se isso como estar habilitado para exercer uma determinada profissão e ganhar dinheiro, de preferên-cia muito dinheiro. Claro, não são todos os estudantes que pensam dessa maneira, e nem todos estão desli-gados das responsabilidades da vida, mas hoje quase formam exceção à regra.

Interessante visualizar que os professores-pais, ou seja, aqueles que têm filhos, são, na sua maioria, indiferentes à questão da influência do ambiente doméstico no desenvolvimento das crianças, agora jovens estudantes universitários. Mesmo quando cientes disso, acomodam-se no campo da discussão teórica, e nem com os próprios filhos são capazes de empregar o que sabem sobre educação.

Já tive alunos filhos de colegas professores, e alguns bem que mereciam o que nossos pais e avós chamavam de "corrigenda". Entretanto, eram filhos de profes-sores! Não que todo filho de professor deva ser um santo, a individualidade deve ser sempre respeitada, contudo, por ser o pai ou a mãe um professor, espera-se que esse jovem tenha recebido uma boa educação. Isso deveria acontecer? Sim, se o pai-professor, ou mãe-professora, fosse antes um verdadeiro educador.

Não é a agressividade do jovem que preocupa. É o viver por viver, de forma imediata (o hoje é o que im-porta) e egoísta (para quê pensar no outro?). É a de-sesperança com o futuro da sociedade (se até agora não mudou, não sou eu que vou fazer a diferença). É a falta de ética em sua conduta (se é bom para mim, os outros que se "lixem").

De onde vem tudo isso? Só existe uma resposta: da educação promovida pelos pais junto aos filhos. Uma educação sem o devido acompanhamento dos bons exemplos. Uma educação sem contrapartida de construção de ideais de vida. Uma educação desplugada (é a linguagem moderna) de qualquer preocupação de ordem espiritual. Uma educação movida a interesses pessoais ou de grupo, sem ética, limites, disciplina. Uma educação sem responsabilidade, que não mede as conseqüências nem para o indivíduo, nem para a sociedade.

A educação desenvolvida na família é de fundamental importância para o futuro da criança, pois seu patrimônio moral, afetivo e psíquico, quando jovem, terá por base as aquisições realizadas na infância e na adolescência. Os pais devem lembrar que construir a educação durante esse período é bem menos trabalhoso do que reconstruí-la quando os filhos já estão plenos de si mesmos, tendo incorporado vícios de caráter.

Cabe a pergunta: é possível reeducar o jovem?

Sim, é possível, mas os professores são coadjuvantes nessa tarefa, e não é o mundo acadêmico do ensino superior que realizará esse trabalho, embora possa cooperar com mais eficácia do que vem fazendo.

Compete aos pais, ou outros responsáveis, refazer a educação dos filhos, muitas vezes numa caminhada dolorosa, mas necessária, e, de preferência, antes que os acontecimentos da vida se encarreguem, pela dor, de fazê-lo.

Que os pais iniciem a reeducação por si mesmos, ou seja, façam o exercício do autoconhecimento, procurando mudar concepções e hábitos, pois o exemplo é uma grande força educativa. Em seguida é necessário construir, ou reconstruir, o diálogo, sem cobranças, sem imposições. Outra atitude necessária é fazer-se presente na vida dos filhos, sem censuras ou recriminações, antes mostrando compreensão e afeto. E, é claro, está na hora de colocar limites, de transferir responsabilidades, de mostrar que os deveres cumpridos é que dão direito aos merecimentos. Finalmente, não satisfazer todos os desejos dos jovens filhos é uma regra muito importante da reeducação.

Se os pais fizerem sua parte, a transformação da ju-ventude será questão de tempo.


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