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Família

Os Pais e o Egoísmo dos Filhos

Bruno Zaminsky

Quando os filhos já são jovens adultos, ou seja, ultrapassaram os dezoito anos, muitos pais ficam surpresos com o exagerado egoísmo demonstrado por seus filhos.

Gastam o dinheiro da mesada ou do salário com compras particulares, de roupas e outras coisas, que servem apenas a si próprios. Não se preocupam em auxiliar as despesas da família.

Não medem despesas com o carro, mas só para as suas necessidades, entre elas festas e baladas, fican-do furiosos quando lhe pedem o carro emprestado.

Abarrotam o quarto com roupas, calçados, objetos os mais diversos, e dizem que, mesmo não mais os utilizando, eles devem ficar onde estão, pois dar para quem precisa é coisa de otário.

Criticam a vida de familiares e amigos, mas ai de quem ousar em reclamar alguma coisa deles mesmos, partindo muitas vezes para a agressão para defender os seus direitos.

Diante desses quadros, dos quais só retratamos alguns, os pais se perguntam onde erraram na educa-ção dos seus filhos. Como podem eles demonstrar tanto egoísmo se tudo foi feito para que se tornassem bons e honestos?

E, diante dessa pergunta, logo vem o autodesculpismo: é a índole má que, se antes não demons-trava, agora, adulto, coloca para fora, mostrando o que ele é realmente. Só esperava o momento e as condições propícias para eclodir. E arrematam: também, com toda essa má influência dos meios de comunicação e dos grupos sociais, não há mesmo como a edu-cação dada pelos pais prevalecer.

Sem dúvida que uma má índole pode permanecer por um bom tempo encoberta, camuflada, para despontar, ou melhor, para se mostrar por inteira apenas quando o indivíduo se sente seguro de si mesmo, o que muito ocorre quando ele chega na juventude. Entretanto, é bom lembrarmos que os pais são os res-ponsáveis pela formação moral dos seus filhos, cabendo-lhes prevenir futuros desvios através da educação.

A má influência proporcionada pelos meios de comu-nicação ocorre, e muitos são os jovens que se deixam enganar por propagandas tendenciosas, por filmes e também programas televisivos que defendem valores negativos, mas os meios de comunicação como jor-nais, revistas, rádio, tevê, cinema, internet possuem também o seu lado de influência positiva, assim creditar a má índole do seu filho exclusivamente ao poder da mídia é limitar demais a possível causa. E não compete aos pais acompanhar e trabalhar essa influência?

Mas, e os grupos sociais? Não são eles muitas vezes perniciosos para a formação do caráter do jovem? Não é a influência do meio que arrasta para as drogas, para as bebidas, etc? Se assim fosse, com exclusividade, deveríamos trancar nossos filhos em casa, não permitindo sequer sua freqüência à escola. Mas nenhum pai, em sã consciência, irá defender essa atitude. É a educação que deve mostrar aos nossos filhos o bem e o mal, que deve fazer com que desenvolvam o senso moral, sabendo escolher os verdadeiros amigos. Esse trabalho é responsabilidade dos pais.

Enfim, percebemos que as influências externas exis-tem e nem sempre são positivas, e que uma pessoa pode camuflar seu verdadeiro caráter por muito tempo, pelo menos ostensivamente na frente dos outros, mas compreendemos que nenhum desses fatores é decisivo para explicar o que são nossos filhos, agora adultos.

A melhor explicação, que não é exclusiva, mas sem dúvida de efeito devastador, é a má educação que os pais dão aos filhos.

Pequenos deslizes morais repetidos continuamente; falta de repreensão no momento certo; exemplos equivocados que instigam a desonestidade, a mentira e outros vícios do caráter; proteção exagerada aos atos dos filhos, mesmo que estejam errados; e outras atitudes se-melhantes, tudo isso somado e temos a melhor explicação para o egoísmo que caracteriza a atual geração, com suas exceções, é claro.

Os pais precisam avaliar sua própria educação, seus valores e seus exemplos, pois não há maior influência sobre os filhos do que a educação que se propicia no lar, no aconchego familiar. E devem estar atentos para as tendências de caráter que os filhos revelam desde o berço, tratando de renová-las quando más, ou reforçá-las quando boas.

Egoísmo se combate com bons exemplos, disciplina, trabalho, conduzindo nossos filhos para a responsabilidade coletiva, para a cidadania que se ergue nas bases sólidas da ética.


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