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Contando Histórias A Água e o Rio Kin Fu Uma criança, sentada numa pedra encravada em pequeno banco de areia, olhava penetrante para a água corrente de um pequeno rio. Seus olhos faiscavam num misto de alegria e admiração, e perguntava-se: para onde vai a água do rio? e de onde ela vem? Pois a criança tinha certeza que a água devia vir de algum lugar, passar pelo lugar que seus olhos podiam apreender, e chegar a algum outro lugar. Muitas vezes aquela criança voltou ao rio e refez as indagações, mas não obteve resposta. Anos depois, já adulto, voltou ao mesmo lugar. A paisagem estava intocada e as águas continuavam passeando pelo leito do rio, do mesmo modo que anos antes. E ele lembrou-se de suas perguntas e agora, com o saber adquirido na escola, considerava suas indagações como ingenuidades infantis. Foi nesse momento que um senhor apareceu, sentou-se naquela mesma pedra de outrora e, dirigindo-lhe a palavra, falou: "Sempre venho a este lugar perguntar ao rio para onde vão suas águas." Como era isso possível? Então um velho, com pelo menos o dobro de sua idade, não sabia responder a uma pergunta que a ciência de há muito já explicara? O velho pareceu captar seu pensamento e, sem tirar os olhos do rio, contou: "Na sua idade, pensava ter encontrado a resposta nos estudos feitos na escola, mas a vida, com seu dia-a-dia, me ensinou diversas outras coisas, e compreendi que não basta explicar apenas pelos olhos da matéria, mas que é preciso ir além, sentir que a água é como o caminho da vida, sempre em movimento, e que o rio é a estrada para a perfeição." Ele não entendeu a fala do senhor e continuou a ver tão somente a água correndo pelo leito do rio. Novamente o velho o convidou à reflexão: "Não veja apenas a água que corre, sinta a vida que palpita e palmilha a longa estrada do infinito representada pelo leito. As pedras, os gravetos, a vegetação, os peixes representam a diversidade do mundo para sensibilizar todos os nossos sentidos, físicos e espirituais, rumo ao grande rio ou ao mar, ou seja, a essência do existir. Isso a escola não pode ensinar, mas você pode aprender na vida." O menino agora homem
olhou novamente para o rio e no lugar da água correndo observou
sua própria existência passando. Isso o deixou assustado
no início, mas aos poucos foi se aquietando, até que se
viu sentado na pedra. Ele era o mesmo senhor, aquele velho, o seu futuro. Ninguém deve
viver por viver, arrastado pela sociedade, mas deve viver o conhecimento
e o amor em plenitude, para elevar a si próprio no bem e elevar
também os outros no sentir o próprio eu e a divindade que
está em cada um de nós. A água, que
é o homem, vem de Deus e vai para o oceano da perfeição
do eu. Esse caminho é feito no leito acolhedor, que é a
vida, oferecendo ao homem tudo que ele precisa para seu progresso e elevação. A perfeição
está no conhecimento que cada um faz de si mesmo, e esse conhecimento
só é plenamente rico se construído na vivência
do amor e das virtudes. A água corrente de um pequeno rio...nós mesmos no caminho da própria existência, ao encontro com Deus. Os direitos autorais pertencem ao IBEM, que permite a reprodução desde que seja citada a fonte. |
Análise&Crítica |