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Família
A
Educação é o que se Ensina na Escola?
Bruno
Zaminsky
Temos lido várias
entrevistas e artigos dos mais diversos educadores, abordando a educação
brasileira e seu sistema de ensino, notando que há um ponto comum nos
discursos: a educação não se restringe ao que a escola propicia, ela envolve
também as ações da família, dos grupos sociais, as influências dos meios
de comunicação.
Há também, embora não seja ponto comum, uma nova visão sobre a escola,
que ela deve ser mais participativa, aberta, criativa, e que os limites
devem ser gerados pela participação consciente de todos os que estão inseridos
nela: educadores, educandos, funcionários, pais e responsáveis.
A verdade é que o tema é antigo, já abordado, aqui no Brasil, pelos educadores
da escola nova nas primeiras décadas do século, e também trabalhado por
educadores como Paulo Freire, ou os que sempre se colocaram na vanguarda
através do construtivismo, isto para apontarmos apenas alguns educadores,
sem esquecermos do professor Anísio Teixeira, entre outros.
De fato, a educação não se restringe ao que se ensina na escola. A própria
experiência, e não é preciso ser professor para compreender isso, demonstra
que a educação é muito mais ampla que a instrução, e que a família possui
papel fundamental nesse processo.
O sistema de ensino brasileiro há muito tempo prioriza somente a instrução,
e hoje se vê às voltas com inúmeros problemas relacionados não ao ensino
propriamente dito - embora este também existam - mas ao com-portamento
de alunos e professores, aos relacionamentos de convivência, ou seja,
os maiores problemas enfrentados pela escola referem-se à ética e à cidadania.
Se devemos reformar o que se ensina e o como se ensina, é urgente também
reformar a filosofia de educação que rege esse ensino, e igualmente preparar
o jovem para o exercício pleno de sua cidadania, preparando-o para constituir
um lar, ter sua própria família e educar seus filhos, auxiliando a escola
na grande tarefa de formar, e não apenas de instruir.
Na conjugação do instruir com o formar está a educação. Na fusão da escola
com a família está o melhor caminho.
É de se esperar que novas idéias - e são tantas - venham arejar a educação
brasileira do novo milênio que se avizinha, entendendo os educadores de
todos os níveis que trabalhar a formação acadêmica não dispensa trabalhar
a personalidade, ou seja, trabalhar o ser humano que todos nós somos,
e que essa tarefa não compete somente aos especialis-tas, mas a todos
que detém em si a vara de condão da mágica arte de educar.
Iniciar pelo respeito à criança, ao adolescente e ao jovem - nossos alunos
- é um bom começo.
Implementar nossa auto-educação constante é outro passo de igual importância.
Renovar os métodos de ensi-no utilizando a criatividade e a expe-riência
concreta, é outro passo fundamental.
Estabelecer uma filosofia mais ampla e profunda para reger a arte de educar
é outra providência urgente.
Enfim, a educação é muito mais do que se ensina na escola, mas ela necessita
da escola com seu poder de instruir, assim como necessita da família com
seu poder de formar.
Quando a escola também fizer o que faz a família, e quando esta também
fizer o que faz aquela, então poderemos mudar o teor deste nosso escrito,
porque a educação será sim o que se ensina na escola. Por enquanto é sonho
com raras exceções.
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