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Família

Traumas na Infância

Atos de bondade e afetividade no lugar da violência

Bruno Zaminsky.

Assunto muito importante e oportuno é o que diz respeito à proteção da criança no próprio lar. As estatísticas mostram que o índice de espancamentos e outras violências físicas é muito grande, chegando a 8 mil mortes por ano, segundo dados oficiais. Calcula a UNESCO que diariamente 18 mil crianças são espancadas pelos seus pais ou responsáveis, em todo o Brasil.

Uma criança que é exposta a surras constantes, que é maltratada de diversas formas, além das seqüelas físicas, ficará com traumas emocionais e psicológicos de difícil superação, muitas vezes carregando esses traumas ainda na vida adulta. Grande número de crianças que vivem nas ruas são fugidas de casa, justamente por não mais suportarem os castigos corporais, ficando expostas a outros riscos e tornando-se um problema social grave.

Além da violência física, existe também a violência psicológica, muitas vezes sutil e com conseqüências devastadoras. Exemplifiquemos com alguns casos.

Ao lado da filha, a mãe conversava com vizinhas e, num dado momento, tecendo comentários sobre o desenvolvimento da filha na escola, exclamou: "Essa aí é uma burra, uma lesada, não vai ser nada na vida". Outro caso de violência psicológica ocorre quando os cônjuges estão em litígio e a mãe coloca os filhos contra o pai (e vice-versa): "Seu pai é um ignorante, um monstro, não sabe nem o que é amar os próprios filhos!". Ainda um caso sutil, muito comum, é quando a mãe ou o pai não compartilham as tarefas do dia-a-dia com os filhos: "Não mexa em nada, você não sabe fazer isso e vai acabar estragando tudo. Vai ver televisão e deixa que eu faço!". E para terminar, outro exemplo, tirado das cenas de deseducação familiar, assim mesmo, que presenciamos em plena rua, vendo mãe e filha a caminho do supermercado: "Como é, vai ficar nessa moleza? Se eu soubesse que você ia ser um peso, tinha deixado em casa". E assim essas cenas, acompanhadas de palavras impublicáveis, tapas, puxões de orelha e gritos, vão traumatizando a criança, complicando o seu processo natural de desenvolvimento intelectual e emocional.

Diante dessas cenas, como ainda nos surpreendermos com o atual estado comportamental da infância e da adolescência?

Se quisermos melhorar esse quadro, e temos de querer melhorá-lo, é preciso colocar nas nossas ações educativas a compreensão que a criança é um ser integral em desenvolvimento, e que esse desenvolvimento depende dos estímulos que recebe, entre eles o amor, o mais importante. É preciso reformularmos os cursos de formação de professores, assim como criarmos grupos de estudo ou mesmo cursos que preparem os futuros pais para a missão de educar seus filhos.

Os consultórios de psicologia, psiquiatria, fonoaudiologia e outros são necessários para tratar os traumas existentes, manifestados da infância à fase adulta, mas não podem prevenir, o que só pode ser feito pela educação, no lar e n a escola, desde que tenhamos a compreensão do que seja realmente educar, do que representa ser pai ou mãe, do que significam lar e família.

Não há cena familiar mais bonita e profunda do que aquela em que vemos a mãe e o pai aconchegarem os filhos com ternura, caminhando com eles, construindo em união o crescimento de um e de outro. Nesse caso, nenhum trauma será criado, mas belas recordações serão semeadas para o futuro.

Cuidado, portanto, com suas palavras e atitudes junto das crianças. E mais, muito cuidado com seus pensamentos, sobre como você a considera, pois lembre-se que você já foi criança e não há melhor maneira de educá-la do que atos de bondade, de ternura e de estímulos positivos para seu desenvolvimento.


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