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Família

A Carreira Profissional dos Filhos

Bruno Zaminsky

Alguns sonhos fazem parte da vida dos adultos, e quando os adultos também são pais, os sonhos com relação aos filhos são inevitáveis, fazendo parte do coti-diano do casal.

Pensar sobre o futuro dos filhos, o que eles vão ser quando crescer, é natural, tanto da parte do pai quanto da mãe, que farão todos os esforços para dar o melhor de si mesmos e garantir assim um bom futuro às suas crianças. O problema está em sonhar e fazer todos os esforços para que o seu filho seja o que você deseja, sem respeitar as aptidões e desejos do próprio filho. Os conflitos serão inevitáveis, contudo, é possível conciliar os dois sonhos, às vezes três: o do pai, o da mãe e o do filho.

Os pais precisam compreender que, necessariamente, os filhos nem sempre terão as mesmas tendências e aptidões deles, nem sempre serão os herdeiros dos negócios, os continuadores do escritório de advocacia, por exemplo. Cada filho é uma individualidade, uma personalidade distinta, e isso precisa estar claro tanto para o pai quanto para a mãe, e que essa individualidade, com sua respectiva personalidade, precisa ser respeitada, precisa ter seu espaço de desenvolvimento.

Nada de sufocar tendências, de exigir continuidade a um padrão, de forçar a formação do filho para aquilo que eu quero, que eu, pai ou mãe, sonho.

Devem os pais inserir o filho no mundo profissional com naturalidade, deixando que ele mostre seus interes-ses e se empolgue, ou não, com os exemplos profissionais de seus pais. Sempre dialogando muito, os pais devem deixar claro que não pretendem forçá-lo a seguir essa ou aquela carreira profissional, ou que o forçarão a substituí-los nos negócios da família, pois suas opções serão respeitadas. Mas devem também deixar claros seus sonhos e desejos, sem provocar traumas, sem escondê-los, o que não é bom, para que não ocorra lá na frente aquela famosa conversa retratada em filmes e novelas:

O pai, ou a mãe: "Mas eu sempre sonhei em você ser...". E o filho, ou filha: "E porque você nunca me disse isso?".

Quantas discussões, separações familiais, e outras questões negativas no relacionamento não seriam evitadas, ou bastante minimizadas, se soubéssemos dialogar e não teimássemos em sonhar pelos nossos filhos.

Pois bem, agora chegamos a outra questão delicada: o filho resolveu-se por seguir um caminho profissional que desgosta os pais. O que fazer? Proibir? Encaminhá-lo para o que queremos e consideramos seja melhor, mesmo que ele não queira?

Não é recomendável forçar o que queremos, gerando discussões intermináveis, desgostos, mágoas, brigas, ressentimentos. Uma conversa franca, aberta, mostrando que, como pais, em primeiro lugar está o exercício da compreensão e, em segundo lugar, está o apoio à decisão, mesmo que nos contrarie, levará o filho a seguir seu caminho com coragem, sabendo que poderá mudar de rumo sem constrangimentos ou cobranças.

Nosso filho poderá ser um gênio da computação ou um premiado representante comercial. Poderá seguir nossos passos profissionais com brilhantismo ou mediocridade, poderá colecionar diplomas ou ser um atleta medalhista de ouro. E tantas são as opções, que é impossível descrevê-las.

Em tudo isso, mais importante do que a carreira profissional é o sonho dos pais em criar e educar os filhos para a honestidade, para os procedimentos éticos, para a cidadania consciente. Todos os esforços, e principal-mente todos os bons exemplos, devem ser feitos.

Que contribuição positiva para a humanidade poderá dar um profissional desonesto e corrupto? Ou um profissional que dá valor somente ao salário que recebe, sem comprometimento com o próximo e com a vida?

Se você é pai ou mãe e está lendo este texto, pense nisso, com muita seriedade. Você considera que mais importante para seu filho é a formação profissional para se dar bem no mundo e ser alguém na vida em termos sociais, ou mais importante é a formação do seu caráter?

Quero lhe dizer que, no meio universitário, nós, professores idealistas e que acreditamos no que fazemos, já estamos um tanto quanto cansados de receber alunos vazios de valores e sem rumo na vida. Pense nisso.


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