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Artigo
30/06/2008

Amai-vos Uns aos Outros - Isso é Educar

Ronaldo Gomes

Nossos filhos entram em tenra idade para a vida escolar, principiando essa fase aos cinco meses, ou até mesmo antes, quando precisamos trabalhar e eles são colocados em creches, sejam particulares ou públicas. Não importa a classe social a que pertença, pais que necessitam trabalhar e não tem com quem deixar seus filhos. Outros contratam babás, empregadas, para cuidarem de seus filhos. A situação se torna crítica devido a pouca atenção dos pais aos filhos, ficando prejudicada sua formação pela ausência da figura materna e paterna ao longo do dia, ou, quando não, a vida inteira.

Claro que há pais que fazem a diferença, e que tentam suprir essa falta, assim que,retornam ao lar, dedicando toda atenção aos seus filhos, uma vez que estes se encontram distante durante a manhã e a tarde, ficando a noite e finais de semana para o acolhimento afetivo e a atenção carinhosa para as crianças.

A corrida desenfreada em que vivemos, a "busca do ouro", nos tornando reféns de umas máquinas devoradoras chamadas: indiferença, poder, sobrevivência.

Há situações onde pais negligenciam suas responsabilidades, deixando seus filhos a mercê dos contratados, que são pagos para isso, para se divertirem, curtirem, sem preocupação de como estão sendo tratados e cuidados os filhos. Poderíamos enumerar outras tantas situações que presenciamos ao longo de nossa pesquisa e experiências vividas dentro de comunidades carentes, orfanatos, escolas e creches, trabalhando voluntariamente, ou como assalariado.

Ouvindo relatos de educadores, ficamos tristes, apreensivos, por perceber que ao longo do tempo muitos profissionais não abraçam a profissão com determinação, afinco e princípios de humanidade, conscientes de suas responsabilidades de educadores. Sabemos das dificuldades, entre elas, o mau salário, ambientes sem infra-estrutura adequada, etc, o que não justifica tratarmos nosso semelhante desumanamente.

Nossas crianças, adolescentes e jovens, carecem de informações que os possibilitem se desenvolverem abrindo novo horizonte afetivo, de compreensão do mundo, passando pelo tratamento, desde tenra idade, no carinho, ternura, amor, educação, exemplo, dedicação de pais, educadores, numa constante troca no processo contínuo do ensino-aprendizagem, no lar, na escola, preparando-os para a vida e o convívio em sociedade.

Os traumas de infância acarretam dores morais ao longo do tempo, causando transtorno em nossa personalidade, tornando-nos adultos frios, sem sentimentos, revoltados, indiferentes etc.

Não há como fingirmos ou mesmo negar a importância de uma educação que prima desde a concepção, nos carinhos, aconchego, amor, ainda no ventre, que a mãe, pai, a família, exerce sobre a gestação de um ser em sua formação para a vida.

Assim, esses profissionais devem estar cientes de suas responsabilidades no trato com seu semelhante, e não apenas achar que são lixos de depósitos humanos, nesses estabelecimentos chamados de ensino.

Chega de fachadas bonitas, mas que internamente nada fazem moralmente de eficaz, para o engrandecimento e elevação do ser humano e seu desenvolvimento moral e cognitivo.

Sabemos que existem escolas e creches onde seus gestores, educadores, funcionários, trabalham para a dignidade do seu semelhante, não importando a classe social onde ele esteja inserido, cumprindo efetivamente seu verdadeiro papel de promoção social, cidadania e humanização.

Tenhamos a sã consciência de que a solução de um mundo melhor é trabalho de todos nós, no qual a determinação em educar é tarefa do pobre ou rico, do professor ou pais, da escola ou família. É de toda a sociedade. Afinal somos seres humanos, e enquanto estivermos maltratando um só semelhante que seja, estaremos fadados ao precipício da desordem, do egoísmo e da degradação humana, destruindo a nós mesmos. "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.." disse Jesus, mestre e educador de todos os tempos. Isso é educar.

Eduquemo-nos!

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