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Contando Histórias O Mais Profundo do Ser Kin Fu O homem olhava pela janela de sua casa a folhagem das árvores irem e virem ao sabor do vento. As folhas dançavam fazendo espetáculo de rara beleza no alvorecer de mais um dia. Onde estariam os pássaros? Decerto escondidos e abrigados nos refolhos das árvores, utilizando sua plumagem em defesa natural. Pétalas de flores percorriam a rua, impulsionadas pela força da ventania. Então, espontaneamente, o vento falou ao homem: _ Que fazes dentro de tua casa? Sem espanto, com serenidade, o homem respondeu: _ Observo tua ação sobre a natureza. E ouviu, como se o som vibrasse em sua mente: _ E o que farás de tuas observações? O homem pensou por alguns instantes, e respondeu: _ Sinceramente, não sei, pois até este momento apenas observava. E ouviu um lamento: _ Pobre homem que não sabe porque vive. Estranhando o lamento, o homem redargüiu: _ Você se engana, ó vento, pois bem sei porque vivo, apenas não sei o que vou fazer de minha observação particular à tua ação. E mais o vento assoprou, e disse: _ Não, meu amigo, tu é que te enganas. _ Não, eu não me engano - disse o homem, em tom indignado. _ Posso provar-te! _ Pois se assim é, desafio-te. Depois de alguns segundos onde apenas o assobio do vento era audível, voltou o homem a escutar aquela voz misteriosa. _ De onde vieste? _ Do ventre de minha mãe. _ Resposta errada, pois vieste do seio e da vontade daquele que tudo criou e que o homem só pode admirar e palidamente copiar. _ E como posse saber se esse ser, que chamamos Deus, existe? O vento não se fez esperar e respondeu: _ De onde vieram as estrelas? Respondeu o homem: _ Da natureza. _ E de onde veio a natureza? _ Do universo. _ E de onde veio o universo? _ Da explosão da matéria. _ E como pôde a matéria, após a explosão, distribuir-se logicamente, formando com perfeição tudo o que existe, seguindo leis exatas? O homem sentiu-se perturbado. O raciocínio o deixava intranqüilo, pois nunca houvera refletido com maior profundidade sobre o assunto. E o vento soprava lá fora. Então, o homem ouviu: _ Pobre homem, que pensa tudo saber e nada sabe. Então, indagou: _ E o que devo fazer para saber mais? Respondeu o vento: _ Sai, vem sentir o frescor de minha ação e deixa-te levar pelo meu canto, pois assim, aguçando teu eu espiritual, compreenderás tudo aquilo que ainda te é mistério. E assim fez o homem. E ele se foi, e ninguém mais o viu. Depois ele voltou, e fez-se mestre, ensinando que todos nós precisamos aprender com a canção do vento. |
Análise&Crítica |