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ESCOLA DO SENTIMENTO

Texto resumo criado pela equipe pedagógica do IBEM.

A Educação Moral para Formação do Homem
Compete à educação formar o homem, ou seja, desenvolver suas capacidades até o estado de perfeição, pois está nele mesmo, pelo ato da criação divina, todas as potencialidades. Não podemos conceber uma educação utilitarista, envolvida apenas com a transmissão do conhecimento, deixando o homem sem direção, esse homem que muito conhece mas não sabe de si mesmo nem da vida.
É na filosofia que rege a educação onde devemos primeiro fazer uma modificação, pois é ela o comando de todo o processo, substituindo a filosofia materialista pela filosofia espiritualizante. Como segundo passo necessitamos de uma nova visão, de um novo entendimento sobre a educação, que é a formação do caráter, a sensibilização dos sentimentos, o desenvolvimento das virtudes regendo a formação intelectual, e não o contrário.
Assim, estabelecemos que a educação moral significa:

  1. Formação do caráter;

  2. potencialização das virtudes;

  3. sensibilização dos sentimentos;

  4. direcionamento da inteligência para o bem; e

  5. construção do homem integral.

No modelo educacional Escola do Sentimento, que ora apresentamos, estabelecemos os fins, a metodologia e a orientação básica da educação moral para formação do caráter, para construção do homem total, para o equilíbrio entre o sentimento e a razão, destacando a importante função do amor, porque não pode existir educação fora do amor.
Se desejamos ajudar o homem na construção ideal de si mesmo e da sociedade mais justa e feliz, "isto só se pode conseguir por transformar suas escolas, tornando-as verdadeiros centros de educação nos quais as forças morais, intelectuais e físicas, que Deus colocou em nossa natureza, possam ser despertadas e desenvolvidas, de sorte que o homem seja capacitado para viver uma vida digna, contente em si mesmo e contentando os outros", como nos diz com toda propriedade o educador Pestalozzi.

Os Ideais da Educação Moral
O fim último da educação moral é levar o homem ao seu aperfeiçoamento.
Perfeição significa tudo saber e aperfeiçoar-se significa construção paulatina dessa perfeição, o que compete à educação. Não essa educação que ilustra a inteligência, mas a educação moral, que é a arte da formação do caráter.
Para trabalharmos os cinco significados da educação moral (ver capítulo 1) possuímos quatro agentes básicos:
1. Família, a primeira escola do homem, onde os pais e responsáveis devem dar bons exemplos estimulando a formação do bom caráter de seus filhos, auxiliando a escola na construção do ser, incentivando a prática das virtudes e reforçando o conhecimento.
2. Escola, estruturando os sentimentos do educando, trabalhando a intuição como base do desenvolvimento da inteligência, direcionando o intelecto para a prática da bondade, conjugando-se com a família no ato educativo do amor.
3. Sociedade, responsável por oportunizar as experiências facilitadoras da construção do homem total.
4. Auto-educação, levando o homem, a partir da intuição de suas potencialidades e do discernimento entre o bem e o mal, a consolidar virtudes e alcançar estágios superiores de seu aperfeiçoamento.

A Arte da Formação do Caráter
Nenhuma criança é igual a outra.
O educando viaja pela vida, sofre mil influências, troca experiências, adquire conhecimentos e desenvolve o senso moral de forma particular, individual. Um fato ou um ensino pode impressionar vivamente uma criança e nada despertar em outra. Os interesses variam ao infinito e a construção do ser não obedece o mesmo tempo nem o mesmo ritmo, motivo pelo qual podemos vislumbrar a construção do seguinte princípio:
A educação deve ser promovida de forma individualizada.
Mas isso não significa que deva ser promovida fora do ambiente coletivo, pois fomos criados por Deus para a vida social: ninguém é tão completo ou auto-suficiente que não dependa de outro para viver.
Podemos, portanto, ampliar o princípio, dizendo:
A educação deve ser promovida de forma individualizada dentro de um contexto coletivo.
E não pode ser promovida apenas através do ensino teórico, mas através de atividades que visem a participação do educando, para que este adquira experiência própria, desenvolvendo suas potencialidades. Eis mais um princípio:
Todo educando possui poderes naturais - potencialidades a serem desenvolvidas - com que Deus dotou suas criaturas.
Detrás da rudeza, do acanhamento, da aparente incapacidade do educando, escondem-se belas faculdades, preciosas virtudes e notáveis habilidades. Para despertamento dessas potencialidades é necessário:

  1. Utilizar as necessidades comuns da vida para ensinar aos educandos as relações das coisas;

  2. despertar a inteligência do educando instigando o uso do seu raciocínio;

  3. liberar as potencialidades do educando através da utilização das simples circunstâncias da vida doméstica, escolar e social; e

  4. 4. aplicar, por parte do educador, o afeto, sensibilizando o educando.

A escola deve, na medida do possível, levar avante a educação moral sem auxílio de meios artificiais, utilizando para o desenvolvimento do educando:

  1. A influência do ambiente natural; e

  2. as atividades da vida diária.

Toda atividade bem orientada desenvolve a inteligência e faz desabrochar o senso moral, e nada melhor que a própria vida como conteúdo do fazer escolar e do construir o homem.

Conduta do Educador
Para a realização plena desse trabalho, a escola precisa ter como parâmetro um projeto pedagógico bem desenvolvido, como aqui apresentamos, onde estejam abolidos os sermões, as pressões, os regulamentos impostos pela direção, os exercícios prontos e estejam implantados:

  1. A conquista e melhora dos sentimentos dos educandos;

  2. o despertamento nos educandos das nobres e puras qualidades morais; e

  3. o desenvolvimento dessas qualidades nas ações externas, através da atividade e da obediência consciente.

Assim, podemos estabelecer os princípios gerais reguladores da conduta do educador para o trabalho da educação moral:

CONDUTA DO EDUCADOR
Princípio
Conduta
1. Afeto Desenvolver o sentimento de simpatia e afeição dos educandos.
2. Ajuda Satisfazer-lhes todas as necessidades de cada dia.
3. Amor Imprimir em seus corações esse sentimento através do incessante contato.
4. Bondade Utilizar de calma e paciência na solução dos problemas.
5. Estímulo Desenvolver nos educandos as habilidades e raciocínios que os capacitem a fazer uso eficiente e constante deles em todas as relações e circunstâncias.
6. Natureza Estudar as questões do bem e do mal, fazendo com que os educandos se posicionem e se preparem com fatos reais como base para suas concepções de estética e arte, justiça e vida moral.
7. Convicção Crer no que faz, acreditar no processo da educação moral e comunicar isso ao educando através do entusiasmo e da perseverança.

Integração da Escola, Família e Sociedade
Como fazer a aproximação e integração entre a escola e a família?
Deverá partir da escola a iniciativa dessa aproximação, pois os educadores, unidos pelo modelo educacional, estarão conscientes da importância de conhecer a família de seus educandos; de fazerem da escola um ambiente familiar e de integrar os pais no processo educacional proporcionado pela escola.
Sugerimos os seguintes passos:

  1. Visita dos educadores aos lares de seus educandos;

  2. nessas visitas, apresentar-se e apresentar a escola, mostrando interesse em conhecer os pais;

  3. entregar folhetos explicativos sobre o trabalho educacional desenvolvido pela escola; e

  4. convidar os pais para visitarem a escola.

Estamos desenvolvendo a aproximação. Quando os pais visitarem a escola, proporcionar-lhes uma recepção calorosa, amiga, levando-os a conhecer as dependências físicas e as atividades em desenvolvimento, convidando-os à participação como colaboradores voluntários. De início, evitar a realização de reuniões formais, mas promover festividades, exposições, onde os pais podem se sentir à vontade e colaborar de forma espontânea, tendo a oportunidade de assistir seus filhos apresentando seu fazer escolar (e auxiliando-os nesse fazer).
Ultrapassamos a fase da aproximação e estamos em plena etapa da sensibilização.
Adentramos agora ao plano da ação, que possui duas vertentes:

  1. Ação pedagógica: participação dos pais nas atividades de estudo e pesquisa extra-classe, como se fossem segundos mestres, ao mesmo tempo que participam das reuniões de avaliação e planejamento pedagógico.

  2. Ação permanente: organização de festividades, exposições, etc., junto com professores e alunos, e doação voluntária de horas semanais em oficinas, na cozinha, no jardim, na horta e outros serviços permanentes da escola.

  3. Aproximação, sensibilização e ação dos pais, da família na escola, fazem parte de um processo contínuo, permanente, desenvolvido com amor, e que determina a integração escola/família.

Instrução e Educação: Metodologia
Para realizarmos com eficiência a educação moral devemos seguir um método, pois todo trabalho sem método tende a não alcançar seu fim, ou, se o consegue, o faz por caminhos mais difíceis que o necessário. Estamos, pois, falando da metodologia da educação moral a ser empregada pelo professor na sala de aula e por todos os educadores na Escola do Sentimento.
Iniciemos com um princípio geral, anunciado por Pestalozzi:
"Nobres e elevados pensamentos são indispensáveis para desenvolver sabedoria e firmeza de caráter."
O professor deve, através da auto-educação, estimular-se a enobrecer e elevar seus pensamentos, única maneira de, com firmeza, desenvolver seu saber e seu caráter, tornando-se assim, pela força do hábito, um exemplo a ser seguido, exemplo esse que contagia os educandos, tornando seu trabalho muito mais útil e profundo, pois os educandos compreenderão, por se tratar de uma verdade espelhada pela conduta do professor, que os exercícios, as vivências, as práticas, enfim, que o ensino não é falso, mas verdadeiro.
O ensino propiciado pela educação moral deve:

  1. Levar em consideração todas as aptidões em todas as circunstâncias; e

  2. ser feito com simplicidade e amor, prudência e autoridade.

Na Escola do Sentimento estes devem ser os princípios do ensino:

  1. A instrução subordinada à formação do caráter;

  2. ensino suscitando e fortalecendo nobres sentimentos; e

  3. a educação promovida mediante relacionamento constante com o educando.

Esse método nos leva a considerar a Escola do Sentimento, em seu proceder da educação integral, de duas formas:

  1. Como escola que propicia o estudo; e

  2. como escola que propicia o trabalho.

A Escola do Sentimento
Estes são os principais critérios para seu funcionamento pleno:

  1. Os alunos devem viver em liberdade

  2. As portas devem estar sempre abertas

  3. Horário integral

  4. Aulas com uma hora de duração e troca de sala por parte dos alunos

  5. Atividades e oficinas inclusos na grade curricular

  6. Dedicação ao trabalho livre

  7. O educando colaborador

  8. A coordenação pedagógica

  9. Ouvir os educandos e sensibilizá-los

  10. Diariamente reunidos

  11. A escola do sentimento em reunião familiar

  12. Vamos até a natureza

  13. É hora de festa

  14. A música sensibilizando o educando

  15. Adeus castigos...adeus recompensas

  16. E chegamos à disciplina

Se você quiser conhecer com profundidade a Escola do Sentimento, adquira a apostila de mesmo nome publicada pelo IBEM, através da nossa Central de Atendimento.

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