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Contando Histórias Eu e Meus Filhos Mário Santini Cheguei à residência
do casal amigo no início da noite, onde ficaria para dormir antes
de partir para compromisso profissional naquela cidade do interior no
dia seguinte. Fui apresentado aos jovens filhos, um casal, que estavam
de saída para ir ao baile, afinal era abado à noite. Meu amigo iniciou
a conversa contando-me cenas que, ao mesmo tempo, são hilariantes
e reflexivas sobre a preocupação que todo pai tem para com
seus filhos. Disse-me ele: Sempre fui
muito preocupado com o dia em que minha filha me comunicasse o namoro
com alguèm. Por que? -
perguntei eu, ingenuamente. Eu ficava pensando
no tipo de garoto que ela iria me apresentar. Você sabe, eu não
gosto de homem que usa brinco ou qualquer outra coisa parecida no corpo.
E jurei a mim mesmo que se o jovem usasse algo assim eu não o aceitaria
como namorado de minha filha. Você
não acha isso puro preconceito? Pois é,
eu sei disso, mas quando ela chegou um dia e disse que iria me apresentar
um rapaz no fim da tarde, eu fiquei louco. Não consegui pelo resto
do dia me concentrar em nada, só pensava em como seria ele e que
atitude eu deveria tomar. E como foi
essa apresentação? Meu amigo deu um sorriso
amarelo e prosseguiu: Pois é,
sabe que o namorado, o tal jovem, era bem simpático, comportado...Tudo
o que eu sempre tinha imaginado para minha filha, o príncipe encantado
perfeito. E você
deve ter ficado muito feliz. E como! Até
o casamento dela comecei a sonhar. Nesse momento senti
vontade de intervir e dar-lhe uns bons conselhos, pois ele estava tirando
a liberdade da própria filha, mas resolvi calar e ouvir o resto
da história. Seis meses
depois eles desmancharam o namoro. Fiquei arrasado e voltei a ficar com
as mesmas preocupações de antes. Mas você
precisa entender que essa época dos pais escolherem os maridos
e as esposas dos filhos já passou... E você
pensa que eu não entendi? Minha curiosidade
ficou aguçada e fiz a pergunta fatal: Como? Foi aqui mesmo
nesta sala. Eu não queria deixar os dois irem ao baile num clube
por causa da violência, das drogas e tudo o mais. Meu filho então
me perguntou como eu havia conhecido sua mãe. Respondi sem pensar:
Foi num baile!. Bem, amigo leitor,
você já pode imaginar o inusitado da cena. Meu companheiro
de conversa finalmente entendera o que estava fazendo e pediu sinceras
desculpas aos filhos. Preocupações
com a vida dos filhos todos os pais tem, mas decidir sobre a vida dos
mesmos e escolher até suas companhias reflete um passado da história
humana que deve ser superado. Melhor é ser um amigo orientador, do que um pai autoritário e de difícil diálogo. Podemos sonhar à vontade sobre o futuro de nossos filhos, mas quem deve viver o sonho são eles, senão estamos sujeitos à grande contradição em que caiu meu amigo, não é mesmo? |
Análise&Crítica |