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Contando Histórias

Quanto Pesa a Dor

Kin Fu

Sempre que o vento sopra frio e as nuvens encobrem o sol, a dor moral que nos visita parece ficar mais aguda e pesada. Era assim que pensava o rei diante dos problemas do vasto império, agora que estava sob pesadas acusações de seus opositores.

Como é difícil contentar a todos! Quanta dificuldade para atender os reclamos de cada grupo! E as incompreensões às novas idéias eram tantas!
O rei cismava nesses pensamentos ao mesmo tempo em que contemplava o céu nublado através da imensa janela de seu gabinete de trabalho. Tudo parecia tão triste que o desânimo começou a tomar conta de si.

Foi então que seu olhos saíram do céu para vislumbrar o extenso jardim que adornava o palácio. As plantas, as flores, os gramados, as árvores pareciam não se importar com o tempo feio que o céu anunciava.

Continuavam majestosas, enfeitando com sua beleza a principal casa de serviço do império.

O rei lembrou que todos os dias essas mesmas flores, plantas, gramados e árvores suportavam a poda dos jardineiros, os abusos dos visitantes, o sol ardente, a chuva impiedosa e mesmo assim continuavam a servir sua beleza aos olhos de quem as observasse.

Pensar nisso fez bem ao rei. Sacudiu os ombros como se livrasse de um peso imaginário, lembrou dos amigos e das coisas boas de sua administração e resolveu continuar o trabalho, apesar das dificuldades.

O peso do desânimo é igual á erva daninha que se infiltra no jardim e não é retirada pelo jardineiro. Toma conta de tudo e destrói o trabalho já realizado.
Igual ao rei, sacode o desânimo de si mesmo e continua.

Olha para a natureza e sê como ela: trabalhando sempre para fazer da vida a arte do belo e do bem.

A dor moral só pesa para quem der importância a ela, foi a conclusão do rei.

 


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