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Família

A Criança quer Explicações

Responder as perguntas é um bom caminho para o entendimento.

Bruno Zaminsky

Lembro a existência, em meus tempos de adolescente, de uma enciclopédia que muito me ajudou nos estudos e nas descobertas sobre a vida, enciclopédia essa famosa naqueles tempos, o "Tesouro da Juventude". Estou com essa lembrança porque em seu último volume, se não me engano, ele trazia o "livro dos porquês", com centenas de perguntas iniciando com essa indagação e suas respostas. Lendo, eu sabia o porque disso e daquilo, compreendendo desde fenômenos da natureza até fenômenos sociais. Tenho, confesso, saudade desse tipo de literatura quando vejo pais e mães darem ordens a seus filhos, ou responderem às suas indagações com monossílabos ou a famosa expressão "porque eu estou mandando!".

Não sabem esses pais que a criança necessita de explicação para compreender porque sim ou porque não?

Se nós, adultos, necessitamos de explicações para compreender certas situações, certas necessidades, e somos adultos, quanto mais a criança, que não possui o desenvolvimento intelectual que possuímos.

Muitos pais recusam-se a dar explicações porque, confessam, sentem-se embaraçados em conversar com a criança, não conseguem entrar no mundo infantil, possuem dificuldade em escolher as palavras adequadas, ou tem vergonha de certos assuntos, como aqueles ligados à sexualidade. Para esses pais recomendamos o exercício do diálogo com seus filhos desde a infância, acostumando-se a tratar os mais diversos assuntos com eles.

Existem outros pais que recusam-se a dar explicações porque acreditam que a criança deve obedecer às suas ordens e que isso basta. Os filhos não são "burros" e, portanto, tem de compreender os reclamos dos pais. Isso não é verdade. A criança possui estágios de desenvolvimento psicológico, e até os sete anos não consegue desenvolver a contento raciocínios abstratos. Para esses pais recomendamos um pouco de estudo sobre a infância e menos arrogância.

Temos ainda aqueles pais que mantém seus filhos envoltos em fantasias, em histórias de fadas e bichos, ou entre brinquedos e brincadeiras, desviando-os de um contato maior com o mundo em que vivem, querendo preservá-los dos males sociais. Mas toda criança cresce, torna-se sucessivamente adolescente, jovem, adulto e vai deparar-se com os desafios do viver. Para esses pais recomendamos olhar seus filhos não como objetos, mas como seres humanos.

Finalmente, para todos os pais, uma advertência: cuidado com os exemplos diante dos filhos! Um bom exemplo vale mais do que mil advertências. Um mal exemplo derruba todos os sermões. Não é possível proibir qualquer ato de violência do filho na escola quando somos violentos dentro de casa. Essa regra vale para todas as situações, sejam domésticas ou sociais.

Toda criança quer saber porque não pode dizer palavrão; porque não pode bater no colega de escola; porque não pode...ou quer saber porque pode isso ou aquilo, ou como ocorre aquele e outro fenômeno. Isso é natural. Desnaturais são as atitudes que os pais tomam, fugindo a explicações que muito ajudariam o desenvolvimento intelectual e moral da criança.

Se você é pai, mãe, professor, avô, avó, enfim, se você é responsável por alguma criança, lembre-se: um dos maiores tesouros da infância é sentir que o adulto a seu lado é, antes de tudo, um amigo na estrada da vida.


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