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Contando Histórias

Na Vida Nada se Perde

Mário Santini

Ele sempre fora trabalhador e ao mesmo tempo, idealista. Não dessas pessoas que tiram os pés do chão, mas teimosamente um perseguidor de metas, sonhos.

E todo idealista não mede esforços nem tempo para alcançar a concretização do seu sonho. Ele era assim. Há muitos anos trabalhava incessantemente para ver seus ideais influenciando a sociedade.

Mas, agora vendo-o passar, achei-o abatido, sem aquela espécie de luz que sempre o envolvera. Descobri, em conversas com amigos comuns, que o abatimento se dava por conta de inúmeros problemas financeiros que nosso idealista carregava sem solução, por motivo de esgotar seus recursos a favor do ideal, e não contar com colaboradores decididos ao amparo financeiro dos seus projetos, todos eles tendo a educação do homem como base para construção de um mundo melhor.

É triste verificar que um amigo, um conhecido, está passando por fase difícil na vida, e você não estar disponível para auxiliar. Pelo menos foi o que pensei.

Assim pensando, viajei. E para onde fui, uma pequena cidade do interior, encontrei uma pessoa que, comentando comigo suas atividades, muito elogiou o precioso material de um educador que residia em minha cidade, material esse que ele sempre estudava e colocava em prática, colhendo excelentes resultados. Para minha surpresa, o tal educador era meu conhecido idealista.

Retornei de viagem e mais que depressa o procurei para contar a boa notícia. E assim aconteceu.

Ele ouviu-me, sorriu e agradeceu. Suspirou, de leve, como que reconfortado, e disse-me:

_ Às vezes pensamos que tudo está perdido, que todos os esforços em nada resultam. Parece que perdemos tempo em insistir, mas não é assim. Fico feliz em saber que numa pequena cidade do interior deste país alguém está utilizando meu material. Isso é muito gratificante. Fica então a lição que nada se perde nesta vida, nenhum esforço é inútil quando se quer o bem de todos.

Fizemos as despedidas e dei-me conta que conseguira ajudá-lo.

Será que, com um pouco mais de boa vontade de minha parte, não poderei auxiliá-lo ainda mais? Talvez tornar-me seu colaborador? São perguntas que urgentemente preciso responder, pois quem muito pensa e não toma atitude, está deixando o tempo passar e teias de aranha invadirem sua vida.

Você não concorda que vale a pena insistir quando queremos o bem de todos?

 


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